União da Igreja e do Estado - Estudos Bíblicos Adventistas

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União da Igreja e do Estado

A Bíblia Responde > X – Liberdade Cristã
A Bíblia Responde - Capítulo nº 10 - Liberdade Cristã

1. Que estava já em operação na igreja ao tempo de S. Paulo?

"Porque já o mistério da injustiça opera." II Tess. 2:7.

2. Que espécie de homens, disse ele, se levantariam na igreja?

"Porque eu sei isto, que depois de minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho; e que dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si." Atos 20:29 e 30.

3. Por que experiência passaria a Igreja, e o que nela surgiria antes da segunda vinda de Cristo?

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição." II Tess. 2:3.

4. Em que se viu a primeira prova tangível dessa "apostasia" da verdade divina?

Na adoção de ritos e costumes pagãos na igreja.

"Os bispos aumentaram a quantidade de ritos religiosos no culto cristão,... tanto dos judeus como dos pagãos, a fim de facilitar- lhes a conversão ao cristianismo.... Para este propósito deram às instituições do evangelho o nome mistério, e sobretudo o santo sacramento ornaram eles com esse título solene. Usaram nessa sagrada instituição, bem como na do batismo, vários dos termos empregados nos mistérios pagãos, e chegaram, até a adotar os mesmos ritos e cerimónias de que consistiam aqueles célebres mistérios."— Ecclesiastical History (Tradução de Maclaine), por Mo- sheim, cent. 2, cap. IV, pars. 2-5.

5. Em que época já se manifestava essa tendência?

"Esta imitação começou nas províncias orientais; mas, depois da época de Adriano [imperador 117-138 A. D.] que foi o primeiro introdutor dos mistérios entre os latinos, foi seguida pelos cristãos que habitavam as partes ocidentais do império." — Idem, par. 5.

6. Qual tem sido um grande característico do papado?

A união da Igreja e Estado, ou a autoridade religiosa dominando a civil para a consecução de seus objetivos.

7. Quando se formou a união da Igreja e do Estado, da qual nasceu o papado?

Durante o reinado de Constantino, 313-337 A. D., foi posta a base, desenvolvendo-se sob os seus sucessores.

8. Qual foi, àquele tempo, o caráter de muitos dos bispos?

"Bispos de mentalidade mundana, em vez de cuidarem da salvação do rebanho, eram muitas vezes dados demais a viajarem dum lugar para outro, e intrometerem-se nos assuntos mundanos." — History of the Christian Religion and Church, de Neander (Tradução de Torrey), Vol. 2, pág. 16.

9. Que decidiram os bispos fazer?

"Esta teoria teocrática já prevalecia ao tempo de Constantino; e ... os bispos voluntariamente se tornaram dele dependentes por meio de suas disputas, e pela determinação de fazerem uso da autoridade do Estado para a consecução de seus objetivos." — Idem, pág. 132.

A "teoria teocrática" era a dum governo exercido por Deus por meio da Igreja, particularmente mediante seus bispos.

10. Em que data saiu a famosa lei dominical de Constantino?

Em 321 A.D.

11. Quando e por quem foi convocado o Concílio de Nicéia?

Pelo imperador Constantino, em 325 A. D.

12. Sob a autoridade de quem foram publicados os seus decretos?

"Os decretos ... foram publicados sob a autoridade imperial, alcançando assim importância política." — Idem, pág. 133.

13. Qual foi um dos objetivos principais na convocação desse concílio?

"A questão referente à observância da Páscoa, suscitada no tempo de Aniceto e Policarpo, e depois no de Vítor, estava ainda sem decisão. Foi esse um dos motivos principais da convocação do Concílio de Nicéia, sendo o assunto de maior importância a ser considerado depois da controvérsia ariana." 

"Parece que as igrejas da Síria e Mesopotâmia continuaram a seguir o costume dos judeus, e a celebrar a Páscoa no décimo quarto dia da Lua, quer caísse em domingo quer não. Todas as demais igrejas celebravam essa solenidade no domingo somente, a saber: Roma, Itália, África, Lídia, Egito, Espanha, Gália e Bretanha; e toda a Grécia, Ásia e Ponto." — Historical View of the Council of Nice, por Boyle, pág. 23, edição de 1836.

14. Que decisão teve afinal o assunto?

"O dia da Páscoa foi por fim fixado no domingo imediato à Lua cheia mais próxima, após o equinócio vernal." — Idem, pág. 24.

15. Que foi decretado pelo Concílio de Laodiceia, em 364 A. D.?

Que os cristãos deveriam guardar o domingo, e que, se persistissem em repousar no sábado, "estariam desligados de Cristo." Ver as págs. 382, 385 e 405.

16. Que leis imperiais foram feitas em 386 A. D. ?

"Por meio duma lei feita no ano 386, aquelas alterações mais antigas feitas por Constantino foram impostas com maior vigor; e, em geral, foram proibidas estritamente no domingo as transações civis de toda es¬pécie."— Church History, de Neander, Vol. 2, pág. 300.

17. Que petição foi feita ao imperador por uma convenção dos bispos da Igreja em 401 A. D. ?

"Que os espetáculos públicos fossem transferidos do domingo cristão e dos dias santos para qualquer outro dia da semana." — Ibidem.

A lei desejada foi conseguida em 425 A. D. Ver as págs. 405 e 430.

18. Qual foi o objetivo dos bispos da Igreja, ao pedirem leis dominicais?

"Que o dia fosse dedicado com menos interrupção ao propósito da devoção." "Que a devoção dos fiéis ficasse isenta de qualquer perturbação." — Church History, de Neander, Vol. 2, págs. 297 e 301.

19. Como era perturbada a "devoção" dos "fiéis"?

"Os ensinadores da Igreja ... em verdade, eram muitas vezes forçados a queixar-se de que nessas competições, o teatro era muitíssimo mais frequentado do que a Igreja." — Idem, pág. 300.

20. Que diz Neander quanto à obtenção dessas leis? 

"Dessa maneira a Igreja recebeu auxílio do Estado para atingir os seus fins." — Idem, pág. 301.

Por esse meio, mais do que por outro qualquer, talvez, a Igreja e o Estado estavam unidos. Dessa maneira a Igreja alcançou o controle da autoridade civil, que mais tarde usou como meio de exercer as mais fortes e extensas perseguições. Negou assim a Cristo e o poder da piedade.

21. Ao alcançar a Igreja o auxílio do Estado nesse ponto, que mais pediu?

Que a autoridade civil fosse exercida para compelir os homens a servirem a Deus conforme a Igreja ditasse.

22. Que ensinou Agostinho quanto a essa teoria teocrática, de que ele fora o pai?

"Quem duvida que é melhor ser guiado a Deus pela instrução, do que pelo temor do castigo ou da aflição? Mas por causa do primeiro, os que forem guiados somente pela instrução, serão melhores; os outros, porém, não deverão ser negligenciados. ... Muitos, como os servos maus, precisam ser muitas vezes reconduzidos ao Mestre pela vara do sofrimento, antes de poderem atingir o estágio mais elevado do desenvolvimento religioso." — Idem, págs. 214 e 215.

23. A que conclusão chega Neander no tocante a essa teoria?

Foi por Agostinho, pois, proposta e fundada uma teoria, que, conquanto moderada em sua aplicação prática, por seu próprio espírito pio e filantrópico, continha, não obstante, o germe de todo aquele sistema de despotismo espiritual, de intolerância e perseguição, que culminou nos tribunais da inquisição." "Ele não deu preferência à pergunta: Que é correto? em relação à outra: Que é conveniente? Mas a teoria que despreza essas distinções dá margem para qualquer despotismo que faria dos fins santos um pretexto para uso de meios não santificados." — Idem, págs. 217, 249 e 250.

Assim foi que se formou a união da igreja e do Estado, de que resultou "a besta" ou o papado, do Apocalipse, que fez "guerra contra os santos" e os venceu. Um proceder semelhante não pode deixar de produzir resultados idênticos hoje. O Dr. Philip Schaff, em sua obra A Igreja e o Estado, pág. 11, bem diz: "A autoridade secular demonstrou-se ser um dom satânico da igreja, e a autoridade eclesiástica ficou provado ser uma máquina de tirania nas mãos do Estado."
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