Revelações do Apocalipse- Capítulo nº 08 - 1º Parte - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelações do Apocalipse- Capítulo nº 08 - 1º Parte

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Revelações do Apocalipse - Livro nº 01
O Silêncio no Céu

O Sétimo Selo

“E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas Sete Trombetas. E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E o fumo do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos” (Apoc. 8:1-5).

O Selamento do capítulo sete de Apocalipse prepara o caminho para a abertura do sétimo selo (Apoc. 8:1-5). Os seis primeiros selos (Apoc. 6 e 7) revelaram os diversos grupos de pessoas julgadas no grande Juízo Celestial, concluindo com o Julgamento dos Vivos, aqueles que deverão refletir o caráter de Jesus no período da grande tribulação permanecendo em pé na presença de Deus sem intercessor no Santuário Celestial.

A abertura do sétimo selo contém uma mensagem solene e que chega mesmo a emudecer toda hoste angelical. O sétimoselo revela o tempo em que Jesus deve “lançar o incensário sobre a Terra” (Apoc. 8:5). Seguindo-se à abertura do sétimo selo, o profeta João presenciou o fechamento da porta da graça, o fim do Juízo Investigativo.           

Joseph J. Battistone, afirma na Lição da Escola Sabatina: “Quando Ele atirar o Seu incensário à Terra, cessará o ministério intercessor de Cristo. Terminará o tempo da graça, e haverá trovões, vozes, relâmpagos e um grande terremoto.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimentre, 1989, 120.

Foram reveladas a Ellen G. White cenas de tensão no Céu, cenas de um Céu que está tenso e emudecido, porque a areia está se escoando rapidamente através da ampulheta do tempo da graça. O sétimo selo revela esses últimos minutos de graça justamente antes de Jesus lançar o incensário sobre a Terra. São as cenas finais do ministério de Jesus no Santuário:

“Servos de Deus, dotados de poder do alto, com rosto iluminado e resplandecendo com santa consagração, saíram para proclamar a mensagem provinda do Céu. Almas que estavam espalhadas por todas as corporações religiosas responderam à chamada, e os que preciosos eram retiraram-se apressadamente das igrejas condenadas... Foi-me indicado o tempo em que a mensagem do terceiro anjo estava a finalizar-se.  

O poder de Deus havia repousado sobre Seu povo; tinham cumprido a sua obra, e estavam preparados para a hora de prova que diante deles estava. Tinham recebido a Chuva Serôdia, ou o refrigério pela presença do Senhor, e se reanimara o vívido testemunho. A última grande advertência tinha soado por toda parte e havia instigado e enraivecido os habitantes da terra que não quiseram receber a mensagem.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 279-281.

“Vi anjos indo aceleradamente de um lado para o outro no Céu. Um anjo com um tinteiro de escrivão ao lado voltou da Terra, e referiu a Jesus que sua obra estava feita, e os santos estavam numerados e selados. Então vi Jesus, que havia estado a ministrar diante da Arca, a qual contém os Dez Mandamentos, lançar o incensário.  Levantou as mãos e com grande voz disse: 'Está Feito.' E toda a hoste angélica tirou suas coroas quando Jesus fez a solene declaração: 'Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se'  (Apoc. 22:11).  Cada caso fora decidido para vida ou para morte.  Enquanto Jesus estivera ministrando no Santuário, o juízo estivera em andamento pelos justos mortos, e a seguir pelos justos vivos.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 279-281.

“Retirando-Se Jesus do lugar Santíssimo, ouvi o tilintar das campainhas sobre as Suas vestes; e, ao sair Ele, uma nuvem de trevas cobriu os habitantes da Terra. Não havia então mediador entre o homem culpado e Deus... Enquanto Jesus permancera entre Deus e o homem culposo, achava-se o povo sob repressão; quando porém, Ele saiu de entre o homem e o Pai, essa restrição foi removida, e Satanás teve completo domínio sobre os que afinal se não arrependeram...” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 279-281.

“Naquele tempo terrível, depois de finalizada a mediação de Jesus, os santos estavam a viver à vista de um Deus santo, sem intercessor. Cada caso estava decidido, cada jóia contada.  Jesus demorou um momento no compartimento exterior do Santuário Celestial, e os pecados que tinham sido confessados enquanto Ele esteve no lugar Santíssimo, foram colocados sobre Satanás, o originador do pecado... Vi então Jesus depor Suas vestes sacerdotais e envergar Seus mais régios trajes.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 279-281.
O Anjo do Concerto

Alguém pode fazer objeção quanto ao fato de ser Jesus o anjo que “lança o incensário sobre a Terra,”  todavia, Ellen G. White se refere várias vezes a Jesus como sendo o Anjo do Concerto.

Descrevendo a noite de luta de Jacó com o Mensageiro Celestial, ela diz:
 
“O patriarca discerniu então o caráter de seu antagonista.  Soube que estivera em conflito com um Mensageiro Celestial, e por isto foi que seu esforço quase sobre-humano não ganhara a vitória.  Era Cristo, o 'Anjo do Concerto' que Se havia revelado a Jacó.” Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 197.
 
Comentando sobre a nuvem, que durante o dia, cobria Israel no deserto, e a coluna de fogo à noite, Ellen G. White diz:
 
“A presença de Jesus Cristo, escondida na coluna de nuvem durante o dia e na coluna de fogo durante a noite, seguiu Seu povo enquanto vagueavam pelo deserto. O Anjo do Concerto veio em nome de Deus, como o invisível Líder de Israel.” Ellen G. White, The Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 927, 928.
                                                 
Na experiência do sumo sacerdote Josué relatada na visão de Zacarias, Jesus mais uma vez Se apresenta como sendo o Anjo do Concerto: “O sumo sacerdote não se pode defender, nem ao seu povo, das acusações de Satanás... Então o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz a silêncio o acusador do Seu povo, declarando: 'O Senhor te repreenda, ó Satanás. . .” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 171.
 
“A visão de Zacarias, relativa a Josué e ao Anjo, aplica-se com força particular à experiência do povo de Deus no remate do grande dia da expiação... Enquanto Satanás instava em suas acusações, e buscava destruir esse grupo, santos anjos, invisíveis, passavam para cá e para lá, colocando sobre eles o Selo do Deus Vivo.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 175,179.
 
Existem mais evidências, de que o Anjo do Concerto que tem o incensário de ouro na mão é Jesus; elas podem ser vistas no texto de Apoc. 8:3 comentado por Ellen G. White:
 
“No lugar Santíssimo vi uma arca... Em cada extremidade da arca havia um querubim com suas asas estendidas sobre ela... Entre os anjos estava um incensário de ouro... Jesus estava junto à arca, e ao subirem a Ele as orações dos santos, a fumaça do incenso subia, e Ele oferecia suas orações ao Pai com o fumo do incenso.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 32.

“Entre os querubins havia um incensário de ouro; e, subindo a Jesus as orações dos santos, oferecidas pela fé, e apresentando-as Ele a Seu Pai, uma nuvem de fragrância subia do incenso, assemelhando-se a fumo das mais lindas cores.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 252.
 
No Santuário terrestre, o incensário de ouro era guardado no Santíssimo, entre os dois querubins (Heb. 9:4), exatamente como descrito na visão dada a Ellen G. White em Primeiros Escritos, página 252. Este incensário de ouro era usado unicamente pelo sumo sacerdote, no lugar santo, no dia da expiação (Lev. 16:12, 13). Os incensários usados no serviço diário do santuário pelos sacerdotes eram de bronze (Num. 16:39).  
 
“O fato de que o Anjo mencionado em Apoc. 8:3-4 tem na Sua mão um incensário de ouro, junto ao altar no lugar Santo, é uma evidência irrefutável de que esta é a atividade final do ministério de Jesus no dia da expiação.” Robert Hauser, Give Glory to Him, 76.
“O incenso representa o sangue da expiação...” Ellen G. White, Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 971.
, e o oferecimento desse sangue é o foco central do ministério intecessor de Jesus.
 
Quando o incensário de ouro for lançado sobre a Terra, termina o ministério intercessor de Jesus. Unicamente Jesus é dígno de cumprir as cenas descritas em Apoc. 8:3-5; elas ocorrem no lugar Santo do Santuário Celestial. Ellen G. White cita Apoc. 4:5 e 8:3 antes de declarar:
 
“Sendo, em visão, concedido ao apóstolo João vislumbrar o templo de Deus nos Céus, contemplou ele, ali, 'sete lâmpadas de fogo' que 'diante do trono ardiam' (Apoc. 4:5). Vi um anjo, 'tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono' (Apoc. 8:3). Foi permitido ao profeta contemplar o primeiro compartimento do Santuário Celestial.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 414.

É evidente aqui que Jesus volta ao lugar Santo para completar a obra da expiação que estava sendo realizada no Santíssimo, exatamente como era feito no Dia da Expiação do Santuário terrestre. Na cerimônia do Dia da Expiação no Santuário terrestre, o sumo sacerdote saía do Santíssimo e vinha até o lugar Santo para completar a obra da expiação (Lev. 16:20-22).  Era ali que ele depositava sobre a cabeça do bode, que representava Satanás, os pecados retirados do Santuário. Ellen G. White, declara que quando Jesus saiu do Santíssimo, “Jesus demorou um momento no compartimento exterior do Santuário Celestial, e os pecados que tinham sido confessados enquanto Ele esteve no lugar Santíssimo, foram colocados sobre Satanás, o originador do pecado... Vi então Jesus depor Suas vestes sacerdotais e envergar Seus mais régios trajes.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 280, 281.

“Com a abertura do sétimo selo, termina o ministério do Cordeiro no Santíssimo.” Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 580.
O Silêncio no Céu

“E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no Céu, quase por meia hora”? (Apoc. 8:1). Como pode ser entendido o texto de Apoc. 8:1?
“O silêncio de meia hora tem sido identificado com uma crença rabínica de que no Dia da Expiação, e durante um período de três horas, Satanás não pode acusar Israel diante de Deus. João apresenta Satanás como acusando os irmãos 'dia e noite' diante de Deus, na intenção de neutralizar o 'contínuo' ministério interior de Cristo no céu (Apoc. 12:10).” Alberto R. Trieyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 582, 583.                                      

O sétimo selo deve ser estudado no contexto do fechamento da porta da graça, o fim da intercessão. Jesus, que é o Anjo do Concerto, lança o incensário de ouro sobre a Terra, dá o veredito final “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Apoc. 22:11), e então deixa o Santíssimo e Se demora um pouco de tempo no lugar Santo. Neste contexto o silêncio no Céu deve ser entendido como uma descrição da tensão que toma conta de toda a hoste celestial, exatamente nos últimos momentos de graça, momento em que Jesus ainda intercede pelos conversos da Hora Undécima que ainda não foram selados pelo Selo do Deus Vivo. Ellen G. White descreve esses momentos de tensão e expectativa no Céu:

“Vi quatro anjos que tinham uma obra a fazer na Terra, e estavam em vias de cumpri-la. Jesus estava vestido com trajes sacerdotais. Ele olhou compassivamente para os remanescentes, levantou então as mãos, e com voz de profunda compaixão, exclamou: 'Meu sangue, Pai, Meu sangue! Meu sangue!' Vi então que, de Deus que estava sentado sobre o grande trono branco, saía uma luz extraordináriamente brilhante e derramava-se em redor de Jesus. Vi a seguir um anjo com uma missão da parte de Jesus, voando celeremente aos quatro anjos que tinham a obra a fazer na Terra, agitando para cima e para baixo alguma coisa que tinha na mão, e clamando com grande voz: 'Segurai! Segurai! Segurai! Até que os servos de Deus sejam selados na fronte!'  

“Perguntei ao meu anjo assistente o sentido do que eu ouvia, e que iriam fazer os quatro anjos. Ele me disse que era Deus quem restringia os poderes, e incumbira os Seus anjos de tudo quanto se relacionava com a Terra; que os quatro anjos tinham poder da parte de Deus para reter os quatro ventos, e que estavam já prestes a soltá-los; mas enquanto se lhes afrouxavam as mãos e os quatro ventos estavam para soprar, os olhos misericordiosos de Jesus contemplaram os remanescentes que não estavam selados e, erguendo as mãos ao Pai, alegou que havia derramado Seu sangue por eles. Então outro anjo recebeu ordem para voar velozmente aos outros quatro e mandar-lhes reter os ventos até que os servos de Deus fossem selados na fronte com o Selo do Deus Vivo.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 37, 38.

Esses remanescentes pelos quais Jesus clama diante do Pai são os conversos da hora undécima, a grande multidão que finalmente sairá de Babilônia e se unirá aos que guardam os mandamentos de Deus. O Céu todo contempla essas cenas com a mesma angústia e tensão que tomaram conta de Jesus, quando Ele viu que os quatro anjos estavam soltando os quatro ventos, e Seus olhos misericordiosos contemplaram um grupo de remanescentes que ainda não tinham o Selo do Deus Vivo.  São cenas do juízo que mostram a porta da graça se fechando, enquanto ainda milhões de almas estão tomando decisões ao lado dos guardadores do sábado; são os últimos que estão escapando das garras de Satanás, como tições tirados do fogo. É uma experiência estressante, quando os minutos finais da graça se escoam pela ampulheta do tempo. Os remanescentes já selados também gemem e choram pelas almas ainda não seladas.  

Que outra ocasião, além desta, houve silêncio no Céu? No livro O Desejado de Todas as Nações lemos que no momento em que Jesus, no Getsêmane, lutava contra as hostes do mal, com o objetivo de implantar o Reino da Sua Graça, houve silêncio no Céu.

“Terrível foi a tentação de deixar que a raça humana sofresse as consequências de sua própria culpa... A humanidade do Filho de Deus tremia naquela probante hora. Não orava agora pelos discípulos... mas por Sua própria alma assediada de tentação e angústia. O tremendo momento chegara, aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava a sorte da humanidade... Três vezes recuou Sua humanidade do derradeiro, supremo sacrifício... Mas Deus sofria com Seu Filho. Anjos contemplavam a agonia do Salvador. Viam seu Senhor circundado de legiões das forças satânicas, Sua natureza vergada ao peso de misterioso pavor que todo O fazia tremer. Houve silêncio no Céu.  Nenhuma harpa soava.” Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 661, 663, 664.

Assim como Jesus, no Getsêmane, estava cercado por anjos maus que procuravam fazê-Lo desistir de beber o cálice da morte, tentavam impedir a implantação do Reino da Graça, assim também os 144.000 e a grande multidão estarão sendo ssediados pelas hostes de Satanás nos momentos finais que antecedem o fechamento da porta da graça. A angústia que Jesus experimentou no Getsêmane, criou no Céu uma atmosfera de silêncio e tensão. Do mesmo modo, a angústia do remanescente de Deus em face do ódio satânico provocado pelo Alto Clamor e a conversão da grande multidão, nos momentos finais do ministério intecessor de Jesus, também será sentido nas cortes celestiais mediante o silêncio celestial. “A solenidade da ocasião é descrita por um curto mas significante silêncio.  Este silêncio será quebrado pelo soar das Sete Trombetas.” Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 578.

Quando todos os filhos de Deus finalmente estiverem selados, e Jesus deixar o Santuário, tirando suas roupas sacerdotais e vestindo os trajes reais, então não haverá mais razão para tensão e silêncio, pois quem estiver salvo, permanecerá salvo, e quem estiver perdido permanecerá perdido. Entender o silêncio no céu como algo que vai acontecer na volta de Jesus contraria a alegria, a festa e o clangor das trombetas que fazem parte da volta de Jesus. O santo e estrondoso louvor que acompanha a volta triunfante de Jesus não é algo que vai acontecer somente quando Ele aparecer nas nuvens; esta explosão de louvor começa no Céu e desce até a Terra. Por isso, no momento da volta de Jesus, não há ocasião para silêncio, mas haverá sim uma explosão de fervorosos Aleluia
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