Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 08 - 2º Parte - As Sete Trombetas - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 08 - 2º Parte - As Sete Trombetas

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Revelações do Apocalipse - Livro nº 02
 Capítulo 8 (2ª parte)

As Sete Trombetas
 
No conceito tradicional adventista, as trombetas abrangem a história da Era Cristã, cobrindo o mesmos períodos das sete igrejas (cf. Apoc. 2 e 3), mas sob uma perspectiva diferente. A seguir um resumo das Sete Trombetas segundo a interpretação histórica:
 
Primeira Trombeta: invasão gótica do Império Romano do Ocidente - os visigodos sob a liderança de Alarico (410 d.C.);
 
Segunda Trombeta: os vândalos, sob a liderança de  Genserico, atacam Roma pelo mar, destruindo a frota romana pelo fogo (455 d.C.);

Terceira Trombeta: Roma é atacada pelos hunos sob a  liderança de Átila (quinto século);
 
Quarta Trombeta: o governo romano é destruído sucessivamente: primeiro os imperadores, depois os senadores e então os cônsules (quinto e sexto século);

Quinta Trombeta: os sarracenos (forças islâmicas) sob a liderança de Maomé invadiram a arte oriental do Império Romano (sétimo século);
 
Sexta Trombeta: tropas turcas destroem o Império Romano Oriental (séculos catorze e quinze);
 
Sétima Trombeta: o fim do mundo. Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 125.
 
Na Lição da Escola Sabatina citada acima encontramos essa explicação: “os Adventistas do Sétimo Dia estão constantemente estudando a profecia das trombetas. Como admitimos que não possuímos toda a luz, precisamos volver-nos para o Senhor e pedir a iluminação do Espírito Santo ao procurarmos compreender essa profecia.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 127.
 
Com a intenção de ajudar aos que se interessam no estudo das Sete Trombetas apresentamos aqui uma interpretação que, embora seja diferente da histórica, é plenamente bíblica e coerente. Como igreja admitimos que não temos toda luz e que a revelação divina é progressiva; portanto, é de grande proveito para os estudiosos das profecias bíblicas analisarem as Sete Trombetas como eventos que ocorrerão após o fechamento da porta da graça.
 
Joseph Battistone, autor da Lição da Escola Sabatina do 2º trimestre de 1989 afirma:
 
O toque das trombetas não começa até que seja concluída a obra do Anjo, de oferecer incenso (Apoc. 8:6). A visão do Anjo que oferece incenso e então atira o incensário à Terra tem a finalidade de ser a introdução para a profecia das Trombetas. É como se fosse dito a João: Os sete trombeteiros estão prontos para tocar. Primeiro terá de cessar, porém, o oferecimento do incenso. Então as trombetas poderão soar. Nessa ocasião (após o fim da graça) Deus permitirá que ocorram os eventos descritos sob cada uma das trombetas.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 121.
 
“Quando Ele atirar o Seu incensário à terra, cessará o ministério intercessor de Cristo. Terminará o tempo da graça, e haverá trovões, vozes, relâmpagos e um grande terremoto.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 120.
 
“Atirar o incensário: fim do ministério intercessor de Cristo; fim do tempo da graça. . . . Apocalipse 8:3-5 trata da intercessão e juízo. No verso 5, o Anjo tira fogo do altar e o atira à Terra, assinalando o fim do ministério intercessor no Santuário Celestial e o lançamento dos juízos de Deus sobre o mundo. Os trovões, os relâmpagos e o terremoto dramatizam o fim do tempo da graça para os seres humanos.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 122, 123.
 
A maior obra destruidora de Satanás começa logo após Jesus ter lançado o incensário sobre a Terra:
 
Deixando Ele o santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra. Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista de um Deus santo, sem intercessor. Removeu-se a restrição que estivera sobre os ímpios, e Satanás tem domínio completo sobre os que finalmente se encontram impenitentes. Terminou a longanimidade de Deus. O mundo rejeitou Sua misericórdia, desprezou-Lhe o amor, pisando Sua lei. Os ímpios passaram os limites de seu tempo de graça; o Espírito de Deus, persistentemente resistido, foi, por fim, retirado. Desabrigados da graça divina, não têm proteção contra o maligno. Satanás mergulhará então os habitantes da Terra em uma grande angústia final. Ao cessarem os anjos de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda. O mundo inteiro se envolverá em ruína mais terrível do que a que sobreveio a Jerusalém na antiguidade.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 620. Citado na Lição da Escola Sabatina, 1ª parte, 2º trimestre, 1989, 124.
 
“Não havia então mediador entre o homem culpado e Deus, que fora ofendido. Enquanto Jesus permanecera entre Deus e o homem culposo, achava-se o povo sob repressão; quando, porém, Ele saiu de entre o homem e o Pai, essa restrição foi removida, e Satanás teve completo domínio sobre os que afinal se não arrependeram.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 280.
 
A palavra de Deus diz: “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o Seu segredo aos Seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
 
É desejo de Deus que nós entendamos os acontecimentos que ocorrerão na Terra após o fechamento da porta da graça. Jesus declarou que “se possível (Satanás) enganaria até os escolhidos” (Mateus 24:24). Se fosse possível, isto quer dizer que não será possível Satanás enganar os escolhidos. Deus já revelou em detalhes a estratégia satânica, antes dela acontecer, para que quando acontecer, a nossa fé seja fortalecida e os nossos corações confortados. As trombetas anunciam alguns dos mais terríveis e dramáticos eventos com os quais Satanás atormentará os ímpios. Ellen G. White diz: “quando, porém, Ele (Jesus) saiu de entre o homem e o Pai, essa restrição foi removida, e Satanás teve completo domínio sobre os que afinal se não arrependeram.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 280.  
 
Poderia Satanás tentar imitar as Sete Pragas de Deus? Seria isso uma novidade? No passado, no Egito, Satanás tentou imitar as dez pragas, e no futuro, logo após o fechamento da porta da graça, ele novamente tentará contrafazer as pragas. Mais de uma vez Ellen G. White repete a frase: “a história vai se repetir” indicando que deveríamos considerar as profecias do passado para entendermos as do futuro.
 
“O notável paralelismo apresentado aqui torna evidente que deve haver alguma relação entre as trombetas e as pragas. De que ambas devem ser intimamente relacionadas nos é apresentado ainda pelo fato de que exatamente antes de soarem as trombetas, o incensário que fora usado no templo na oferta do incenso, foi enchido de fogo e lançado à Terra, enquanto Jesus, imediatamente antes das pragas, lançou abaixo o incensário e terminou Sua obra de intercessão pelo homem no Santuário Celestial (citação extraída do livro Primeiros Escritos, 279; e Ez. 10:2). . . . A natureza básica tanto das trombetas como das pragas deve ser a mesma; ambas são juízos e castigos sobre os ímpios, homens impenitentes; ambas compreendem uma terminação da obra de intercessão de Jesus seguida por um soltar das paixões malignas dos homens ao Satanás obter o controle. Mas, conquanto sejam semelhantes, não são iguais...” Edwin R. Thiele, Apocalipse: Esboço de Estudos, vol. 2, 157, 158.
 
Não é sem razão que Deus revela aos Seus servos as semelhanças entre os juízos provenientes das Sete Trombetas, e os juízos provenientes das Sete Pragas. A Bíblia fala de Juízos Diretos que são resultados diretos da ação divina, como as Dez Pragas do Egito, o Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, as Sete Pragas e outros, e também fala de Juízos Indiretos resultantes da acão de Satanás, porém com a permissão divina.
Como Juízos Indiretos podemos citar a contrafação das pragas do Egito, as tragédias e calamidades de todo tipo vindos da ação da natureza, mas cujo causador é Satanás e não Deus. Nesta categoria de Juízos Indiretos estão também os juízos anunciados nas Sete Trombetas. Há paralelismo inegável entre as Sete Trombetas e as Sete Pragas. Thiele e Battistone reconhecem esse paralelismo; são semelhantes mas não iguais. Observe o
paralelismo entre as trombetas e as pragas:
As Sete Trombetas
Saraiva, fogo e sangue caem sobre a terça parte da terra.Praga derramada sobre o mar.
Grande monte ardendo cai sobre a terça parte do mar.A praga cai sobre os rios e as fontes das águas.
Estrela ardendo cai atingindo a terça parte dos rios e fontes das águas.Praga cai sobre o sol.
É ferida a terça parte do sol, da lua e das estrelas.Praga sobre o trono da Besta cujo reino se torna em trevas.
A fumaça escurece o sol e o ar.Praga sobre o rio Eufrates cujas águas se secam.
São soltos quatro anjos que estavam junto ao rio Eufrates É aberto o templo celestial e sobrevêm relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e grande saraivada.
Grande voz procedente do templo celestial declara: “Está Feito.” Sobrevêm relâmpagos,
vozes, trovões, terremoto e grande saraivada
As Sete Pragas. Praga sobre a terra.O anúncio das trombetas vem do Lugar Santo do Santuário, onde Jesus Se demora um pouco de tempo depois de ter deixado o
Santíssimo. É Jesus quem anuncia ao Seu povo a estratégia de Satanás. Jesus quer que os 144.000, como líderes espirituais da grande multidão recém-convertida na hora undécima, estejam habilitados para instruir e guiar essa multidão de salvos durante o período de angústia qual nunca houve.
Ellen G. White, em 1890, fez uma aplicação das trombetas como sendo eventos futuros: “Solenes acontecimentos ainda ocorrerão diante de nós. Soará trombeta após trombeta, será derramada uma taça após a outra sobre os habitantes da Terra. Cenas de estupendo interesse estão precisamente sobre nós.” Ellen G. White, Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 982.

Na Lição da Escola Sabatina de 1989, encontramos essa pergunta sugestiva que merece ser analisada:

“Será que as trombetas constituem a obra destruidora da parte de Satanás, ao passo que as pragas constituem a obra neutralizadora da parte de Deus?... Quem é a estrela que caiu do Céu sob a terceira trombeta? (Apoc. 8:10)? . . . Pode referirse a um falso profeta ou a Satanás.” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, 1ª parte, 2º trimestre, 1989, 128, 135.

Ellen G. White em sua declaração anterior relaciona as trombetas com as sete últimas pragas, dando a entender que são eventos futuros. “A ira de Satanás aumenta à medida em que o tempo se abrevia, e sua obra de engano e destruição atingirá o auge no tempo de angústia. Terríveis cenas de caráter sobrenatural logo se manifestarão nos céus, como indício do poder dos demônios, operadores de prodígios.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 623-624.

Quando será o auge do engano satânico? Porventura não será quando os quatro anjos soltarem os quatro ventos? Isso só ocorrerá depois que Jesus “lançar o incensário sobre a Terra” e proclamar “está feito”! Deveríamos identificar os eventos anunciados nas trombetas como obras de Satanás porque Apocalipse 8:13 e Apocalipse 12:12 dão a entender assim:
 
“E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! Ai! Dos que habitam sobre a Terra! Por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar.”
 
“Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o Diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.”
 
Entendemos que o anúncio das trombetas vem do Santuário Celestial, mas os “ais” são obras de Satanás, obras de engano e destruição no período de angústia. A angústia qual nunca houve é intensificada depois que Miguel Se levanta e lança o incensário sobre a terra: “E naquele tempo se levantará Miguel, o grande Príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro” (Daniel 12:1). Daniel 12:1 e Apoc.8:5 se correspondem pois estão falando do mesmo evento; ambos determinam a hora do fechamento da porta da graça e o começo da angústia de Jacó que é uma continuação da angústia que iniciou com o Decreto Dominical. Ellen White diz:

“Satanás está preparando seus enganos, de forma que em sua última campanha contra o povo de Deus, eles não entendam que é ele.” Ellen G. White, Testimonies, vol. 1, 341.

Se não fosse pela revelação divina não saberíamos que as trombetas são acontecimentos sobrenaturais e juízos provocados pelos demônios. É plano de Satanás que o povo de Deus continue entendendo as trombetas somente como eventos passados porque assim ficarão confusos quanto às obras de destruição que começarão logo após o fechamento da porta da graça. Muitos confundirão os juízos das trombetas com os juízos das pragas como sendo a mesma coisa. Culparão a Deus pela devastadora destruição e mortandade anunciadas nas trombetas quando elas sãos obras de Satanás.

“Sua obra de engano e destruição atingirá o auge no tempo de angústia. Terríveis cenas de caráter sobrenatural logo se manifestarão nos céus, como indício do poder dos demônios, operadores de prodígios.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 623-624.

Por que Satanás seguiria a seqüência delineada nas Sete Trombetas? Por que ele não mistura tudo para causar maior confusão? A Bíblia mostra que na guerra do mal contra o bem existem regras e limites estabelecidos por Deus. No Jardim do Éden o acesso que Satanás teria a Adão e Eva estava restrito à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. No teste aplicado a Jó novamente Satanás teve seu curso de ação limitado.

Da mesma forma, no período que se segue ao fechamento da porta da graça o curso de ação de Satanás não está só limitado mas também direcionado. Ele tem que seguir os eventos delineados nas Sete Trombetas. Ele é um poder vencido, sua cabeça já foi esmagada na Cruz do Calvário; ele já foi ferido de morte. A vitória de Jesus sobre Satanás não está pendente, ela foi consumada na Cruz, e a ação satânica no tempo do fim está limitada e revelada por Deus aos Seus filhos.

Será permitido a Satanás imitar as pragas, mas o seu curso de ação já está predeterminado. A única coisa que Satanás pode fazer e está se esforçando em fazer, é impedir o povo de Deus de estudar a profecia e entender a sua estratégia. Ele não tem nenhum interesse em que o povo de Deus estude essas profecias. Quanto menos souberem, maior será a angústia.

“Foram reveladas a João cenas de profundo interesse na experiência da igreja. Viu ele a posição, os perigos, os conflitos e o livramento final do povo de Deus. Ele registra as mensagens finais que devem amadurecer a seara da Terra... Assuntos de vasta importância lhe foram desvendados, especialmente para a última igreja, a fim de que os que volvessem do erro para a verdade pudessem ser instruídos em relação aos perigos e
conflitos que diante deles estariam. Ninguém necessita estar em trevas no que respeita àquilo que está para vir sobre a Terra.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 341-342.

“E os sete anjos, que tinham as Sete Trombetas, prepararam-se para tocá-las:

• e o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva, e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada;

• e o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus;

• e o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e
sobre as fontes das águas. E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das
águas, porque se tornaram amargas;

• e o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite” (Apoc. 8:6-12).

As trombetas começam a soar (Apoc. 8:6) imediatamente após o fechamento da porta da graça em Apoc. 8:5. Tem havido muita especulação quanto ao significado das trombetas. É de se notar que as Sete Trombetas e as Sete Pragas são similares, mas não idênticas. Alguns interpretam esses juízos como vindos da parte de Deus, enquanto outros os consideram como vindos de Satanás. A intrerpretação histórica considera as Sete Trombetas como períodos históricos que cobrem os mesmos períodos das Sete Igrejas. Outros consideram as Sete Trombetas como eventos futuros.

É importante notar que a Bíblia diz especificamente que todas as Sete Trombetas se prepararam para tocar após o fim do período de graça. Entendê-las como sendo eventos futuros parece ser a melhor interpretação. Alguns podem dizer que Ellen G. White apoiou a interpretação histórica das trombetas quando ela fez referência a Josias Litch no livro O Grande Conlito. Josias Litch, um dos principais pastores que pregavam o segundo advento, publicou uma explicação de Apocalipse 9, predizendo a queda do Império Otomano. Segundo seus cálculos esta potência deveria ser subvertida no ano 1840, no mês de agosto. Ellen G. White, O Grande Conflito, 334.

Contudo o que Ellen G. White escreveu pode ser entendido somente como um comentário sobre os eventos preditos por Josias Litch e não exatamente um apoio à interpretação das Sete Trombetas. Litch mesmo, admitiu, mais tarde, que seus cáculos tinham erros. Ler Robert Olson, One Hundred and One Questions on the Sanctuary, 50.

Os que preferirem interpretar as trombetas historicamente, deverão também admitir que neste caso elas então possuem dupla aplicação.

Como foi mencionado anteriormente, Ellen G. White relaciona os eventos das trombetas com as Sete pragas. Ellen G. White, Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 982.

Não é por acaso que as trombetas e as pragas são tão similares.
 A Contrafação Satânica

 
 
Há consistência bíblica em pensar que as trombetas representam o esforço de Satanás em contrafazer as pragas, como foi no Egito. Ellen G. White diz que: “As pragas que sobrevieram ao Egito quando Deus estava prestes a libertar Israel, eram de caráter semelhante aos juízos mais terríveis e extensos que devem cair sobre o mundo precisamente antes do libertamento final do povo de Deus.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 627-628.

Se as pragas do Egito “eram de caráter semelhante aos juízos mais terríveis que devem cair sobre o mundo precisamente antes do libertamento final do povo de Deus”, obviamente, este contexto final também inclui a contrafação satânica, como foi no Egito.  

 
No Egito Deus estava procurando libertar o Seu povo da escravidão para que pudessem adorá-Lo da forma como Ele revelou em Exodo 5:1-3; ali no deserto Deus proclamou diante do Seu povo Seu concerto de paz os Dez Mandamentos, antes de introduzí-los na terra de Canaã. Do mesmo modo, após o fechamento da porta da graça, Deus Se esforçará para libertar o Seu povo dos ataques de Satanás, de forma que eles possam

adorá-lo segundo os Seus planos; Deus anunciará de forma audível Seu concerto de paz com Seu povo Ellen G. White, O Grande Conflito.639; e Primeiros Escritos, 285.
e Sua voz anuncirá os Dez Mandamentos que serão estampados no Céu, e então finalmente os introduzirá na Canaã Celestial, a Nova Jerusalém. Comentando sobre as pragas no Egito, Ellen G. White diz:

“Satanás está constantemente procurando contrafazer a obra de Cristo, e estabelecer seu poder e pretensões.” Ellen G. White, Patricarcas e Profetas, 269.

A contrafação satânica está sempre bem próxima do verdadeiro. Ninguém tentaria produzir uma contrafação que não tivesse alguma semelhança com o genuíno.

A título de exemplo, mencionamos o interior de um templo maçônico que lembra o interior do templo de Salomão, só que ali os adoradores se curvam em adoração ao sol, voltados para o Leste, o lado do nascente do sol; há também um cerimonial envolvendo um bode, e também há um pacto de sangue. William Schnoebelen, Maçonaria: Do Outro Lado da Luz, 100, 52.

Este é um exemplo de contrafação daquilo que ocorria no Santuário Terrestre onde os adoradores de Jeová O adoravam dando as costas para o sol, para o Leste, e onde também existia um cerimonial (o dia da expiação) envolvendo dois bodes; o pactofeito entre Deus e o povo de Israel também foi selado com sangue.                       
 

 
Na Bíblia o nascimento de Jesus é anunciado como uma “estrela que foi vista no oriente” (Mat. 2:2), cujo símbolo é uma estrela de seis pontas, ao passo que na Maçonaria eles adoram a “estrela do oriente” que é Sírius, o astro mais importante no satanismo, representada pela estrela de cinco pontas, o pentagrama satânico. William Schnoebelen, Maçonaria: Do Outro Lado da Luz, 98.

O falso não está no lado oposto da verdade mas bem próximo, praticamente correndo em paralelo à verdade. Este é um exemplo do que acontece entre as trombetas e as pragas do Apocalipse.

 
Ellen G. White fala das densas trevas que cobrirão os habitantes da Terra após o fechamento da porta da graça:

 
“Deixando Ele (Jesus) o Santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra... Removeu-se a restrição que estivera sobre os ímpios, e Satanás tem domínio completo sobre os que finalmente se encontram impenitentes... O mesmo poder destruidor exercido pelos santos anjos quando Deus ordena, será exercido pelos anjos maus quando Ele o permitir. Há agora forças preparadas, e que aguardam apenas o consentimento divino para espalharem a desolação por toda parte.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 614.

 
Esse consentimento divino só acontece depois de Jesus “lançar o incensário sobre a Terra”. Acabou o tempo de graça e, então, Satanás, por consentimento divino, tem completo domínio sobre os ímpios.
 
           
 
É muito evidente a relação existente entre Apoc. 7:1-3, onde fala dos quatro anjos segurando os quatro ventos, e as trombetas, quando nós consideramos as visões dos Sete Selos e das Sete Trombetas como sendo eventos seqüenciais. Veja a relação entre Apoc. 7:1-3 e Apoc. 8:7-9:
 
“Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores” (Apoc. 7:3). A proibição de danificar a terra, o mar e as árvores neste verso, se deve ao fato do povo de Deus ainda não ter sido selado.

 
Apoc. 8:7-9 “E o primeiro anjo tocou a sua Trombeta e houve saraiva, e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores e toda a erva verde foi queimada. E o segundo anjo tocou a sua Trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar” (Apoc. 8:7-9).

 
A retenção dos quatro ventos, impedindo que a terra, as árvores e o mar fossem danificados, é liberada nas duas primeiras trombetas (Apoc. 8:7-9), após o Selamento do povo de Deus e o fim da graça; as duas primeiras trombetas atingem especificamente a terra, as árvores e o mar. É evidente aqui a relação entre a retenção dos quatro ventos em Apoc.7:1-3, e o poder destruidor de Satanás em Apoc. 8:7-8, liberado somente após o fechamento da porta da graça. Ellen G. White explica esse contexto dizendo:

 
“Quatro poderosos anjos retêm os poderes desta terra até que os servos de Deus sejam selados nas suas frontes. As nações do mundo estão sedentas pelo conflito; mas elas são retidas pelos anjos. Quando esse poder retentor for removido, haverá um tempo de provação e angústia... Mas eles são mantidos sob controle até chegar o tempo para a grande batalha do Armagedom. Anjos (de Deus) estão envolvendo o mundo... Nós não ouvimos suas vozes, nós não vemos com a vista natural o trabalho desses anjos, mas suas mãos estão unidas em relação ao mundo, e com ininterrupta vigilância eles estão mantendo os exércitos de Satanás à distância até que o selamento do povo de
 
Deus se complete.”¹

 
Devemos notar, também, que as trombetas sãoprimeiramente dadas aos anjos, no Santuário, em Apoc. 8:2, antes do fechamento da porta da graça em Apoc. 8:5; então eles se preparam para tocá-las em Apoc. 8:6, imediatamente após o fim do período de graça. Esta interpretação apóia e fortalece a doutrina do Santuário Celestial, a saber, o Juízo Investigativo pré-advento, o Selamento, o fechamento da porta da graça, e o tempo da angústia de Jacó.

 
Por que não dar atenção à declaração de Ellen G. White de que estas mensagens foram dadas em sua ordem?² Elas são seqüenciais e progressivas. Quando Jesus lança o incensário sobre a Terra (Apoc. 8:5), Ele termina Sua obra de intercessão. O Santuário está purificado. Jesus deixa então o Santíssimo, e se demora um pouco no Lugar Santo, assim como acontecia no dia da expiação no Santuário Terrestre. O Sumo Sacerdote não saía imediatamente do santuário, ele se demorava no Lugar Santo para tratar com um assunto que dizia respeito a Satanás. Era ali, após ter sido o santuário purificado com o sangue de Jesus, que todos os pecados eram finalmente depositados sobre Satanás. Assim também, Jesus ao deixar o Santíssimo se detém um pouco no Lugar Santo para uma obra que tem a ver com Satanás. Esse é o período da grande fúria de Satanás, o período das Sete Trombetas; ele atormentará os que são seus no intento de conseguir deles a aprovação do Decreto de Morte contra os guardadores do sábado.  
 

 
A interpretação histórica, tanto dos Sete Selos como das Sete Trombetas, se bem que tenha o seu lugar, não destaca todos esses importantes detalhes, ligados intimamente à obra sacerdotal de Jesus no Santuário Celestial. A interpretação tradicional foi herdada, inicialmente, de teólogos de diferentes denominações, que não viam o Santuário Celestial e o Ministério Jesus, como sendo o ponto central do Apocalipse. Porém, no Apocalipse, tudo gira em torno do santuário, do começo ao fim. Não entender a doutrina do santuário, é o mesmo que não entender o Apocalipse.

 
 
O livro de Daniel somente introduz a doutrina do santuário, mas o Apocalipse, expande-a. É no Apocalipse que a porta se abre e a doutrina do santuário é revelada. Qualquer interpretação apocalíptica descentralizada do santuário não corresponde às verdades divinas reveladas para a igreja de Deus nos últimos dias. Os Sete Selos e as Sete Trombetas trazem grande luz e orientação para o povo de Deus, especialmente no tempo do fim. O Juízo Investigativo a começar pelos mortos, o Juízo dos Vivos, o Selamento, o fechamento da porta da graça, a liberação dos quatro ventos, o tempo de angústia qual nunca houve e as pragas, todos estes são assuntos vitais para o remanescente subsistir firme até a vinda de Jesus.

 
“Quando nós, como um povo, entendermos o que esse livro (Apocalipse) significa para nós, haverá entre nós um grande reavivamento.” Ellen G. White, Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol.7, 967.

Nós ainda não temos visto esse reavivamento! Ellen G. White diz: “Então eu vi os anjos cessarem de conter os quatro ventos. E eu presenciei fome, pestilência e espada, nação se levantando contra nação, e o mundo inteiro estava em confusão.” Ellen G. White, Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 978.

“João vê os elementos da natureza, terremoto, tempestade, e conflitos políticos, representados como sendo retidos pelos quatro anjos. Estes ventos estão sob controle até que Deus ordene que eles sejam soltos.” Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, 444.

 
A mensageira do Senhor não somente relaciona o soltar dos quatro ventos com a obra destruidora de Satanás após o fechamento da porta da graça, mas também fala dessas forças em termos literais:

 
“Os homens tem atingido um grau de insolência e desobediência que mostra que a taça de iniquidade deles está quase cheia. Muitos tem praticamente passado os limites de misericórdia. Breve Deus mostrará que Ele é na verdade o Deus vivo. Ele dirá aos anjos, 'Não mais combatam Satanás em seus esforços para destruir. Deixem-no mostrar sua malignidade sobre os filhos da desobediência; pois a taça da iniquidade deles está cheia. Eles tem avançado de um grau de iniquidade para outro, aumentando diariamente a sua rebeldia. Eu não vou mais interferir para impedir o destruidor de fazer a sua obra.' Este tempo está justo sobre nós. O Espírito de Deus está sendo retirado da terra. Quando o anjo da misericórdia dobrar suas asas e partir, Satanás realizará as funestas obras que ele há tanto tempo tem desejado. Tormenta e tempestade, guerra e sangue, nestas coisas ele tem deleite, e assim ele colhe em sua colheita. E os homens serão de tal forma enganados por Satanás que eles declararão que estas calamidades são resultantes da profanação do primeiro dia da semana.” Ellen G. White, Review and Herald, 17 de Setembro, 1901.
 
           
 
Qual seria a funesta obra que ele há tanto tempo tem desejado? Tormenta, tempestade, guerra e sangue. Satanás espera ansioso pelo momento de fazer o que ele mais gosta, destruir, atormentar, e é isso exatamente o que as trombetas anunciam.

 
“Quatro poderosos anjos estão ainda segurando os quatro ventos da terra... impedindo o terrível poder de Satanás de ser exercido em sua fúria até que os servos de Deus sejam selados em suas frontes.” Ellen G. White, My Life Today, 308.

 
Satanás fala aos seus anjos: “Mas nossa principal preocupação é silenciar esta seita de observadores do sábado. Devemos exercitar contra eles a indignação popular. Alistaremos ao nosso lado grandes homens e homens sábios segundo o mundo, e induziremos aos que estão em nossa autoridade a executar os nossos propósitos. Então o sábado que eu estabeleci será forçado pelas leis mais severas e obrigatórias. Os que as desrespeitarem, serão tocados das cidades e vilas e levados a passar fome e privação. Uma vez que tenhamos o poder, mostraremos o que podemos fazer com os que não se desviam de sua fidelidade a Deus. Levamos a igreja romana a infligir prisão, torturas e a morte àqueles que recusavam seguir aos seus decretos; e agora que estamos pondo as igrejas protestantes e o mundo em harmonia com esse braço direito de nossa força, finalmente teremos uma lei para exterminar a todos os que não se submeterem à nossa autoridade. Quando se fizer da morte a penalidade da violação do nosso sábado, então muitos dos que agora estão nas fileiras dos observadores dos mandamentos, passarão para o nosso lado.” Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, 473.

 
É Satanás quem lança os habitantes da terra na última e grande angústia. “Satanás mergulhará então os habitantes da Terra em uma grande angústia final.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 614.

É Satanás quem instiga os ímpios para destruirem o povo de Deus no tempo da angústia. “Assim como Satanás influenciou Esaú a marchar contra Jacó, instigará os ímpios a destruírem o povo de Deus no tempo de angústia.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 618.

 
O soar das trombetas, tanto no Antigo Testamento como no Novo, é sinônimo de advertência. Advertência para quem? Advertência para o povo de Deus acerca de tudo que Satanás fará para conseguir o Decreto de Morte. É um curso de ação já pré-determinado por Deus limitando e direcionando a ação satânica. Deus nunca esteve e nunca estará fora do controle do universo. Ele é o Soberano! A importância dos eventos que ocorrerão após o fechamento da porta da graça dá-se ao fato de que, o povo de Deus estará vivendo neste tempo, à vista de um  Deus santo, porém, sem um intercessor no Céu. A Chuva Serôdia do Espírito Santo preparou o povo de Deus para esse tempo. Parte dessa preparação inclui a compreensão do que sejam as Sete Trombetas.  
 

 
Devemos lembrar que os blocos proféticos encontrados noApocalipse, as Sete Igrejas, os Sete Selos, as Sete Trombetas e as Sete Pragas, foram dados em sua ordem; são seqüenciais e progressivos; eles vão avançando no tempo. Essa progressão também é vista nos blocos proféticos de Daniel.

Daniel 2 avança até o ano 476 d.C. (Dan. 2:41-43);

 
Daniel 7 avança até o ano 1798 (Dan. 7:25);

 
Daniel 8 e 9 avançam até o ano 1844 (Dan. 8:14);

 
Daniel 10 a 12, principalmente o capítulo 11, o último bloco profético alcança o Decreto Dominical, que é aImposição da “abominação desoladora” (Dan. 11:31; 12:11); a queda papal no final dos 1260 dias (Dan. 11:45; Apoc. 13:5; 17:16); e continua avançando até a ressurreição especial que inclui os justos que morreram de 1844 em diante e os ímpios que participaram da crucifixão de Jesus. A data que a profecia sugere para essa ressurreição especial é o final dos 1290 dias (Dan. 12:2; Apoc. 1:7; Dan. 12:11);

 
Chega então o final dos 1335 dias (Dan. 12:12) quando os bem-aventurados, os salvos vivos que nunca conhecerama morte, juntamente com os santos que ressuscitaram já glorificados na ressurreição especial, ouvirão o Concerto de Paz sendo anunciado pela voz de Deus, e verão a Lei de Deus estampada no Céu. Este é o momento em que Deus revelará o Seu segredo (Apoc. 10:7), declarando o Dia e a Hora da Volta de Jesus.

 
Considerando que os livros de Daniel e Apocalipse são um só livro, sendo Daniel a parte selada e o Apocalipse a parte revelada, assim também devemos esperar ver no Apocalipse a mesma ordem progressiva de eventos. De fato, as Sete Igrejas se estendem por séculos, sendo que a última igreja, Laodicéia se estende de 1844 até a volta de Jesus. Os Sete Selos começaram a ser abertos em 1844 no período de Laodicéia, a Era do Juízo. As Sete Trombetas começarão a ser tocadas depois da abertura do Sétimo Selo; e as Sete Pragas começarão a ser derramadas depois do soar da Sétima Trombeta; e a Sétima Praga culminará com o aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. “As solenes mensagens que foram dadas, em sua ordem, no Apocalipse, devem ocupar o primeiro lugar no espírito do povo de Deus.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 3, 279.
 A Primeira Trombeta

 
 
“E o primeiro anjo tocou a sua Trombeta, e houve saraiva, e fogo misturado com sangue, e foram lançados na Terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das Árvores, e toda a erva verde foi queimada” (Apoc. 8:7).

 
Após o fechamento da porta da graça os anjos que estavam retendo os quatro ventos soltam-nos e a proibição de danificar a terra e as árvores é removida. Enquanto os anjos estiverem segurando os quatro ventos a terra e as árvores não serão danificadas: “Não danifiqueis a terra nem o mar, nem as árvores até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus” (Apoc. 7:3); mas quando Jesus lançar o incensário sobre a terra “Satanás mergulhará os habitantes da Terra em uma grande angústia final. Ao cessarem os anjos de Deus de conter os ventos impetuosos das paixões humanas, ficarão às soltas todos os elementos de contenda. O mundo inteiro se envolverá em ruína mais terrível do que a que sobreveio a Jerusalém na antiguidade.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 614.                              
 

 
Satanás “estudou os segredos dos laboratórios da Natureza, e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 589.

Embora muitos interpretem a saraiva e o fogo como sendo simbólicos, a Bíblia sugere que são literais. Devemos tomar a Bíblia no sentido literal, a menos que ela mesmo interprete o simbolismo. Ellen G. White interpreta as primeiras quatro pragas de Apoc. 16 como sendo literais Ellen G. White, O Grande Conflito, 628.

e parece coerente e correto entendermos que se as pragas de Apoc. 16 são literais, a contrafação também é literal. A primeira trombeta anuncia juízos sobre a terra tal como a primeira praga de Apoc. 16:2, mas a saraivada da primeira trombeta imita a saraiva da sétima praga de Apoc. 16:21. Observe que não há chuva, mas somente saraiva.

 
Nós podemos entender porque não haverá chuva na primeira trombeta ao examinarmos Apocalipse 11:6

 
“Estes (as duas testemunhas) têm poder para fechar o céu, para que 4 não chova, nos dias da sua profecia.” Ler os comentários em Apoc. 11:6.

 
A história vai se repetir. Elias “pediu que não chovesse, e por três anos e seis meses, não choveu sobre a Terra” (Tiago 5:17), enquanto Jezabel estava reinando sobre Israel. A profecia de Apoc. 11:6 certamente vai se cumprir quando Jezabel espiritual, isto é, Roma Papal, estiver novamente reinando sobre a Terra, a partir do tempo em que o Decreto Dominical se tornar universal. Neste tempo as florestas e árvores estarão extremamente secas por falta de chuva.
 

 
Uma situação muito semelhante é descrita pelo profeta Joel: “Ah! Aquele dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-poderoso. . . A semente apodreceu debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derribados, porque se secou o trigo. Como geme o gado! As manadas de vacas estão confusas porque não teem pasto; também os rebanhos de ovelhas são destruídos. A Ti ó Senhor clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo. Também todos os animais do campo bramam a Ti; porque os rios se secaram e o fogo consumiu os pastos do deserto” (Joel 1:15-20).

 
Ellen G. White aplica este texto de Joel à quarta praga de Apoc. 16:8-9. Ellen G. White, O Grande Conflito, 628.

Satanás inicia sua obra de engano antes do fechamento da porta da graça, antes mesmo que o Decreto Dominical seja aprovado. Ellen G. White diz que Satanás, ou através de seus agentes, ou pessoalmente, ou talvez através de alguma manifestação espírita, aparece como anjo de luz: “O próprio Satanás está convertido segundo a nova ordem de coisas. Ele aparecerá no aspecto de Anjo de Luz. Mediante a agência do espiritismo, operar-se-ão prodígios, os doentes serão curados, e se efetuarão muitas e inegáveis maravilhas.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 588.

 
Essa aparição de Satanás como Anjo de Luz não deve ser confundida com a posterior aparição de Satanás personificando Jesus depois do fechamento da porta da graça. “O inimigo está se preparando para enganar o mundo inteiro através do poder de operar milagres. Ele pretenderá personificar os anjos de luz, e personificar Jesus Cristo.” Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 2, 21.

 
Antes do Decreto Dominical ser imposto o mundo já estará passando por profundas crises, “e então o grande enganador persuadirá os homens de que os que servem a Deus estão motivando esses males... Declarar-se-á que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que este pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta; e que os que apresentam os requisitos do quarto mandamento, destruindo assim a reverência pelo domingo, são perturbadores do povo, impedindo a sua restauração ao favor divino e à prosperidade temporal.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 590.

 
É importante notar que a ausência da prosperidade temporal será atribuída à profanação do domingo. Isso significa que no período que antecede à imposição do Decreto Dominical haverá uma crise financeira; “governantes e legisladores, a fim de conseguir o favor público, cederão ao pedido popular de uma lei que imponha a observância do domingo.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 592.

 
 
Existe uma seqüência no curso de ação seguido por Satanás. Primeiramente ele, através dos seus agentes ou pessoalmente, aparece como Anjo de Luz, então o Decreto Dominical é aprovado como resultado da pressão feita sobre os legisladores.

 
Assim Satanás cumpre com o primeiro estágio dos seus ataques, a imposição do Decreto Dominical; mas após o echamento da porta da graça ele obtém domínio completo sobre os impenitentes e afligirá toda a terra segundo Deus permitir, ou melhor, conforme o curso de ação já delineado nas Sete Trombetas.

 
Mesmo quando Satanás obtém domínio completo e começa a afligir a terra e os seus habitantes ele está sob o domínio Daquele que é Soberano de todo o universo. Satanás só age dentro dos limites pré-estabelecidos por Deus. As Sete Trombetas revelam exatamente esses limites. A expressão “terça parte” é repetida muitas vezes na profecia das Sete Trombetas:

 
“a terça parte das árvores” (Apoc. 8:7);

 
“a terça parte do mar” (Apoc. 8:8);

 
“a terça parte dos rios” (Apoc. 8:10);

 
“a terça parte do sol, a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse” (Apoc. 8:12);

 
a fim de matarem a terça dos homens” (Apoc. 9:15, 18).

 
Deus limita o curso de ação de Satanás. Desde sua rebelião no Céu, Satanás ficou conhecido como o anjo da “terça parte”, pois ele conseguiu apagar e escurecer a “terça parte” das estrelas do céu (Apoc. 12:4). Se não fossem os limites colocados por Deus, Satanás destruiria a Terra toda, e teria o maior prazer em frustrar o maior de todos os acontecimentos planejados por Deus, a segunda vinda de Jesus em glória e majestade; seria prazer de Satanás destruir tudo e todos os ímpios para que quando Jesus viesse não encontrasse nada. Mas não será assim. Deus impõe limites a Satanás.

 
Satanás não quer ser visto como o originador dos eventos anunciados nas trombetas. “Por tal forma ele se ocultou de ser visto, que muitos quase que não acreditam em sua existência...” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 105.

 
Ele contrafaz as pragas numa tentativa de esconder o fato de que ele é o originador da destruição. Ele sempre lançou em Deus a culpa, ou apontou Deus como sendo o originador da dor e do sofrimento, e agora no final não será diferente. Muitos têm ouvido falar bastante sobre as Sete Pragas que Deus enviará sobre a terra, e por isso ele tenta imitar o mais próximo possível as pragas, para que pareça ao mundo que a destruição revelada nas trombetas tem origem em Deus, e que sejam confundidas com as pragas. Quando chegar o momento da última contrafação, Satanás personificando Jesus e andando sobre a Terra, fazendo o mundo crer que ele é Jesus, convencerá então o mundo de que os juízos destrutivos anunciados nas trombetas estão vindo da parte de Deus.

 
É bastante evidente a diferença entre a saraiva e fogo da primeira trombeta e as chagas malignas da primeira praga (Apoc. 16:2). Por que essa diferença? Se Satanás está tentando contrafazer as pragas, não poderia ele imitar também as chagas malignas? Se Deus o permitisse, ele poderia, mas considerando que a primeira praga cai sobre os que “têm o sinal da besta e que adoravam a sua imagem” (Apoc. 16:2), este então é um sinal distintivo que identifica os adoradores da besta, e Deus não permitiria que tal praga caisse sobre os Seus filhos, e Satanás, por sua vez, não tem interesse em identificar os seus seguidores como adoradores da besta. Isto não o ajudaria a cumprir o seu intento.

 
O sofrimento infligido por Satanás através das trombetas tem como objetivo despertar o ódio do mundo contra os guardadores do sábado. Ele confirmará que realmente todos os sofrimentos e destruição foram causados, não pelos pecados do povo, mas por causa da profanação do domingo, pelos guardadores do sábado, e a única solução será banir da face da terra os guardadores do sábado, através de um Decreto de Morte. Os juízos anunciados nas trombetas são usados por Satanás como uma estratégia para conseguir a aprovação do Decreto de Morte contra o povo de Deus.
 
 
 A Segunda Trombeta

“E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar.
 
E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça das naus” (Apoc. 8:8-9).
 
Esta contrafação se aproxima bastante da segunda praga que é derramada sobre o mar. “E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente” (Apoc. 16:3). Satanás “estudou os segredos dos laboratórios da natureza, e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 589.
 
 
                                                         
 A Terceira Trombeta

“E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.

 
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornouse em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas” (Apoc. 8:10-11).

 
Quem é a grande estrela que caiu do Céu? A Bíblia diz que “a terça parte das estrelas do céu” (Apoc. 12:4) foram lançadas sobre a terra, isto é, a terça parte dos anjos do Céu foram expulsos junto com Lúcifer. Mas a terceira trombeta é específica quando identifica a estrela como sendo a grande estrela que caiu do Céu, a saber, o próprio Satanás. Em Isaías 14:12 o nome de Lúcifer vem de uma palavra hebraica que significa “aquele que brilha.” Na septuaginta a palavra usada significa “estrela da manhã.”

 
Satanás, obviamente, é a grande estrela caída do céu. Em Lucas 10:18 Jesus diz: “Eu via Satanás cair como um raio do céu.”
 

 
A expressão muitas vezes repetida “terça parte”, também é um forte indicador de que o causador dos juízos destruidores é Satanás. Um nome lhe é dado: Absinto, nome que expressa perfeitamente a amargura não só das águas mas também a amargura da própria vida humana desde que o pecado aqui entrou. Absinto é um símbolo do mal no Antigo Testamento (Deut. 29:18). A verdadeira natureza de Satanás também aparece ao fazer com que a “terça parte das águas” fiquem amargas; esta é uma contrafação da terceira praga (Apoc. 16:4) onde as águas dos rios se tornarão em sangue.
 A Quarta Trombeta

 
 
“E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite” (Apoc. 8:12).

 
Essa trombeta anuncia uma escuridão parcial cobrindo a terra. É uma imitação da quinta praga (Apoc. 16:10-11). Satanás continua a pressionar os impenitentes e a todos os governos da terra no sentido de conseguir deles a aprovação de um Decreto de Morte contra os guardadores do sábado. “Assim como Satanás influenciou Esaú a marchar contra Jacó, instigará os ímpios a destruírem o povo de Deus no tempo de angústia... Conta com as multidões do mundo como seus súditos; mas o pequeno grupo que guarda os mandamentos de Deus, está resistindo a sua supremacia.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 618.

 
Até aqui Satanás ainda não conseguiu cumprir seu intento, a aprovação de um Decreto de Morte contra o povo de Deus, assim ele lança mão dos “três ais,” as três últimas trombetas, pressionando os que são seus para a realização do seu intento final.

 
“E olhei, e ouvi um anjo (do grego aetos, cuja tradução correta seria águia ou abutre) voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! Ai! Dos que habitam sobre a terra! Por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar” (Apoc. 8:13).

 
O Apocalipse fala de três diferentes bestas: a besta que subiu do mar (Apoc. 13:1), a besta que subiu da terra (Apoc. 13:11), e a besta que subiu do abismo (Apoc. 11:7; 17:8). Os “três ais” podem ser aplicados a estes três diferentes poderes.
 
                                                         
 

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