Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 06 - Estudos Bíblicos Adventistas

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 06

Biblioteca > Livros > Samuel Ramos > Revelações do Apocalipse > Revelações do Apocalipse - livro 01
Revelações do Apocalipse - Livro nº 01
Os Sete Selos e o Juízo Pré-Advento

“E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer” (Apoc. 6:1-2).
 
No esforço de entender melhor essa profecia apresentamos aqui uma interpretação que, embora seja diferente da interpretação histórica, é essencialmente bíblica e apoiada pelo Espírito de Profecia, e por isso deve ser analisada com muita oração.
 
A Bíblia é a mais segura intérprete de si mesma. Na linguagem bíblica, o Selo do Deus Vivo tem a ver com o selamento do povo de Deus, enquanto que o Selo da Besta diz respeito ao selamento dos ímpios. Na Bíblia, portanto, selamento tem a ver com o Juízo pré-advento. Os Sete Selos também devem ser vistos como sendo o processo do Selamento, que ocorre no período do Juízo Investigativo. Uma forte evidência de que os Sete Selos devem ser entendidos no contexto do juízo é o fato de que:
 
O Quinto Selo (Apoc. 6:9-11) fala de juízo, e o clamor pelo juízo é feito por uma classe especial de salvos, chamados de mártires.                    
 
O Sexto Selo fala especificamente do selamento de uma outra classe especial de salvos, os 144.000 (Apoc. 7:3-4).
 
E o Sétimo Selo revela o fim do juízo, o tempo em que ocorrerá o fechamento da porta da graça, (Apoc. 8:1-5), quando Jesus, o Anjo do Concerto lançar o incensário sobre a terra.  
 
Se os três últimos selos estão vinculados ao juízo pré-advento que iniciou em 1844, seria coerente entender que os primeiros quatro selos também estão relacionados ao juízo. Deus é constante, e revela uma linha profética coerente.  
 
As Sete Igrejas destacam-se, incontestavelmente, como uma revelação dos sete períodos históricos do cristianismo, porém, os Sete Selos usam diferentes símbolos que dificilmente correspondem aos períodos históricos da igreja. Por que só quatro cavalos e não sete? Como Deus é constante, Ele usa um padrão profético também constante e consistente que não tem a finalidade de confundir Seu povo. Deus não usaria os três últimos selos para falar do Juízo Celestial, se os quatro primeiros também não estivessem no contexto do juízo. Todos os selos são abertos pelo Leão de Judá, e todos os selos são abertos no Santíssimo do Santuário Celestial, a partir do ano 1844, quando Jesus entrou no Santíssimo para receber o livro selado. Se os selos são abertos no Santíssimo, e especificamente na Era do Juízo, forçosamente eles precisam se relacionar com o Juízo.  

Na Lição da Escola Sabatina, segundo trimestre de 1989, o autor comenta:
 
“A mensagem do cavalo branco está sendo apresentada hoje em dia?  Em caso afirmativo, qual é essa mensagem?”, então ele mesmo responde, “A mensagem do primeiro anjo (Apoc. 14:6 e7);” Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 86, 87. e a mensagem do primeiro anjo é a do Juízo Celestial.   
 
Deus, ao revelar ao profeta a história da Sua igreja, usou símbolos que eram familiares a João, mas unicamente a Bíblia pode interpretar os símbolos proféticos. Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 86, 87. É a Bíblia quem interpreta os símbolos proféticos. É a Bíblia que diz que: “águas” simbolizam povos e multidões (Apoc. 17:15); “terra” simboliza o oposto de água, uma região despovoada, não habitada (Apoc. 12:16;13:11); “estrelas” simbolizam anjos (Apoc. 1:20); “mulher” simboliza igreja (II Cor. 11:2); “animais ou bestas” simbolizam reinos e poderes (Daniel 7:17); “chifres” simbolizam reis (Daniel 7:24); “ventos” simbolizam guerras e destruição (Jer. 49:36-37); “dia” significa ano (Eze. 4:6); “dragão” simboliza satanás (Apoc. 12:9); “sete castiçais” simbolizam as sete igrejas (Apoc. 1:20); “abismo” simboliza a terra sem forma e vazia (Gen. 1:2); “anjo do abismo” simboliza o anjo que foi lançado para a Terra quando ela era sem forma e vazia (Isa. 14:15; Apoc. 12:9); “selo” simboliza selamento, a Bíblia fala do selo de Deus e do selo da besta (Apoc. 7:2-3; 13:16-18); “sete selos” simbolizam todo o processo de Selamento começando primeiro com os mortos e depois os vivos (Apoc. 6:1- 8:5). Em parte alguma a Bíblia interpreta “selo” como sendo história da igreja. O símbolo bíblico para as sete igrejas são os sete castiçais.

Sobre os Sete Castiçais Deus disse: “os sete castiçais que viste são as sete igrejas” (Apoc. 1:20). No caso dos Sete Selos, Deus também usou uma linguagem familiar ao profeta. João tinha conhecimento do Selo do Deus Vivo (Eze. 20:12, 20; Exo. 31:13-17) e também conhecia o símbolo dos quatro cavalos usados nos primeiros quatro selos. João conhecia o livro de Zacarias, e o Espírito Santo o orientou a fazer uso da mesma linguagem de Zacarias.  É fácil perceber a similaridade entre  os dois profetas:

• Zac. 2:1-2 “Tornei a levantar os meus olhos, e olhei, e vi um homem em cuja mão estava um cordel de medir.  E eu disse: Para onde vais tu?  E ele me disse: Medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento.”  

 
Apoc. 11:1 “E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo e disse: Levanta-te e mede o templo de Deus, e o altar e os que nele adoram.”
 
Zac. 4:2-3 “E me disse: Que vês?  E eu disse: Olho, e eis um castiçal todo de ouro, e sete lâmpadas; e cada lâmpada posta no cimo tinha sete canudos.  E, por cima dele, duas Oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda.”
 
Apoc. 11:4 “Estas são as duas Oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra.”
 
Zac. 3:9; 4:10 “Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos...” “Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas?  Pois esses se alegrarão vendo o prumo na mão de Zorobabel; os sete olhos do Senhor, que discorrem por toda a terra.”
 
Apoc. 5:6 “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra.”
 
Zac. 1:8-10; 6:2-5 “Olhei de noite, e vi um homem montado num cavalo vermelho, e parava entre as murtas que estavam na profundeza, e atrás dele estavam cavalos vermelhos, morenos e brancos.” “No primeiro carro eram os cavalos vermelhos, e no segundo carro cavalos pretos, e no terceiro carro cavalos brancos, e no quarto carro cavalos grisalhos fortes.”
 
Apoc. 6:2-8 “E olhei, e eis um cavalo branco... E saiu outro cavalo vermelho... E olhei e eis um cavalo preto... E olhei e eis um cavalo amarelo.”
 
Ellen G. White declara que Ageu e Zacarias são os dois profetas da restauração do templo do Antigo Testamento. “As mensagens dadas por Ageu e Zacarias despertaram o povo no sentido de fazer todo o esforço possível para a reconstrução do templo.” Ellen G. White, Profetas e Reis, 578.

As profecias de Zacarias tinham, sem dúvida, aplicação, tanto ao Santuário Terrestre como ao Celestial.Haja vista, a experiência do sumo sacerdote Josué e o Anjo, relatada em Zac. 3:1-8.Essa experiência é aplicada à experiência do povo de Deus no remate do grande Dia da Expiação.
 
“A visão de Zacarias, relativa a Josué e ao Anjo, aplica-se com força particular à experiência do povo de Deus no remate do grande dia da expiação... As imaculadas vestes da justiça de Cristo são colocadas sobre os provados, tentados mas fiéis filhos de Deus... Seus nomes são retidos no Livro da Vida, do Cordeiro... Agora atingem cumprimento completo aquelas palavras do Anjo: 'Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos; eis que Eu farei vir o Meu Servo, o Renovo.' Cristo é revelado como o Redentor e Libertador de Seu povo.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 175, 178, 179.
 
Zacarias capítulo dez fala da Chuva Serôdia, e Ellen G. White relaciona o derramamento da Chuva Serôdia com o selamento do povo de Deus, o selamento do caráter.
 
“Nenhum de nós jamais receberá o Selo de Deus, enquanto o caráter tiver uma nódoa ou mácula sequer. Cumpre-nos remediar os defeitos de caráter, purificar de toda a contaminação o templo da alma.  Então a Chuva Serôdia cairá sobre nós, como caiu a Temporã sobre os discípulos no dia de Pentecostes... Sentimo-nos ricos e acrescidos de bens, e não sabemos que somos desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus (Apoc. 3:17). Hoje é o tempo de atender-se à admoestação da Testemunha Verdadeira: 'Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas' (Apoc. 3:18).” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 69.
 
Ellen G. White apresenta a mensagem dirigida à igreja de Laodicéia no contexto do Juízo pré-advento, relacionada com a experiência do sumo sacerdote Josué relatada em Zacarias.  Zacarias é realmente o profeta da restauração do templo, e suas mensagens tem aplicação especial ao tempo em que o Santuário Celestial seria restaurado através da mensagem do juízo. Essa é a razão porque o profeta João usa tanto a linguagem de Zacarias.
 
Em Zac. 10:1, 3 Deus fala do Seu povo no contexto da Chuva Serôdia, no contexto do juízo, usando o simbolismo de um cavalo de glória na batalha.  1 Ibidem., 69.
 
“Pedi ao Senhor chuva no tempo das Chuvas Serôdias; ao Senhor, que faz as nuvens de chuva, dá aos homens aguaceiro e a cada um erva no campo... Contra os pastores se acendeu a minha ira, e castigarei os bodes-guias; mas o Senhor dos Exércitos tomará a seu cuidado o rebanho, a casa de Judá, e fará desta o Seu cavalo de glória na batalha.”
 
Aqui o cavalo de glória é simbolo do povo de Deus. A Bíblia é a única intérprete de si mesma. Em outras partes de Zacarias novamente o mesmo simbolismo é usado.  
 
Outro profeta do Antigo Testamento que interpreta cavalo como símbolo de povo ou pessoas, no contexto do juízo, é Joel:
 
“Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte, perturbem-se todos os moradores da terra, porque o Dia do Senhor vem, já está próximo; dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão! Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. À frente dele vai fogo devorador, atrás, chama que abrasa; diante dele, a terra é como o Jardim do Éden; mas, atrás dele, um deserto assolado.  Nada lhe escapará. A sua aparência é como a de cavalos; e, como cavaleiros, assim correm... Diante deles, treme a terra, e os céus se abalam; o sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor.  
 
O Senhor levanta a voz diante do Seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque é poderoso quem executa as Suas ordens; sim, grande é o dia do Senhor e mui terrível! Quem o poderá suportar?” (Joel 2:1-4, 10, 11).
           
 
Ao  lerem esses textos de Joel, a atenção dos filhos de Deus é chamada para Apoc. 6:12, 13 onde Deus está falando da terra que treme, do sol e da lua que escurecem, e das estrelas que caem; o texto mais forte é o de Joel 2:11 quando comparado com Apoc. 6:17 ;
 
“sim, grande é o Dia do Senhor e mui terrível! Quem o poderá suportar?” “Porque é vindo o grande Dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?” Joel e João estão falando do mesmo acontecimento, o grande Dia do Juízo, quem poderá subsistir ao juízo? Essa pergunta é respondida em Apoc. 7:1-4 falando dos 144.000, as Primícias dos Salvos Vivos, e então em Apoc. 7:9, 13-15, Deus mostra a Seara dos Salvos Vivos, a grande multidão; ambos, as Primícias e a grande Seara, passarão pelo tempo de angústia qual nunca houve (Mat. 24:21, 22; Daniel 12:1; Apoc. 7:14); ambos subsistirão o grande Dia do Juízo, e permanecerão em pé na presença do Filho do homem.
 
Tanto Joel como Zacarias falam do povo de Deus comparado a cavalos, dentro do contexto do Juízo. Essa é a mesma linguagem usada por Deus nos quatro primeiros Selos ao descerrar diante de João o roteiro do juízo pré-advento. Os cavalos de Apoc. 6 devem ser vistos como símbolos de pessoas, ou diferentes grupos de pessoas que no juízo serão confirmadas realmente como povo de Deus, enquanto que outros serão envergonhados e desmascarados, provando não serem povo de Deus, embora insistam em ostentar o nome de Cristo.  

 
Há outras referências na Bíblia onde os cavalos são usados como símbolo de mensageiros angélicos. Erwin R. Gane faz uma aplicação dos três primeiros cavalos: branco, vermelho, e preto, relacionando-os com as Três Mensagens Angélicas. Erwin R. Gane, Revelation Reconsidered, vol. 1, 148.

Com efeito, as Três Mensagens Angélicas são aplicadas a três diferentes classes de pessoas:

• a primeira aplica-se ao povo de Deus

• a segunda às igrejas protestantes caídas
 
e a terceira à igreja católica.  
 
Vemos essa mesma linha de interpretação sugerida na Lição da Escola Sabatina:
 
A mensagem do Cavalo Branco corresponde à mensagem do primeiro anjo de Apoc. 14:6 e 7.
 
O Cavalo Vermelho alguns vêem certa semelhança na mensagem do Cavalo Vermelho com a mensagem do segundo anjo.
 
O Cavalo Preto nos últimos momentos do tempo, todos serão pesados na balança de Deus. Alguns receberão o selo de Deus. Estes não receberão o sinal ou a marca da besta de que fala a mensagem do terceiro anjo de Apocalipse 14.
 
O Cavalo Amarelo para quem está reservada a morte e o inferno (Apoc. 6:8) no quarto selo? O Alto Clamor de Apoc. 18:1-8 ocorre pouco antes do fim do tempo da graça e do derramento das sete últimas pragas. Os que não atenderem ao último apelo de Deus terão de enfrentar então os resultados de sua apostasia. Joseph J. Battistone, Lição da Escola Sabatina, primeira parte, segundo trimestre, 1989, 86-88.
 
A declaração de Ellen G. White no livro Parábolas de Jesus, página 294, realmente confirma que o livro selado com os Sete Selos contém o nome de pessoas que pretendem pertencer ao povo de Deus, mas que por ocasião da abertura dos selos, no juízo pré-advento, serão achados trabalhando para Satanás.
 
“Ao lavar Pilatos as mãos dizendo: 'Estou inocente do sangue deste Justo,' os sacerdotes uniram-se à apaixonada declaração da turba ignorante: 'O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.' Deste modo, os guias fizeram a escolha. Sua decisão foi registrada no livro que João viu na mão Daquele que estava assentado no trono, no livro que ninguém podia abrir. Esta decisão lhes será apresentada em todo o seu caráter reivindicativo naquele dia em que o livro há de ser desselado pelo Leão da tribo de Judá.” Ellen G. White, Parábolas de Jesus, 294.
 
Se os selos fossem uma repetição histórica dos sete períodos da igreja qualquer ser angelical poderia ser escolhido para abrilos; ou então o próprio Pai teria tal autoridade. Se as sete cartas contando a história das Sete Igrejas não foram seladas num livro, por que o seria agora nesta parte do Apocalipse?
 
Porém, se os Sete Selos se relacionam com o Juízo Celestial, e se eles têm a ver com a reivindicação do caráter de Deus diante de todo o universo, então justifica a seriedade e solenidade dos eventos registrados em Apocalipse cinco, onde diz que o LeãoCordeiro é o Único digno de abrir os selos, e isto porque Deus o Pai O constituiu Juiz de toda a Terra, porque Ele é o Filho do homem (João 5:22, 27). Ele é o Único que pode revelar os nomes daqueles que Nele crêem, pois eles são aperfeiçoados e selados pelo Seu sangue. De fato, existe algo especial e sagrado relacionado a cada Selo, algo que faz de Jesus o Único qualificado para revelar o seu conteúdo.
O Primeiro Selo

“E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um Arco; e foi-Lhe dada uma Coroa, e saiu Vitorioso, e para Vencer” (Apoc. 6:2).
 
Os quatro primeiros selos são anunciados separadamente por cada um dos quatro seres viventes. Os seres viventes estão intimamente envolvidos na cerimônia de abertura do juízo (Apoc. 5) e no processo desse mesmo juízo (Apoc. 6:1-8). O primeiro ser vivente, semelhante ao Leão, nuncia a mensagem do primeiro selo, o cavalo branco. O Leão simboliza Judá, a tribo escolhida, a quem foi feita a promessa do Messias. Em Apoc. :11-13 o profeta tem uma outra visão onde aparece o mesmo cavalo branco, sendo montado pelo mesmo Cavaleiro.
 
“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-Se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os Seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a Sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão Ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual Se chama é a Palavra de Deus” (Apoc. 19:11-13).  

 
A revelação profética é bastante convincente, mostrando que Jesus é o Cavaleiro do cavalo branco, Ele é o próprio Leão da tribo de Judá que “julga e peleja com justiça”.                  
 
“O Príncipe da nossa salvação estava dirigindo a batalha, e enviando reforços para Seus soldados... Ele lhes ensinou coisas terríveis em justiça, enquanto passo a passo os guiava, vencendo e para vencer.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 3, 224.

 
É notável a consistência do simbolismo do cavalo branco representando uma classe de pessoas, os fiéis servos de Deus, liderados pelo Cavaleiro Jesus, que saiu vencendo e para vencer.  
 
O cavalo branco portanto, representa o povo de Deus; o primeiro selo aplica-se àqueles que são seguidores de Jesus; como Pedro escreveu, o juízo começa pela casa de Deus:
 
“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?”  (I Ped. 4:17).
 
A coroa mencionada em Apoc. 6:2 cumpre a profecia de Zacarias com relação ao sacerdócio de Jesus. “Recebe, digo, prata e ouro, e faze coroas, e põe-nas na cabeça de Josué, filho de Jeozadaque, sumo sacerdote.  E fala-lhe, dizendo: Assim fala e diz o Senhor dos Exércitos: Eis aqui o Homem cujo nome é Renovo; Ele brotará do seu lugar, e edificará o Templo do Senhor.  Ele mesmo edificará o Templo do Senhor, e levará a glória, e assentar-Se-á, e dominará no Seu trono, e será Sacerdote no Seu trono . . .” (Zac. 6:11-13).
 
“A restauração do Santuário Celestial, a edificação do Templo do Senhor profetizada por Zacarias começou em 1844.  A coroa dada a Jesus em Apoc. 6:2 no primeiro selo é o sinal de mudança em Seu ministério, quando Ele entra no Santíssimo para edificar o Templo, ou restaurar o Santuário à sua posição de direito (Dan. 8:14).” Robert Hauser, Give Glory to Him, 42.
 
“Se a premissa de que o Apocalipse é uma história sobre Jesus e Seu ministério no Santuário, a abertura do primeiro selo marca um importante ponto de transição. A colocação da coroa é evidência de que Jesus muda Sua vestimenta no momento representado em Apoc. 6:1. Esta é uma parte essencial da cena introduzida aqui, quando Ele começa a abrir os selos no Santíssimo. Jesus foi introduzido em Apoc. 1:13 com o vestuário para o ministério no lugar Santo.  Em Apoc. 4:1 Ele convida João para entrar no Santuário enquanto ainda está usando o mesmo traje... Jesus é introduzido em Apoc. 1:13 no traje Sumo Sacerdotal para Seu ministério no lugar Santo. Ele não muda sua vestimenta até começar o ministério no Santíssimo, quando Ele abre o primeiro selo em Apoc. 6:1.  A coroação é uma evidência dessa mudança.” Robert Hauser, Give Glory to Him, 42.
 
Ellen G. White teve uma visão desse momento de mudança no ministério de Jesus; Jesus estava Se preparando para iniciar o juízo, Ele Se vestiu com preciosas vestes e tinha na cabeça uma coroa:  
 
“Foi-me mostrado o que teve lugar no Céu, no final do período profético, em 1844. Terminando Jesus Seu ministério no lugar Santo, e fechando a porta daquele compartimento, grande treva baixou sobre aqueles que tinham ouvido e rejeitado as mensagens de Sua vinda; e O perderam de vista. Jesus então envergou vestes preciosas. Em redor da parte inferior de Sua veste havia, em alternada sucessão, uma campainha e uma romã.  Um peitoral de confecção curiosa estava suspenso de Seus ombros. Movendo-Se Ele, luzia como diamantes, avolumando letras que pareciam semelhantes a nomes escritos ou gravados no peitoral. Sobre a cabeça trazia algo que tinha a aparência de uma coroa. Quando ficou completamente ataviado, achou-Se rodeado pelos anjos, e em um carro chamejante passou para dentro do segundo véu.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 251.
 
Ellen G. White teve, em 1879, uma visão sobre o juízo préadvento, em que ela viu muitos livros, e ela descreve a abertura do primeiro livro que se harmoniza com as cenas do primeiro selo:
 
“Parecia haver chegado o grande dia da execução do juízo de Deus. Dez milhares vezes dez milhares achavam-se reunidos diante de um grande trono, sobre o qual estava sentada uma pessoa de aparência majestosa. Vários livros achavam-se diante Dele, e na capa de cada um estava escrito em letras de ouro, que pareciam como chama ardente: 'Conta-corrente do Céu.' Foi, então, aberto um desses livros, contendo os nomes dos que professam crer na verdade. Perdi imediatamente de vista os inúmeros milhões que se achavam em redor do trono, e unicamente os que eram professos filhos da luz e da verdade me prenderam a atenção. Ao serem nomeadas essas pessoas, uma a uma, e mencionadas as suas boas ações, sua fisionomia iluminava-se de santa alegria que se refletia em todas as direções.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 518.
 
As cenas que vem do quinto capítulo e introduz a abertura do primeiro selo em Apoc. 6:1-2 harmonizam-se com as cenas relatadas por Ellen G. White. O ponto de transição no ministério de Jesus, ocorre exatamente em Apoc. 5:7 quando Jesus, “no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos . . . veio e tomou o livro da dextra do que estava assentado no trono” (Apoc. 5:6-7). E Jesus “rodeado pelos anjos, e em um carro chamejante, passou para dentro do segundo véu.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 251.

Na visão dada a João, Jesus entrou no Santíssimo sentado num trono rodeado pelos quatro querubins e pelos vinte e quatro anciãos enquanto que na visão dada a Ellen G. White Jesus estava rodeado pelos anjos, e em um carro chamejante quando entrou para dentro do Santíssimo. É evidente que ambos estão falando do mesmo evento.
 
Apoc. 6:1 dá uma informação adicional, a “voz como de trovão.” No Apocalipse, as vozes de trovão e relâmpagos simbolizam importantes anúncios relacionados com o ministério de Jesus no Santuário. Os seres viventes, ou criaturas viventes ao redor do trono, estão diretamente envolvidas nas cenas do juízo do capítulo seis. Quando a primeira criatura fala, soa como trovão porque existe uma relação com o juízo no Santuário. Cenas similares podem ser vistas na experiência do Sinai, quando Deus deu a Lei, a norma do juízo. “Então se ouviu um som como de trombeta, convocando o povo para encontrarse com Deus; e Moisés guiou-os ao pé da montanha. Da espessa treva chamejavam vívidos relâmpagos, enquanto os ribombos do trovão ecoavam e tornavam a ecoar por entre as culminâncias circunvizinhas.” Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 310.
 
Há um notável paralelo entre as Três Mensagens Angélicas e os três primeiros selos. É impossível não se perceber essa similaridade entre os três primeiros selos e os três anjos de Apoc. 14. Esta não é uma afirmação dogmática, mas somente um lembrete para examinar com atenção tal particularidade. Mas, alguém perguntará: e o que falar do quarto anjo? A mensagem apocalíptica também fala de um quarto anjo (Apoc. 18) com uma poderosa mensagem de juízo. Enquanto o rompimento dos selos revela os que serão julgados no juízo pré-advento, cada um por sua ordem, a mensagem dos três anjos revela o conteúdo das mensagens que deveriam ser proclamadas despertando e preparando o mundo para o tempo do juízo. Os selos destacam o roteiro do juízo no céu e as mensagens angélicas destacam a proclamação do juízo na terra. Um focaliza o Céu e a outro a Terra, mas ambos se relacionam com o Juízo Celestial.    
 
O primeiro selo mostra que o juízo começa pelo povo de Deus, representado pelo cavalo branco, cujo Cavaleiro é Jesus.  Patriarcas e Profetas, 310. O primeiro anjo proclama essa mensagem: “É chegada a hora do juízo” (Apoc. 14:7). A missão de proclamar essa mensagem foi dada ao remanescente de Deus.  
 
“Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creram em Jesus.  Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos. Todo nome é mencionado, cada caso minuciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 483.
 
O juízo segue uma ordem tal como está revelado nos selos.  O cavalo branco e a mensagem do primeiro anjo de Apoc. 14:6-7 se identificam, representando o povo de Deus de todas as eras, os primeiros a serem julgados. O cavaleiro que guia e orienta este povo é Jesus.
O Segundo Selo

“E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada” (Apoc. 6:3-4).
 
O segundo ser vivente, semelhante a um bezerro, símbolo da tribo de Efraim, anuncia a mensagem do segundo selo, o cavalo vermelho.  Efraim foi escolhido por Deus como primogênito no lugar de Manassés, mas Efraim não honrou seu privilégio, abandonou a Deus e voltou-se para a idolatria; tornou-se símbolo da idolatria: “fez-se culpado em Baal, e morreu...” (Ose. 13:1), dele é dito “os homens que sacrificam beijem os bezerros” (Ose. 13:2). Há muita especulação sobre o simbolismo do cavalo vermelho, mas novamente Zacarias  ajuda a entender a natureza da mensagem. Zacarias 1:8 fala de um homem avalgando um cavalo vermelho, e a interpretação é dada nos versos 10 e 11 “são os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra.” O relatório apresentado por eles é: “que a terra está agora tranqüila e em descanso” (Zac. 1:11). Este é um relatório falso porque o profeta Ezequiel diz:  “Assim diz o Senhor Deus: Ai dos profetas loucos que seguem o seu próprio espírito sem nada ter visto! . . .  Visto que andam enganando, sim, enganando o meu povo, dizendo paz, quando não há paz . . .” (Eze. 13:3, 10).        

Em Isaías 63:1-6, a cor vermelha aparece como símbolo de juízo; em Apoc. 12:3 o vermelho está associado ao dragão, e em Apoc. 17:3 o vermelho está associado à besta. O cavalo vermelho representa a classe de cristãos que professa fé em Jesus, professa crer no sangue de Jesus para perdão dos pecados, todavia, são mensageiros falsos, pregam uma mensagem de paz e segurança quando não há paz; aqui estão representados todos os cristãos que aceitam a Jesus como Salvador, mas O rejeitam como Senhor; não se submetem a Ele, recusam-se a obedecer a Seus mandamentos.  

Embora esses cristãos professem ser seguidores de Jesus, não são guiados por Jesus; o cavaleiro não é Jesus, é o próprio Satanás. O símbolo do bezerro é apropriado aqui porque relaciona o grupo do cavalo vermelho com a idolatria; pretendem adorar a Deus, mas, na realidade, entregam-se à idolatria; foram escolhidos como primogênitos para Deus, como Efraim, “Quando Efraim falava tremia-se, foi exalçado em Israel; mas ele fez-se culpado em Baal” (Ose. 13:1);  não honraram o chamado de Deus e morreram.   
 
O cavaleiro do cavalo vermelho é descrito como aquele que “tira a paz da terra, para que os homens se matem uns aos outros, e foi-lhe dada uma grande espada” (Apoc. 6:4).  Em Hebreus 2:14

Deus declara que o diabo é o “que tem o império da morte.”

Pode alguém de sã consciência dizer que esse cavaleiro é Jesus? Seria Jesus aquele que tira a paz da terra para que os homens se matem uns aos outros?  Não. Jesus prometeu: “Deixovos a paz, a minha paz vos dou” (João 14:27).  Jesus disse: “Porque se aproxima o príncipe deste mundo, e (ele) nada tem em Mim” (João 14:30). O príncipe deste mundo é o que tem o império da morte, diferente de Jesus que tem o império do amor e da vida.  Por isso Jesus disse “ele nada tem em Mim.”

Muitos dizem ser Jesus o cavaleiro do cavalo vermelho com a espada da verdade na mão, e argumentam que esta terminologia representa aqueles que estiveram envolvidos no martírio dos cristãos no período da igreja de Esmirna. Mas, se assim fosse, os que derramaram o sangue dos mártires estariam sob o controle de Satanás, porque esse cavaleiro faz com que se matem uns aos outros. Isto não pode se referir aos mártires cristãos da igreja primitiva. O cavaleiro Satanás carrega um símbolo de juízo, uma grande espada, e se apresenta como o líder e guia deste grupo, mas no Juízo Celestial eles serão julgados por Jesus, porque eles professam fé em Jesus.

A segunda mensagem angélica de Apoc. 14 identifica-se com os cristãos do cavalo vermelho, cujo cavaleiro é Satanás; a experiência espiritual deles tem a ver com a adoração do bezerro.  “Rejeitando a advertência do primeiro anjo, desprezaram os meios que o Céu provera para a sua restauração. Desacataram o mensageiro de graça que teria corrigido os males que os separavam de Deus, e com maior avidez volveram à busca da amizade do mundo. Eis aí a causa da terrível condição de mundanismo, apostasia e morte espiritual, que prevalecia nas igrejas em 1844.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 380.

“No capítulo 14 do Apocalipse, o primeiro anjo é seguido por um segundo anjo, que proclama:'Caiu, caiu Babilônia... A mensagem de Apocalipse 14, anunciando a queda de Babilônia, deve aplicar-se às organizações que se corromperam. Visto que esta mensagem se segue à advertência acerca do juízo, deve ser proclamada nos últimos dias; portanto, não se refere apenas à Igreja de Roma, pois que esta igreja tem estado em condição decaída há muitos séculos... A mensagem do segundo anjo de Apocalipse, capítulo 14, foi primeiramente pregada no verão de 1844, e teve naquele tempo uma aplicação mais direta às igrejas dos Estados Unidos, onde a advertência do juízo tinha sido mais amplamente proclamada e em geral rejeitada, e onde a decadência das igrejas mais rápida havia sido. A mensagem do segundo anjo, porém, não alcançou o completo cumprimento em 1844.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 381, 383, 389.

A mensagem do segundo anjo, assim como a mensagem do segundo Selo, aplicam-se mais especificamente às filhas de Babilônia, enquanto que a mensagem do terceiro anjo e a mensagem do terceiro selo aplicam-se diretamente à Igreja Mãe, mãe das prostituições da terra.  

Na visão do Juízo, dada a Ellen G. White em 1879, a abertura do primeiro livro identifica-se com o primeiro selo, contendo o nome dos fiéis filhos de Deus, os primeiros a serem julgados, e em seguida, a visão mostra a abertura de um segundo livro que corresponde ao segundo selo, contendo os pecados dos cristãos nominais:

“Abriu-se um outro livro, no qual se achavam registrados os pecados dos que professam a verdade... À medida que o Santo que estava sobre o trono ia virando lentamente as folhas do contas-correntes e Seus olhos pousavam momentâneamente sobre os indivíduos, esse olhar parecia queimar-lhes até ao íntimo da alma... Em angústia de alma, cada um declara a própria culpa e de maneira terrivelmente vívida vê que, pecando, atirou fora a preciosa dádiva da vida eterna... Foram mencionados os nomes de todos quantos professam a verdade.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 518, 519, 520.

A mensagem do segundo anjo e a mensagem do segundo selo alcançam o seu cumprimento completo quando o quarto anjo de Apocalipse 18 fizer soar a sua poderosa voz na proclamação do Alto Clamor, após o cumprimento da terceira mensagem angélica, a saber, a imposição do Decreto Dominical. Os dois primeiros selos aplicam-se a duas diferentes classes de cristãos que serão avaliados no Juízo Investigativo: os fiéis e obedientes filhos de Deus, e os cristãos nominais presentes em todas as igrejas evangélicas, que seguem as doutrinas e tradições de Babilônia, a Igreja Mãe; por isso tais igrejas são chamadas de filhas de Babilônia.
O Terceiro Selo
 
“E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto; e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho” (Apoc. 6:5-6).
 
A mensagem do terceiro selo é anunciada pelo terceiro ser vivente, que tinha o rosto como de homem. Este era o símbolo na bandeira de Rúben. Rúben, o primogênito, mas que também perdeu os direitos da primogenitura, porque se entregou à prostituição, um símbolo apropriado para a grande Prostituta, a grande Meretriz, com a qual se prostituiram todos os reis da terra (Apoc. 17:2); a igreja que deixou de confiar em Deus para confiar no Homem do Pecado, no Filho da Perdição, “o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”  (II Tess. 2:3, 4); mas ele não é Deus, é simplesmente um homem, chamado de o homem do pecado.  A descrição do que fez Rúben é também uma descrição do que fez a Igreja Mãe (Apoc. 17).                                      

O terceiro cavalo é preto. Aqui o profeta Zacarias novamente ajuda a entender o significado da profecia.  Em Zacarias 6:6 diz: “O carro em que estão os cavalos pretos sai para terra do Norte.” A profecia identifica o cavalo preto com o Norte, cujo rei é identificado em Daniel 11:40-45 como sendo o papado.  Embora Uria Smith tenha identificado o rei do Norte como sendo a Turquia, Uria Smith, Daniel and Revelation, 295.

Tiago White, defendeu a idéia de que o rei do Norte de Daniel 11 só poderia ser Roma papal. Tiago White, Review and Herald, 29/11/1877.
 
Desde o início da Igreja Adventista do Sétimo Dia, alguns dos pioneiros, entre eles, Tiago White, entenderam que o rei do Norte mencionado em Daniel 11, é uma referência ao papado.  Sendo assim, o cavalo preto que é apresentado correndo para a terra do Norte, está relacionado com a Babilônia espiritual, a Igreja Mãe, a Mãe das meretrizes de Apoc. 17:5. Esta é a maior igreja cristã do planeta, pois também professa fé em Jesus, por isso a Igreja de Roma também será julgada no juízo préadvento.  

Tinha uma balança na mão - conquanto o papa pretenda ser o juiz de toda a terra, perdoando os pecados de uns e excomungando e mandando para o inferno outros, Jesus Se apresenta como sendo o Cavaleiro do cavalo preto, o único que tem a balança do juízo nas mãos, o único que pode dizer: “Pesado foste na balança e foste achado em falta” (Dan. 5:27). Daniel e Apocalipse devem ser estudados juntos pois relacionam os mesmos assuntos. Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 117.

Daniel 5 retrata o julgamento da Babilônia literal, enquanto Apoc. 6:5-6 e Apoc. 14:9-11 referem-se à Babilônia espiritual. A linguagem usada por Daniel e João é uma linguagem de juízo. O simbolismo da balança no terceiro selo representa um julgamento justo e misericordioso para com as almas que saem de Babilônia na última hora. Ellen G. White diz que a mensagem do terceiro anjo assinala o momento certo da grande colheita dos sinceros que vêm de Babilônia:
 
“Vi então o terceiro anjo. Disse o meu anjo acompanhante: 'Terrível é sua obra. Tremenda sua missão. Ele é o que deve separar o trigo e o joio, e selar, ou atar, o trigo para o celeiro celestial. Essas coisas devem absorver toda a mente, a atenção toda.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 118.

Este é o ponto central do terceiro selo.
 
“Nessa balança do Santuário serão pesados os membros individuais da igreja cristã; e se seu caráter moral e seu estado espiritual não corresponderem aos benefícios e bênçãos que lhes foram conferidos, serão achados em falta.” Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 450.

“A menos que entremos no Santuário do Céu, e nos unamos com Cristo, com temor e tremor, trabalhando pela nossa salvação, nós seremos pesados nas balanças do Santuário, e achados em falta.” Ellen G. White, Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 933, 934.  

A balança mencionada em Daniel 5:27 e a balança de Apoc. 6:5 foram vistas também por Ellen G. White como sendo as balanças do Santuário. Essa é uma linguagem simbólica, puramente de juízo.
 
Outra forte evidência de que o terceiro selo, o cavalo preto, corresponde à Igreja de Roma, o papado, pode ser encontrada na terceira mensagem angélica de Apoc. 14:9-10. A mensagem do terceiro anjo também se aplica primeiramente à Igreja de Roma, a primeira besta, e em segundo lugar à imagem da besta. A mensagem do terceiro anjo é uma advertência contra os que recebem o sinal da besta, enquanto que a mensagem do terceiro selo contém uma mensagem de advertência para não danificar, nem desprezar o povo sincero e temente a Deus que ainda existe dentro da Igreja de Roma, representados pelo azeite e vinho.  
 
Quando a mensagem do terceiro anjo for proclamada no poder outorgado através da Chuva Serôdia do Espírito Santo, milhares e milhares deixarão a apostasia e se unirão aos que “guardam os mandamentos de Deus e tem a fé de Jesus” (Apoc. 14:12).

Milhares de cristãos que já desceram à sepultura o fizeram como membros da igreja caída, todavia, seguiram a luz recebida e serão julgados no juízo pré-advento, de acordo com a luz que possuiam. Na mensagem do cavalo preto, Jesus, o Cavaleiro, está dizendo: “não danifiquem o azeite e o vinho” (Apoc. 6:6).
 
O azeite e o vinho - o que representam o  azeite e o vinho presentes na igreja caída? A frase “não danifiques o azeite e o vinho” é usada em relação ao trigo e à cevada; representam os conversos da última hora, e esta será a maior de todas as colheitas.  
 
“No capítulo dezoito do Apocalipse, o povo de Deus é convidado a sair de Babilônia.  De acordo com esta passagem, muitos do povo de Deus ainda devem estar em Babilônia. E em que corporações religiosas se encontrará hoje a maior parte dos seguidores de Cristo? Sem dúvida, nas várias igrejas que professam a fé protestante... Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalescentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Cristo encontra-se ainda em sua comunhão.Ellen G. White, O Grande Conflito, 383, 390.
 
Falando sobre o azeite e o vinho mencionados em Apoc. 6:6, Ellen G. White declara:
 
“Para reaver para si o homem e assegurar-lhe a eterna salvação, Cristo abandonou a corte celestial e veio a esta Terra onde por ele padeceu ignomínia, morrendo para libertá-lo. À vista do preço infinito que pagou pelo seu resgate, como ousará alguém, que professa o nome de Cristo, tratar com indiferença ao mais humilde de Seus discípulos? Quão circunspectos devem ser na igreja os irmãos e irmãs, tanto nas palavras como nas ações, a fim de não prejudicar o azeite e o vinho!” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 258.

O azeite e o vinho, no contexto do terceiro selo, o qual se aplica especificamente à Igreja de Roma, representam os sinceros filhos de Deus que ainda estão em Babilônia, mas que são preciosos à vista de Deus. Através do Alto Clamor serão chamados a sair de Babilônia e se unirem ao remanescente fiel.    
 
Novamente é notável a forte relação entre o terceiro selo e a terceira mensagem angélica. Todos os preciosos à vista de Deus sairão de Babilônia antes do fechamento da porta da graça, e o remanescente de Deus, que teve tempo suficiente para aprender as verdades do Santuário, e as verdades relacionadas com os últimos acontecimentos desta terra, terão que instruir a grande multidão, que, em resposta ao Alto Clamor, uniu-se aos que guardam os mandamentos de Deus. Ellen G. White comenta este episódio quando diz:
 
“Alguns de nós têm tido tempo de possuir a verdade e progredir passo a passo, e cada passo dado tem-nos propiciado força para o seguinte. Mas agora o tempo está quase findo, e o que durante anos temos estado aprendendo, eles terão de aprender em poucos meses. Terão também muito que desaprender e muito que tornar a aprender. Os que não receberam o sinal da besta e da sua imagem quando sair o decreto, terão que estar decididos a dizer agora: Não, não mostraremos estima pela instituição da besta.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 67.
 
Dentro desse contexto o remanescente de Deus deve tratar os discípulos de Jesus, vindos de Babilônia, com muito cuidado, para não danificar o azeite e o vinho, mas prepará-los para estarem em pé diante de Deus durante as sete últimas pragas. A ênfase do terceiro selo é colocada especialmente nos conversos da hora undécima, essa grande multidão que ainda está em Babilônia, mas que responderá o apelo do Alto Clamor de Apoc. 18:4. Essa grande multidão também faz parte do juízo pré-advento, do Juízo dos Vivos, e serão selados pelo Selo do Deus Vivo. Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 3, 386, 387.
 
“Há muitas almas que sairão das fileiras do mundo e das igrejas, até da Igreja Católica, cujo zelo excederá consideravelmente o dos que têm estado a postos para proclamar a verdade até agora. Por esta razão os trabalhadores da hora undécima receberão o seu denário.”

“Os trabalhadores de uma hora serão chamados na hora undécima, e eles consagrarão sua habilidade e seus recursos para fazer avançar a obra do Senhor.” Ellen G. White, Review and Herald, 21/12/1897.

“Vi que os que ultimamente têm abraçado a verdade terão que aprender o que é sofrer por amor de Cristo, que terão provas a suportar, provas que serão agudas e cortantes, a fim de que sejam purificadas e pelo sofrimento capacitados a receber o Selo do Deus Vivo, a passar pelo tempo de angústia, e ver o Rei em Sua formosura e estar na presença de Deus e de anjos santos, puros.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 67.

O profeta Joel prediz que no tempo da Chuva Serôdia haverá uma grande colheita de almas: “E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque Ele vos dará ensinador de justiça, e fará descer a chuva, a Temporã e a Serôdia, no primeiro mês.  E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo” (Joel 2:23, 24).
 
A restauração da imagem divina naqueles que saíram de Babilônia na última hora, é a missão final do ministério de Jesus no Santíssimo. Essa expressão “três medidas de cevada” mostra que o terceiro selo está relacionado ao juízo pré-advento, pois é o mesmo princípio enunciado por Jesus na parábola de Mateus 20:1-16.
 
O Trigo e a Cevada - o que representam o “trigo e a cevada”?  A cevada era mais barata que o trigo. O trigo era o principal alimento do povo da Palestina.  A cevada era o alimento comum usado pelos pobres, e também pelos animais. A voz que anuncia o alto preço do trigo e da cevada mostra quão preciosos são para Deus aqueles representados pelo trigo e pela cevada. Tanto o trigo como a cevada são mencionados na Bíblia como parte do povo de Deus, e não podem ser confundidos como joio.  
 
Na parábola contada por Jesus, o trigo representa os fiéis que serão recolhidos ao celeiro na volta de Jesus (Mat. 13:24-30). A cevada, por sua vez, é mencionada na festa das Primícias (Lev. 23:9-14). Os molhos das Primícias eram feitos dos melhores grãos de cevada, e representavam a colheita. Na linguagem bíblica, tanto o trigo como a cevada estão relacionados com a colheita do povo de Deus. Ambos, o trigo e a cevada, recebem o salário de um dia. A voz de Deus chamando o Seu povo para sair de Babilônia lhes garante uma justa recompensa, mesmo para aqueles que tomam a sua decisão na hora undécima. “Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro;” Deus oferece aos trabalhadores da última hora a mesma recompensa oferecida aos que trabalharam o dia todo.  
O Quarto Selo

“E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foilhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra” (Apoc. 6:7-8).
 
O quarto selo é anunciado pelo quarto ser vivente, semelhante a uma águia.  Esse era o símbolo na bandeira da tribo de Dã, aquele que na profecia de Jacó já foi condenado por ser a serpente junto ao caminho. “Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás” (Gen. 49:17). Não é preciso muito esforço para reconhecer semelhanças entre a descrição de Dã e o quarto cavalo, pois a descrição de Dã é a própria descrição de Satanás, a serpente, o falso, o que morde por trás, o que derruba, o que mordeu o próprio calcanhar do Messias, “e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gen. 3:15). A figura da águia como símbolo de Dã ajusta-se muito bem ao grupo dos perdidos e condenados na mensagem do quarto selo.                             
 
O quarto cavalo é pálido, ou cinzento; outras traduções dizem amarelo. O quarto cavalo era um cavalo cadavérico, com a cor da morte. O próprio cavaleiro se chama Morte, e o inferno o segue. Sem dúvida alguma, o cavaleiro é Satanás, e o cavalo representa todos aqueles que estão sob o seu controle e liderança e que terão o mesmo fim dele, a mesma condenação, a morte no inferno, isto é, a morte no lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte (Apoc. 21:8).  
 
Os três primeiros selos e as três mensagens angélicas estão relacionados às três diferentes classes de pessoas que professam fé em Jesus, a saber:
 
o remanescente fiel;
 
o falso protestantismo;
 
e a Igreja Católica.  
 
O quarto cavalo liga-se à grande classe dos perdidos, de onde já saíram o trigo, e a cevada, o azeite e o vinho. Quando os sinceros filhos de Deus que ainda estão em Babilônia, nas igrejas caídas, em resposta à proclamação do Alto Clamor, deixarem suas igrejas, restará nas igrejas caídas somente o joio pronto para ser destruído.  
 
A natureza da mensagem do quarto selo é de condenação e morte, não mais juízo, no sentido de avaliação, mas juízo no sentido de condenação. Se bem que o juízo dos ímpios seja durante os mil anos no Céu (Apoc. 20), na realidade, durante os mil anos no Céu os casos dos ímpios, estarão abertos para investigação, por parte dos salvos, que com interesse desejarão inteirar-se das razões e dos motivos que resultaram na condenação daqueles que não estão no Céu. Na realidade os que não estão no Céu durante os mil anos já foram julgados e condenados, e aguardam, na condição de mortos, a sentença final que determinará somente a intensidade da pena a ser aplicada no final dos mil anos. Mas eles já terão sido julgados merecedores da morte eterna, antes da volta de Jesus.  
 
O juízo pré-advento condenará a classe representada pelo quarto cavalo, que segue o mesmo destino do seu cavaleiro, cujo nome é morte e inferno.  Quando Jesus voltar, Ele voltará já sabedor do nome dos salvos e dos perdidos.  O quarto cavalo, portanto, representa a grande massa dos perdidos, representada na mensagem do quarto anjo de Apoc. 18, como a queda final, ou seja, a condenação da grande Babilônia:
 
“Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo o espírito imundo, e coito de toda a ave imunda e aborrecível...Porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus Se lembrou das iniquidades dela.  Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras... Porquanto num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga” (Apoc. 18:2, 5, 6, 8).

A mensagem do quarto anjo de Apoc. 18 encerra uma poderosa revelação que será proclamada ao mundo todo como o Alto Clamor; vem reforçar as mensagens do segundo e terceiro anjos, pois ela só será proclamada após o cumprimento da terceira mensagem angélica. Quando pela primeira vez foi proclamada a mensagem do segundo anjo: “Caiu, caiu Babilônia” (Apoc. 14:8), em 1844, não se revestiu do mesmo poder, porque a mensagem do terceiro anjo ainda não se cumprira, porém, quando sair o Decreto Dominical, e toda a terra se prostrar diante da besta (Apoc. 13:8), então será o tempo para a proclamação do Alto Clamor de Apoc. 18:4, e os resultados serão estrondosos, porque o Alto Clamor será dado no poder da Chuva Serôdia do Espírito Santo.
 
“A mensagem do segundo anjo de Apocalipse, capítulo 14, foi primeiramente pregada no verão de 1844, e teve naquele tempo uma aplicação mais direta às igrejas dos Estados Unidos...
 
A mensagem do segundo anjo, porém, não alcançou o completo cumprimento em 1844. As igrejas experimentaram então uma queda moral, em consequência de recusarem a luz da mensagem do advento; mas essa queda não foi completa.
 
Continuando a rejeitar as verdades especiais para este tempo, têm elas caído mais e mais... O capítulo dezoito do Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeição da tríplice mensagem do capítulo 14, versos 6-12, a igreja terá atingido completamente a condição predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus, ainda em Babilônia será chamado a separar-se de sua comunhão. Esta mensagem é a última que será dada ao mundo, e cumprirá a sua obra.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 389, 390.
 
“As profecias do capítulo dezoito de Apocalipse em breve vão se cumprir. Durante a proclamação da terceira mensagem angélica, 'um outro anjo,' deve 'descer do céu com grande poder, e a terra será iluminada com a sua glória' (Apoc. 18:1).” Ellen G. White, Review and Herald, 13/10/1904.
 
Assim como a mensagem do quarto anjo de Apocalipse dezoito é mais poderosa porque contém em si mesma o conteúdo das três primeiras, assim também a mensagem do quarto selo, o quarto cavalo, traz consigo uma mensagem de condenação e morte à grande massa dos perdidos que permaneceu na Babilônia mãe e suas filhas, cujo destino já foi selado juntamente com o cavaleiro cujo nome é morte e cujo destino é o inferno.
 
A profecia bíblica é bem consistente. Se os três primeiros selos e as três mensagens angélicas se correspondem, seguramente, o quarto selo também se corresponde com a mensagem do quarto anjo.
 
Edwin R. Thiele também destaca a reciprocidade entre a tríplice mensagem angélica e os três primeiros selos, e acrescenta que o quarto anjo é o anjo da condenação, tal como já foi demonstrado na mensagem do quarto selo.   
 
“Nestes últimos dias podemos comparar a obra desses três cavaleiros às três mensagens de Apoc. 14:6-12. Em primeiro lugar vem a apresentação da mensagem do glorioso evangelho que continuará vitorioso até o fim. Segue-se-lhe uma mensagem de advertência quanto à Babilônia caída, a qual se fez necessária por causa da rejeição da mensagem do primeiro anjo.  Vem, então, a terceira, a última e solene mensagem de advertência aos homens, a mensagem do 'vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice de Sua ira' (Apoc. 14:10).
 
À rejeição desta última mensagem seguir-se-á o surgimento do anjo da morte. Este quarto mensageiro não mais traz uma mensagem de salvação. A sua obra é uma obra de condenação que ocorrerá quando a última advertência tiver sido rejeitada.” Edwin R. Thiele, Apocalipse, Esboço de Estudos, vol. 1, 131.

Assim como a mensagem do quarto anjo tem uma condenação final aos que já foram mencionados na mensagem do segundo e terceiro anjos, assim também a mensagem do quarto selo contém a condenação final dos que permaneceram em Babilônia, tanto a mãe como as filhas. Estabelece-se uma notável semelhança entre a condenação contida no quarto selo em Apoc. 6:8, e a condenação da grande Babilônia, em Apoc. 18:8. Ambos os quadros simbolizam juízos de Deus. O paralelo com Ezequiel 14:21 é claro: “...Eu envio os meus quatro juízos severos, a espada, e a fome, e o animal feroz, e a peste...” Isso diz respeito à morte por meio dos juízos de Deus, morte aos que rejeitaram as mensagens da graça de Deus.
 
“Vi que Jesus não abandonaria o lugar Santíssimo até que todo o caso estivesse decidido seja para salvação ou destruição, e que a ira de Deus não poderia sobrevir enquanto Jesus não tivesse terminado Sua obra no lugar Santíssimo, depositando Suas vestes sacerdotais, e Se cingindo com as vestes de vingança. Então Jesus terminará a mediação entre o homem e Deus, e Deus não mais guardará silêncio, mas derramará Sua ira sobre aqueles que rejeitaram Sua verdade.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 36
 
O profeta Zacarias também lança luz sobre a natureza e o significado do quarto cavalo. Zacarias 6:6 diz que os cavalos baios dirigem-se ao Sul. Não é preciso grande esforço para entender que os cavalos baios correspondem ao cavalo pálido, ou cinza. O rei do Sul de Daniel 11:40 é identificado como em oposição ao rei do Norte.  Em tempos antigos o rei do Sul era o Egito. Nenhum monarca na terra já se aventurou a desafiar a Deus como fez o rei do Egito. “Quem é o Senhor cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel” (Exo. 5:2). Isto é Ateísmo. Ellen G. White compara a arrogância de Faraó com a presunção da França na Revolução Francesa, ao anular a religião. Ela então diz: “Isto é Ateísmo.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 269.

Desta forma o rei do Sul representa o ateísmo em todas as suas formas, incluindo todo sistema babilônico representado pela Igreja de Roma, Protestantismo apostatado e Espiritismo. Este aspecto do quarto cavalo, que se dirige para o Sul, vem fortalecer a sua identidade e ligação com o ateísmo declarado de todos aqueles que anularam Deus de suas vidas e escolheram “adorar o dragão que deu à besta o seu poder... esses cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro...” (Apoc. 13:4, 8).  
O Quinto Selo
 
“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram” (Apoc. 6:9-11).
 
No quinto e sexto selos não existem mais cavalos para representar diferentes classes de pessoas, pois os quatro cavalos cobrem toda a humanidade. O quinto e sexto selos, porém, continuam falando de duas outras diferentes classes de pessoas no juízo, usando uma linguagem bem explícita. Por que a profecia deixou de usar o simbolismo de cavalos para as últimas duas classes? A resposta é que os dois grupos mencionados no quinto e sexto selos, ambos pertencem ao cavalo branco, o povo de Deus.                                                        
 
O quinto selo diz respeito a uma classe especial de salvos, os mártires. Não se aplica somente aos mártires do passado, mas também aos mártires que ainda derramarão o sangue no conflito entre Cristo e Satanás, antes do fechamento da porta da graça.
 
Apoc. 6:10-11 é muito claro:
 
“E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apoc. 6:10-11).  
 
João usa aqui uma linguagem simbólica, uma figura de linguagem para ilustrar a necessidade de os mártires, que já tinham sido mortos por causa do testemunho de Jesus, serem julgados. A Bíblia deve ser entendida pela própria Bíblia, e na Bíblia os mortos são descritos como estando “dormindo no pó da terra” (Dan. 12:2), um sono inconsciente (Jó 14:21; Sal. 146:3, 4; Ecle. 9:5, 6). Se a linguagem usada por João em Apoc. 6:9-10 for tomada como sendo literal, fará com que a Bíblia entre em contradição, porque dezenas de outros versos bíblicos falam do estado do homem na morte como sendo um sono, um estado de inconsciência até a volta de Jesus.  
 
A ênfase em Apoc. 6:10 é o clamor por justiça, por juízo.  Como os mártires pertencem ao cavalo branco, do primeiro selo, e eles sabem que o Juízo Celestial está em andamento, pois já os quatro primeiros selos tinham sido abertos, mas os mártires, ainda não tinham sido julgados, então eles clamam: “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue?” (Apoc. 6:10). Foi em resposta ao clamor dos mártires que Deus explicou o que está relatado em Apoc. 6:11
 
“E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram” (Apoc. 6:11). Deus explicou a razão por que eles ainda não tinham sido julgados, e o fez de uma forma muito explícita. A classe dos mártires ainda não estava completa.
 
Quando se completará o número dos mártires? No tempo em que a mensagem do terceiro anjo se cumprir e o Decreto Dominical for finalmente imposto como a “abominação desoladora da qual falou o profeta Daniel” (Mat. 24:15), então terá chegado o tempo em que muitos filhos de Deus serão chamados para morrer como mártires; o sangue deles jorrado na terra, como no passado, se transformará em sementes que produzirão abundante colheita para o reino de Deus, exatamente na hora undécima da história desta terra. Ellen G. White declara que, quando a anulação da Lei de Deus for quase universal, então ouvir-se-ão as vozes que João ouviu no quinto selo:
 
“Quando a oposição à Lei de Deus for quase universal, quando Seu povo for acossado em aflição por seus semelhantes, Deus intervirá. Então ouvir-se-ão as vozes dos túmulos dos mártires representadas pelas almas que João viu mortas por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de Jesus Cristo, que eles mantiveram, então as orações ascenderão de todo verdadeiro filho de Deus: 'É tempo, Senhor, de agir, porque eles têm anulado Tua lei.” Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 6, 1081.
 
“Quando nossa nação, em suas assembléias legislativas, emitir leis para controlar a consciência dos homens em relação a seus privilégios, decretando a observância do domingo, e arregimentando forças para oprimir os que mantêm a guarda do sábado, a Lei de Deus estará para todos os intentos e objetivos, anulada na terra.” Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 977.
 
A lei dominical é o teste que o povo de Deus deve enfrentar antes de ser selado. Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 977.

A lei dominical (Apoc. 14:9-11) vai abolir a Lei de Deus e perseguir os que guardam o sábado; este é o início da “angústia qual nunca houve” (Dan. 12:1; Mat. 24:21).  
 
Apoc. 14:13 fala especificamente dos mártires que serão mortos quando a terceira mensagem angélica se cumprir. “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: escreve: bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor.  Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam.” A profecia indica claramente o tempo em que se completará o número dos mártires.
 
Embora os mártires pertençam ao povo de Deus, representado pelo cavalo branco, eles constituem uma classe separada, um grupo honrado por Deus, não somente por um selo exclusivo, mas eles serão reconhecidos por toda a eternidade também porque a própria roupa deles será diferente das demais.
 
“No trajeto encontramos uma multidão que também contemplava as belezas do lugar. Notei a cor vermelha na borda de suas vestes, o brilho das coroas e a alvura puríssima dos vestidos. Quando os saudamos, perguntei a Jesus quem eram eles. Disse que eram mártires que por Ele haviam sido mortos.  Com eles estava uma inumerável multidão de crianças que tinham uma orla vermelha em suas vestes.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 18.
 
A mensagem do quinto selo confirma que os selos guardam relação com o ministério de Jesus no Santíssimo. Ellen G. White descreve certos grupos de salvos ao redor do trono no fim do milênio:
 
“Mais próximos do trono estão os que já foram zelosos na causa de Satanás, mas que, arrancados como tições do fogo, seguiram seu Salvador com devoção profunda, intensa. Em seguida estão os que aperfeiçoaram um caráter cristão em meio de falsidade e incredulidade, os que honraram a Lei de Deus quando o mundo cristão a declarava nula, e os milhões de todos os séculos que se tornaram mártires pela sua fé. E além está a multidão, a qual ninguém pode contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas... Trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos (Apoc. 7:9).” Ellen G. White, O Grande Conflito, 665.
 
Nesta descrição, Ellen G. White identifica alguns grupos especiais, entre eles, os mártires que são descritos no quinto selo.  Os mártires serão os únicos a possuírem a cor vermelha na borda de suas vestes. Após o fechamento da porta da graça, não haverá mais mártires, nenhum dos filhos de Deus morrerá no período das Sete Pragas.
 
“Vi os santos deixarem as cidades e vilas, reunirem-se em grupos e viverem nos lugares mais solitários da Terra. Anjos lhes proviam alimento e água, enquanto os ímpios estavam a sofrer de fome e sede. Vi então os principais homens da Terra consultando entre si, e Satanás e seus anjos ocupados em redor deles. Vi um escrito, exemplares do qual foram espalhados nas diferentes partes da Terra, dando ordens para que se concedesse ao povo liberdade para, depois de certo tempo, matar os santos, a menos que estes renunciassem sua fé peculiar, abandonassem o sábado e guardassem o primeiro dia da semana. Mas nesta hora de provação os santos estavam calmos e comedidos, confiando em Deus e descansando em Sua promessa de que um meio de livramento lhes seria preparado. Em alguns lugares, antes do tempo para se executar o decreto (de morte), os ímpios ruíram sobre os santos para os matar; mas anjos sob a forma de homens de guerra, combatiam por eles.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 282, 283, 284
 
Satanás desejava ter o privilégio de destruir os santos do Altíssimo; Jesus, porém, ordenou a Seus anjos que vigiassem sobre eles.  Deus queria ser honrado fazendo um concerto com aqueles que haviam guardado a Sua Lei, à vista dos gentios em redor deles;  e Jesus queria ser honrado, trasladando, sem que vissem a morte, aos fiéis e expectantes, que durante tanto tempo o haviam esperado... Veio em seguida a multidão dos ímpios, cheios de ira, e atrás uma multidão de anjos maus, compelindo os primeiros para matar os santos. Antes que pudessem, porém, aproximar-se do povo de Deus, os ímpios deveriam primeiro passar por esta multidão de anjos poderosos e santos.  Isto seria impossível. Os anjos de Deus os estavam fazendo recuar, e também fazendo com que os anjos maus que os cercavam de todos os lados caíssem para trás. Foi uma hora de angústia medonha, terrível, para os santos. Dia e noite clamavam a Deus, pedindo livramento. Quanto à aparência exterior, não havia possibilidade de escapar. Os ímpios já tinham começado a triunfar, clamando: 'Por que vosso Deus não vos livra de nossas mãos? Por que não ascendeis ao Céu, e salvais a vossa vida?  Mas os santos não lhes prestavam antenção. Como Jacó, estavam a lutar com Deus. Os anjos ansiavam libertá-los, mas deviam esperar um pouco mais; o povo de Deus devia beber o cálice e ser batizado com o batismo. Os anjos, fiéis à Sua incumbência, continuavam a vigiar, Deus não consentiria que Seu nome fosse vituperado entre os gentios... Deus não consentiria que os ímpios destruíssem aqueles que estavam esperando pela sua trasladação, e que se não encurvariam ao decreto da besta nem receberiam o seu sinal." Ellen G. White, Primeiros Escritos, 282, 283, 284.

Todavia, no período de angústia que precede o fechamento da porta da graça, enquanto ainda existe graça e salvação, Deus permitirá que alguns dos santos selem sua vida como mártires, para que, mediante o testemunho deles, outros ainda se salvem.  
 
“Os dois exécitos permanecerão distintos e separados, e essa distinção será tão acentuada que muitos que estarão convencidos da verdade colocar-se-ão ao lado do povo que guarda os mandamentos de Deus. Quando essa grandiosa obra ocorrer na batalha, antes do conflito final, muitos serão encarcerados, muitos fugirão das cidades e vilas para salvar a vida, e muitos serão mártires por amor a Cristo, colocando-se em defesa da verdade. . .” Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 3, 397.
 
Os mártires são honrados e colocados em destaque no quinto selo; um selo muito especial, porque, embora fazendo parte do cavalo branco, eles desempenharam um papel muito importante representando Jesus na grande controvérsia. A grande lista dos mártires começa com Abel, e se estende por toda a Bíblia, incluindo nomes como o de Isaías, Jeremias, João Batista, Pedro, Paulo, Tiago, Estevão, os milhares de cristãos lançados às feras, ou queimados vivos nos primeiros séculos. Fazem parte, também, desse grupo, nomes como os de João Huss, Jerônimo, milhares de Lolardos, milhares de Valdenses e Huguenotes, e outros milhares que ainda morrerão como mártires, no período em que a besta de Apoc. 13:1-4 voltar a reinar sobre a terra. Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 3, 397.
 
“Poderia alguém imaginar o drama daqueles que arriscam a vida e corpos em defesa de Cristo?  Por toda a história, relatos de cristãos lançados aos leões, queimados em estacas, e servidos aos animais, têm cativado a mente de milhões. E será repetido, muitas vezes, no futuro, a emoção, o suspense, e o drama daqueles que, como Huss e Jerônimo e outros do passado, permaneceram firmes por sua fé, enquanto caíam vítimas do ódio satânico. Pode você em sua mente ver a si próprio permanecendo fiel, sob a ameaça de morte?  Em breve virá este dia para os seguidores de Cristo.” Robert Hauser, Give Glory to Him, 59.
 
Estão logo a nossa frente os últimos acontecimentos proféticos:
 
decreto dominical;
 
perseguição e sacudidura do povo de Deus;
 
selamento das Primícias dos Salvos Vivos, os 144.000;
 
chuva serôdia e o Alto Clamor “sai dela povo meu”;
 
conversão e selamento da grande multidão, a maior de todas as conversões;
 
fechamento da Porta da Graça.  
 
Ellen G. White coloca o cumprimento final do quinto selo no contexto do Alto Clamor de Apoc. 18:4.  
 
“Quando o quinto selo foi aberto, João o revelador viu sob o altar os irmãos que foram mortos pela Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus. Depois disto vem as cenas descritas no capítulo dezoito de Apocalipse, quando aqueles que são fiéis e verdadeiros são chamados para saírem de Babilônia.” Ellen G. White, Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 968.

O cumprimento final do quinto selo, o julgamento dos mártires, liga-se ao período de perseguição e morte que virá após o Decreto Dominical, e nesse mesmo tempo, iniciar-se-á o Selamento do sexto selo, isto é, o Julgamento dos Vivos.     
 
Biblicamente, Selamento e Julgamento são equivalentes. No momento em que estiver sendo proclamado o Alto Clamor e a grande multidão, os conversos da hora undécima, estiver saindo de Babilônia e se posicionando ao lado dos que guardam os mandamentos de Deus, ainda neste tempo existirão mártires.  Deus não permitiria que seus filhos morressem como mártires, se não fosse com o propósito de converter outros.  Comentando sobre a razão por que Deus não permitirá que Seus filhos morram após o fim da graça, Ellen G. White explica:
 
“Se o sangue das fiéis testemunhas de Cristo fosse derramado nessa ocasião, não seria como o sangue dos mártires, qual semente lançada a fim de produzir uma messe para Deus. Sua fidelidade não seria testemunho para convencer outros da verdade... Se os justos fossem abandonados para caírem como presa de seus inimigos, seria um triunfo para o príncipe das trevas.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 634.
O Sexto Selo

“E, havendo aberto o sexto selo, olhei e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue. E as estrelas do Céu caíram sobre a Terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o Céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da Terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto Daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apoc. 6:12-17).                                              
 
O sexto selo inicia em Apoc. 6:12 e se estende até o fim do capítulo sete. Apoc. 7 é a seqüência do sexto selo, revelando o Julgamento dos Vivos. Novamente aqui o ponto central do selo é um grupo de pessoas no juízo. O sexto selo começa falando de alguns eventos que devem acontecer no mundo físico:
 
um grande terremoto
 
escurecimento do sol e da lua
 
e queda das estrelas. Esses mesmos sinais também são mencionados em Mateus 24:29 e Lucas 21:11, 25.
 
Existem dois períodos de aflição mencionados na profecia, o primeiro de 1260 anos (538  1798), foi a primeira supremacia papal. Tudo indica que Jesus esteja falando desse período de aflição em Mateus 24:29 quando diz:
 
“Logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu.”
 
Esses sinais no mundo físico ocorreram em seqüência:
 
o terremoto de Lisboa em 01/11/1755;

• o escurecimento do sol e da lua em 19/05/1780;
 
a queda das estrelas em 13/11/1833.
 
Esses sinais proféticos chamaram a atenção do mundo para a proximidade da volta de Jesus, porém, mais que isso, chamaram a atenção do mundo para o início do Juízo Celestial, para a Vinda de Jesus ao Pai no Santíssimo do Santuário Celestial, para receber o Livro Selado e dar início ao Juízo Celestial. Na Bíblia existem três referências a este evento (Daniel 7:13-14; Mal. 3:1-3; Apoc. 5:7).  

Assim como no Santuário Terrestre, o Dia da Expiação era precedido pela Festa das Trombetas que advertia o povo de Deus de que o dia do juízo estava chegando, assim também, antes que o grande Dia da Expiação no Santuário Celestial chegasse, Deus advertiu o mundo, usando pregadores como Guilherme Miller, Manuel Lacunza, José Wolff, Edward Irving e outros para pregarem a mensagem do juízo vindouro; usou também no mundo físico os sinais no sol, na lua e nas estrelas. Deus não inciaria o Juízo Celestial sem nenhuma advertência ao Seu povo.  Não é interesse de Deus deixar Seu povo às escuras.
 
Do mesmo modo como foi anunciado ao mundo o início do Juízo Celestial (1844), que começou pelos mortos, também Deus anunciará ao mundo a proximidade do Juízo dos Vivos.  
 
Os últimos três selos revelam claramente a parte final do ministério de Jesus no Santíssimo:
 
o quinto selo: o juízo dos mártires;
 
o sexto selo: o juízo dos vivos;
 
o sétimo selo: o fim do juízo e o fechamento da porta da graça.  
 
A profecia menciona os sinais no mundo físico, pela segunda vez, no contexto do Juízo dos Vivos indicando que esses sinais deverão ocorrer novamente.  A profecia de Joel 2:28-31 e Atos 2:16-20 “recebeu cumprimento parcial no derramamento do Espírito, no dia de Pentecoste, mas atingirá seu pleno cumprimento na manifestação da graça divina que acompanhará a obra final do Evangelho.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 11.
 
Quando Ellen G. White fala do cumprimento final da profecia de Joel ela está se referindo ao tempo do derramamento da Chuva Serôdia, no contexto do sexto selo, o Selamento dos Vivos, e os sinais proféticos a se cumprirem no mundo físico.  Certamente Deus não inciaria o Juízo dos Vivos, sem anunciar ao Seu povo e ao mundo que é chegada a hora do juízo. Deus usará novamente Seus mensageiros na proclamação das Três Mensagens Angélicas, que serão pregadas no poder do Espírito Santo, e usará também os sinais no mundo físico mencionados no sexto selo. Quando a terceira mensagem angélica se cumprir, através do Decreto Dominical, as Três Mensagens Angélicas deverão ser pregadas de forma poderosa e compacta, como sendo uma só.
 
“É chegada a hora do Juízo” (Apoc. 14:7);
 
“Caiu, caiu Babilônia” (Apoc. 14:8);
 
“Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber o sinal na sua testa ou na sua mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus”  (Apoc. 14:9-10).  
 
Essas três mensagens serão anunciadas com muito poder na voz do quarto anjo:
 
“E clamou fortemente com grande voz, dizendo: caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios... E ouvi outra voz do céu, que dizia: sai dela povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” (Apoc. 18:2, 4).  Esse é o Alto Clamor.
 
Essa é a mensagem que com poder o remanescente proclamará. O povo de Deus sabe que o Decreto Dominical é o sinal que indicará que é chegada a hora do Juízo dos Vivos.  Todos os habitantes da terra terão que optar, tomando uma decisão: submissão e lealdade a Cristo ou submissão e lealdade ao anticristo. Cristo tem um sinal de lealdade, o Sétimo dia, o Sábado, e o anticristo também tem um sinal de lealdade, o Domingo.  
 
“O sábado será a pedra de toque da lealdade; pois é o ponto da verdade especialmente controvertido... Ao passo que a observância do sábado espúrio em conformidade com a lei do Estado, contrária ao quarto mandamento, será uma declaração de fidelidade ao poder que se acha em oposição a Deus, é a guarda do verdadeiro sábado, em obediência à lei divina, uma prova de lealdade para com o Criador.  Ao passo que uma classe, aceitando o sinal de submissão aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a outra, preferindo o sinal de obediência à autoridade divina, recebe o selo de Deus.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 605.  
 
Esse é o momento do selamento do povo de Deus e o selamento dos ímpios. Todos os selados pelo selo do Deus vivo não mais se perderão, e todos os selados pelo selo da besta não mais se salvarão. O Selamento envolve mais do que um sinal exterior, o sábado ou o domingo, é antes de tudo, algo interior, o Selamento do Caráter. Os que são selados pelo Selo do Deus Vivo são selados com o caráter de Jesus, enquanto que os selados pelo selo da besta são selados com o caráter de Satanás.
 
“Mas ninguém deverá sofrer a ira de Deus antes que a verdade se lhe tenha apresentado ao espírito e consciência, e haja sido rejeitada. Há muitos que nunca tiveram oportunidade de ouvir as verdades especiais para este tempo... O decreto não será imposto ao povo cegamente. Cada qual receberá esclarecimento bastante para fazer inteligentemente a sua decisão.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 605.
 
“E diziam aos montes e aos rochedos: caí sobre nós, e escondei-nos do rosto Daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir? (Apoc. 6:16-17).
 
A pergunta feita em Apoc. 6:17 deve ser entendida dentro do contexto do Juízo dos Vivos.  Deus usa todo o capítulo sete de Apocalipse para responder à pergunta: “e quem poderá subsitir?”  
 
Na seqüência do capítulo sete, Deus mostra dois grupos de pessoas que subsistirão no “grande dia da Sua ira,”  embora pertençam ao cavalo branco, o povo de Deus, serão julgados no contexto do sexto selo, na fase final do ministério de Jesus no Santíssimo.  Eis a resposta à pergunta:”Quem poderá subsistir diante Daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro?”  Dois grupos:

1) As Primícias dos Salvos Vivos, os 144.000 (Apoc. 7:3-4);

2) e a grande Seara de Salvos Vivos que inclui todos os conversos da hora undécima, uma multidão que ninguém podia contar (Apoc. 7:9). O tema dos 144.000 é amplamente estudado no capítulo catorze de Apocalipse, mas o estudo de Apocalipse capítulo sete é também de grande ajuda na compreensão de quem são os 144.000 assinalados.
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal