Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 03 - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 03

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Revelações do Apocalipse - Livro nº 01
Temas deste Capítulo

Cartas do Céu às Igrejas (2ª parte)

 Sardes
 
“E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te.  E se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos Seus anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 3:1-6).
 
A cidade
 
Localiza-se cerca de oitenta quilômetros ao oriente de Esmirna e se apresenta como uma das mais antigas cidades da Ásia Menor.  A maior vantagem de Sardes era ser o centro de junção de cinco diferentes estradas.  Sardes havia sido a antiga capital do reino da Lídia, e por volta do ano 560 a.C., Creso, cujo nome tornou-se provérbio de riqueza, veio a ser o seu rei.  Era um lugar de grande beleza, cercado de uma região muito fértil.  Construída aos pés do monte Tmolo, à margem oriental do rio Pactolo. A cidade, quando foi construída, estava toda protegida dentro de fortes muralhas na acrópole, sobre uma montanha de 150 pés de altura. Uma fortaleza quase inexpugnável, exceto em um ponto ao sul.  A cidade de Sardes nos dias de João ainda estava em processo de reconstrução, após ter sido destruída por um terremoto no ano 17 d.C.  Quando João escreveu essa carta, Sardes parecia ser uma cidade cuja glória passara.  Porém, a cidade se recuperou e, por volta do ano 200 d.C., ela atingiu o clímax de seu crescimento, com uma população de 100.000 habitantes.  Cibele, uma deusa anatólia, era a deidade protetora da cidade.  Seu culto era semelhante ao de Diana dos efésios.  Cibele é descrita como uma estranha figura rústica de vários seios.  Ela era cultuada num magnífico templo cujas ruínas ainda existem.   É importante notar que a primeira moeda a ser cunhada na Ásia Menor, foi em Sardes, nos dias de Creso.  Em Sardes nasceu o dinheiro moderno.  Em 1402, foi completamente destruída por Tamerlão e jamais foi reedificada. Hoje é um campo ermo de espinhos, flores silvestres e ruínas imponentes.
 
Significado e período
 
Sardes significa “Cântico de alegria.” A igreja de Sardes representa a história do cristianismo no período de transição entre a verdadeira reforma e o protestantismo.  Geralmente o ano 1517 é considerado o início da Reforma, mas na realidade, 1517 marcou o clímax da Reforma.  Como já foi estudado na carta de Tiatira, a Reforma propriamente dita iniciou alguns séculos antes e culminou com Lutero.  Depois da morte de Lutero, o movimento perdeu muito da sua vitalidade.  
 
“Aplicando esta mensagem ao período pós-Reforma, veremos que se ajusta de modo cabal. Os que lideraram a Reforma eram homens de vigorosa consagração, mas seus seguidores, supondo que todas as batalhas já haviam sido ganhas, acomodaram-se em religião organizada. Grandes movimentos iniciados por homens como Lutero e Knox tornaram-se meras religiões de Estado, sustentadas pelo erário público.  Auto-suficientes e satisfeitos com conquistas passadas, essas pessoas deixaram de sentir as necessidades do grande mundo pagão.” Roy Allan Anderson, O Apocalipse Revelado, 43-45.
 
A data ideal para o término do período de Sardes é exatamente a data em que iniciou o período do reavivamento e do despertamento do protestantismo, em torno do tema do segundo advento de Jesus, que é uma característica particular da igreja de Filadélfia.  Vários fatores indicam que a data ideal para o término do período de Sardes é o ano 1798, quando o papa foi preso, e a Bíblia começou a ser divulgada mundialmente através das Sociedades Bíblicas, provocando o maior despertamento espiritual já visto no protestantismo. Em 1804 surgiu a primeira Sociedade Bíblica na Inglaterra, e em 1816 a segunda, a  Americana, e depois muitas outras, despertando o mundo para as Missões Estrangeiras. O ano de 1798 também tem a vantagem de ser o ano em que findou a supremacia papal de 1260 anos (538  1798) mencionada em Daniel 7:25.  Portanto, o período de Sardes deve ser considerado de 1517 a 1798.
 
A igreja
 
Uma comunidade cristã desenvolveu-se antigamente na cidade de Sardes, e tornou-se a sede de um bispo da igreja, Bispo Melito, que morreu em 170 d.C. Wim Malgo, Seven Letters From Heaven, 119.

As paredes de uma igreja construída antes do século quarto ainda estão de pé.  Foi descoberto nas escavações o trono de mármore do bispo de Sardes. Edwin R. Thiele, Apocalipse: Esboço de Estudos, vol. 1, 60.

A igreja de Sardes é a igreja da transição entre o Movimento da Reforma e o protestantismo. O período da Reforma começou no período de Tiatira com os Valdenses, os Lolardos, seguidores de Wycliffe, a Igreja dos Irmãos na Boêmia e Morávia, João Huss, Jerônimo e culminou com Lutero. Em 1530, com a formação do primeiro credo protestante, iniciou o declínio da Reforma e o nascimento de uma nova era chamada protestantismo, caracterizada pelas Igrejas Nacionais recebendo sua força, não mais de Deus, mas dos governos.  Neste período, pós-Reforma a única coisa que se esperaria era vida e vitalidade.  Depois das trevas e da infâmia do período de Tiatira, seria natural supor que o movimento da Reforma continuasse crescendo em força e poder, tornando-se mais vivo, mais zeloso e vigoroso, mas não foi assim.

A mensagem
 
Em lugar do costumeiro elogio, como nas demais cartas, a mensagem inicial a esta igreja é de condenação.  Presumia-se que a igreja, inflamada pelo espírito da Reforma, visto no período de Tiatira e no início do período de Sardes, estivesse viva e fervorosa, mas estava morta.
 
Tens nome de que vives, e está morto - a hipocrisia foi uma característica marcante nesta igreja.  A igreja neste período tinha um bom nome e uma boa reputação. O nome “protestante” indicava oposição aos abusos, aos erros e ao formalismo da Igreja Católica Apostólica Romana; indicava que nenhum desses erros seriam encontrados entre os protestantes, porém, isso foi verdade somente entre os arautos da Reforma,  e perdurou enquanto Lutero ainda vivia.

Dentro de poucas décadas, as igrejas reformadas experimentaram um período de violenta controvérsia doutrinária. Assim como no período de Pérgamo a Igreja Católica perverteu a fé apostólica e as verdades cristalinas da igreja primitiva, em razão de seu afastamento da Bíblia; também as igrejas protestantes afastaram-se dos princípios enunciados por seus fundadores. O princípio dos reformadores dizia: “A Bíblia e a Bíblia só deve ser a nossa única regra de fé.” Protegidas pelo poder e prestígio do Estado, e acomodadas dentro da confissão dos credos, as igrejas nacionais do mundo protestante se conformaram com a forma da piedade, porém, sem o seu poder.  
 
Um outro fator que contribuiu muito para aumentar nas igrejas protestantes o espírito de apatia para com as coisas espirituais foi o surgimento do Racionalismo nos séculos XVII e XVIII. Sob o impacto das descobertas científicas, muitos estudiosos passaram a crer que as leis naturais eram suficientes para explicar as obras do universo. Freqüentemente eles concluíam que a função principal de Deus em relação a este mundo era que Ele, Deus, fora unicamente a primeira causa, e que desde o Seu ato inicial da criação, o mundo tem funcionado mais ou menos independente de Deus.  Esta maneira de pensar resultou num distanciamento da Bíblia, que, por sua vez, passou a ser considerada irreal, inexata e não literal. Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 756.
 
Tudo estava contra Sardes.  Q ue virtude haveria em estar morto?  E Sardes estava morta, perdera o Espírito de Deus, Seu poder, e perdera também a sua mensagem.  Sardes permanecia como uma simples casca, sem nenhum conteúdo.
 
“Nenhuma quantidade de experiência passada será suficiente para o momento, nem nos fortalecerá para vencermos as dificuldades que estiverem em nosso caminho.  Precisamos ter novo suprimento de graça e de força cada dia, a fim de sermos vitoriosos.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 3, 541.
 
A Reforma iniciada com os Valdenses (séc. XII), Wycliffe (séc. XIV), João Huss e Jerônimo (séc. XIV e XV), e Lutero no século XVI, quebrou o poder da supremacia espiritual de Roma.  A Europa foi sacudida de ponta a ponta por um poder que nunca tinha sido conhecido antes.  Infelizmente o espírito da Reforma não durou muito tempo. Dentro de poucos anos os seguidores dos reformadores estavam divididos e começaram a se opor e a perseguirem-se uns aos outros.  
 
“Quando quer que a igreja tenha obtido o poder secular, empregou-o ela para punir a discordância às suas doutrinas. As igrejas protestantes que seguiram os passos de Roma, formando aliança com os poderes do mundo, têm manifestado desejo semelhante de restringir a liberdade de consciência. Dá-se um exemplo disto na prolongada perseguição aos dissidentes, feita pela Igreja Anglicana. Durante os séculos dezesseis e dezessete, milhares de ministros não-conformistas foram obrigados a deixar as igrejas, e muitos, tanto pastores como o povo em geral, foram submetidos a multa, prisão, tortura e martírio.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 443.
 
Lutero denunciou Zuinglio como um herege, e os Calvinistas não queriam saber dos Luteranos. F.G. Smith, What the Bible Teaches, 293.

O primeiro credo protestante foi a Confissão de Augsburg, 1530.  Essa data é importante porque dessa data em diante os protestantes começaram a perder de vista a Palavra de Deus e o Espírito Santo como guias. Eles se organizaram em seitas, criaram seus regulamentos, credos e disciplina.  Foi assim que Calvino, em Gênova, consentiu com a morte de Servetus por causa de diferenças religiosas, Servetus foi queimado. Na Inglaterra, os protestantes anglicanos empreenderam a mais cruel guerra não somente contra os católicos, mas também contra todos os protestantes que se recusavam a se conformar com a igreja estabelecida. Os protestantes colocaram seus exércitos no campo e lutaram pelos seus credos, como aconteceu na Guerra dos Trinta Anos (1618  1648) que começou com a revolta Boêmia contra a Igreja de Roma, e o longo período de guerra dos Huguenotes na França, F.G. Smith, What the Bible Teaches, 293, 294.

só que desta vez contra seus próprios irmãos. O estudo da história da Reforma mostra que o protestantismo, a partir de 1530, introduziu um outro período de apostasia, ou melhor, uma outra forma de apostasia. Em menos de cem anos, o luteranismo, com o qual a Reforma alcançara o seu clímax, cristalizou-se num formalístico e dogmático movimento protestante. O historiador D'Aubigne considera que o fim da verdadeira Reforma foi o “decisivo período de 1530 e 1531,” e que a partir dessa data, começou então uma outro capítulo, a história do protestantismo. F.G. Smith, What the Bible Teaches, 293, 294.
 
O grande sistema protestante que sucedeu o romanismo, tomou o seu lugar no mundo moderno, assim como foi descrito na profecia. As duas primeiras nações na Europa a se levantarem contra o papado foram a Alemanha e a Inglaterra.  Estas duas nações têm sido consideradas como sendo a plataforma do protestantismo. O protestantismo ganhou sua posição e influência no mundo moderno especialmente através do poder político. Este fato não pode se negado, pois foi assim no passado na Alemanha e Inglaterra, e assim será no futuro quando a profecia do protestantismo apostatado de Apoc. 13:11-18 cumprir-se através da união da Igreja e do Estado nos Estados Ibidem., 293, 294.  Ibidem. Unidos da América do Norte.  
 
A segunda Besta de Apoc. 13, o protestantismo apostatado, como um sistema religioso, deverá formar uma imagem da primeira besta, o papado, que é um sistema político religioso, que sempre procura unir Igreja e Estado.  O termo imagem se define como uma imitação, uma cópia.  A segunda besta, então, é o  sistema protestante, buscando apoio político, tentando unir Igreja e Estado. Isso ocorreu no período de Sardes, especialmente na Alemanha e Inglaterra e acontecerá novamente nos Estados Unidos, e então no mundo todo.  A história da Reforma mostra como Deus trabalhou poderosamente através dos reformadores, mas a história do protestantismo mostra quão rapidamente as igrejas reformadas perderam sua dependência de Deus e apelaram para os braços do poder político.    
 
O período de Sardes também recheou-se de perseguições e de mortes. O que a Inquisição fez contra os cristãos no período de Tiatira,  as igrejas protestantes nacionais fizeram contra os grupos protestantes minoritários no período de Sardes. O mesmo espírito satânico que moveu o papado contra os Valdenses, contra os Lolardos (seguidores de Wycliffe), e contra a Igreja dos Irmãos da Boêmia e Morávia, moveu também as igrejas protestantes nacionais da Alemanha e da Inglaterra contra seus irmãos no período de Sardes.
 
“Nalguns  respeitos o século XVIII é o mais ilusório período da história da Inglaterra.  É a cinderela dos séculos.  Ninguém tem uma boa palavra com a qual se referir a ele.  Carlyle resumeo numa frase amarga: alma extinta; estômago vazio. O verdadeiro escândalo da Inglaterra no século XVIII, a lepra que envenenava o seu sangue, a mancha negra no disco luminoso de sua história, é a decadência da religião que distinguiu os seus primeiros cinqüenta anos.  No que se refere a sua fé, a Inglaterra estava morta.  Os seus céus espirituais eram tão negros como a meia noite no Ártico, e enregelados como as suas geadas.” Edwin R. Thiele, Apocalipse, Esboço de Estudos, vol. 1, 61.

O cristianismo não pode morrer, mas chegou perto do desmaio mortal naquela era melancólica.
 
Os Quakers, na Inglaterra, foram presos às centenas, apedrejados, surrados, chicoteados, e afogados.  Em 1661 eles fizeram um pedido de tolerância para com a religião deles, e pediram que fossem dispensados de fazerem juramento ao governo, por motivo de consciência.  Esse pedido foi rejeitado, e, ao contrário do que esperavam, um decreto foi feito (24/03/1661) contra eles, caso insistissem em não participar dos juramentos, ou se tentassem persuadir alguém a não fazê-lo.  George Fox, em uma carta ao rei, diz que três mil e sessenta e oito dos seus amigos tinham sido presos, e que as reuniões deles eram diariamente interrompidas por homens armados que jogavam os Quakers na água e eram afogados.  Uma lista foi impressa e assinada por doze testemunhas, que afirmavam que mais de quatro mil e duzentos Quakers foram presos, e muitos deles foram mortos na prisão. Fox, Book of Martyrs, 357, 358.

Nos Estados Unidos a experiência dos Quakers não foi menos sofrida, muitos deles não foram somente açoitados publicamente, como criminosos, mas alguns foram marcados com ferro quente e outros tiveram as orelhas cortadas. Fox, Book of Martyrs, 360.

O rei Henry VIII, fundador da Igreja Anglicana na Inglaterra, adotou as mais rigorosas leis para impor as doutrinas da igreja. F.G. Smith, What the Bible Teaches, 299.

Foi rejeitada a supremacia do papa, mas em seu lugar o monarca foi entronizado como cabeça da igreja. O rei reformador perseguiu tanto católicos como protestantes.  Centenas e milhares de cristãos foram vítimas da intolerância religiosa que persistiu por muito tempo na Inglaterra.  Uma dessas vítimas é bem conhecida, John Bunyan, pregador inglês (1628  1688), permaneceu preso por doze anos na cadeia de Bedford, período em que escreveu O Peregrino, e mais de 50 outros livros.  Em nauseabundo calabouço, repleto de devassos e traidores, John Bunyan respirava a própria atmosfera do céu.    Na Escócia, a Igreja Episcopal fez uma sucessão de mártires presbiterianos. F.W. Grant, The Prophetic History of the Church, 128.
 
Foi essa feroz perseguição dos protestantes contra os protestantes que levou os puritanos (o alvo dos puritanos era purificar a igreja da Inglaterra de todos os vestígios do romanismo), um grupo de cristãos reavivados, a fugirem da Inglaterra, primeiramente para a Holanda e depois para a Nova Inglaterra. Desembarcaram nas praias da América em 1620, em busca de um país onde pudessem adorar a Deus de acordo com os ditames da consciência. O navio Mayflower trouxe o primeiro grupo de 102 peregrinos até as praias de Cape Cod.  Um segundo grupo de mil puritanos veio em 1630.  Por volta de 1642 a Colônia da Baía de Massachusetts já tinha 16.000 pessoas.  Por volta de 1636, Roger Williams, um jovem pastor, iniciou a nova colônia de Rhode Island. O princípio fundamental da colônia de Roger Williams era que todo homem teria liberdade para adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência.  Seu pequeno Estado, Rhode Island, tornou-se o refúgio dos oprimidos, e cresceu e prosperou até que seus princípios básicos, a liberdade civil e religiosa, se tornaram as pedras angulares da República Americana.  Multiplicaramse rapidamente as colônias.  Massachusetts, em virtude de lei especial, estendia cordiais boas-vindas e auxílio, à expensa pública, aos cristãos de qualquer nacionalidade que fugissem pelo Atlântico para escaparem da opressão de seus perseguidores. Vinte anos depois do primeiro embarque de Plymouth, outros tantos milhares de peregrinos se tinham estabelecido na Nova Inglaterra. O grande princípio, tão nobremente advogado por Roger Williams, de que a verdade é progressiva, de que os cristãos devem estar prontos para aceitar toda a luz que resplandecer da santa Palavra de Deus, foi perdido de vista por seus descendentes.  
 
Na Escócia, como os covenanters insistiam em adorar a Deus da maneira deles, foram então perseguidos e caçados pelos soldados ingleses nas montanhas, nos lugares para onde eles se retiravam para orar e adorar.  As histórias dos sofrimentos dos covenanters nas mãos dos protestantes ingleses constituem o mais doloroso e o mais horrível capítulo das perseguições religiosas protestantes. F.G. Smith, What the Bible Teaches, 300.
 
As primeiras igrejas protestantes da Europa, quando conseguiram se estabelecer e adquirir poder, começaram a agir da mesma forma como a Igreja de Roma agiu na Idade Média, perseguindo, banindo, prendendo, e mesmo matando aqueles que se recusavam a aceitar suas doutrinas.  
 
Os luteranos eram, no princípio, pessoas piedosas, sinceras e fiéis, mas a medida que foram crescendo em numero e poder, começaram a perseguir, banir, prender e matar aqueles que discordavam deles.  Em 1574 em uma convenção em Torgaw eles instigaram o Eleitor da Saxônia a prender ou banir os calvinistas que diferiam deles em doutrina.  Peucer, por causa de suas opiniões, ficou preso durante dez anos.  Crellius, em 1601, foi morto.  Stettar de Strasburg foi perseguido na Alemanha por ter permitido aos membros leigos falarem na igreja, e por realizar reuniões de orações no meio da semana.  Na Escócia, os haldanes foram perseguidos pela mesma razão. O desejo ardente deles de pregarem o evangelho na Índia foi frustrado. L. Sale-Harrison, The Wonders of the Great Unveiling, 54.
 
Na Suíça, um concílio protestante condenou um jovem chamado Felix Mantz a ser afogado porque ele insistia em condenar o batismo por aspersão de bebês.  Ele ensinava que todos os que tinham sido batizados por aspersão quando bebês deveriam ser batizados por imersão quando se tornassem verdadeiros crentes em Jesus. F.G. Smith, What the Bible Teaches, 298, 299.

As mais severas leis foram criadas, em diferentes países da Europa, contra os anabatistas, e muitos deles foram banidos ou queimados vivos.  Lembre-se de que não estamos falando aqui da Inquisição dos jesuítas. Os tempos mudaram, e agora a carta da igreja de Sardes está falando da vergonhosa história do protestantismo. A história tem demonstrado que, não importa quem esteja no poder, sejam católicos ou protestantes, quando a igreja apela para os braços do poder político, quando Igreja e Estado se unem, o resultado é a intolerância religiosa.  O protestantismo claramente pregava o princípio da liberdade de consciência, mas isto era somente uma teoria, porque na prática o protestantismo exigia completa submissão às doutrinas da igreja. Os que se opunham eram disciplinados e até mesmo mortos, como foi o caso de Servetus, em Gênova. O espírito que fora inspirado pelos reformadores foi gradualmente arrefecendo até haver tão grande necessidade de reforma nas igrejas prostestantes como na igreja romana ao tempo de Lutero.
 
O mais falso princípio que se originou com a Igreja de Roma e que foi transferido para o protestantismo, é o de que o governo e a igreja precisam se unir para que a igreja de Cristo se complete na terra.  “A união da Igreja com o Estado, não importa quão fraca possa ser, conquanto pareça levar o mundo mais perto da igreja, não leva, em realidade, senão a igreja mais perto do mundo.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 297.

Desde os dias de Constantino até o presente, a estratégia de Satanás tem sido a de procurar edificar a igreja com o auxílio do Estado, apelando para o poder temporal em apoio ao evangelho.

Isso aconteceu na Alemanha e na Inglaterra, e acontecerá nos Estados Unidos em cumprimento de Apoc. 13:11-18. No período de Sardes, em vez de a igreja se conservar sob a dependência divina, procurou fazer aliança com os governos, formando assim igrejas nacionais, com credos evangélicos com apoio dos governos. A verdade foi popularizada, mas Cristo nunca foi popular e nunca será. A verdade popularizada é a verdade que perdeu seu poder. A mesma estratégia que Satanás usou no período de Pérgamo, popularizando o cristianismo, fazendo dele uma religião nacional, voltou a usar de novo no período de Sardes. O cristianismo que conseguiu permanecer puro e fiel  durante as incessantes perseguições imperiais do período de Esmirna, foi pervertido no período de Pérgamo quando a Igreja e o Estado se casaram. Da mesma forma o movimento da Reforma que subsistiu firme e próspero no longo período da tirania papal (Tiatira 538-1517), quando Jezabel dominou a igreja, foi pervertido no período de Sardes quando a Reforma se transformou em igrejas protestantes nacionais.  

A história costuma se repetir.  No próximo período da igreja, Filadélfia, a profecia fala de um grande reavivamento operado pelo Espírito Santo, e então de novo, vem outro capítulo de 1 Ellen G. White, O Grande Conflito, 297. condenações, a apostasia de Laodicéia. Quem tem ouvidos ouça a história que o Espírito Santo está contando acerca dos altos e baixos da igreja. “Sê vigilante, e confirma os restantes que estavam para morrer . . . lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrependete” (Apoc.3:2-3).

Aqui encontramos cinco conselhos de Jesus à igreja de Sardes.  “Sê vigilante,” esse conselho tem muito a ver com a cidade de Sardes. Quando Ciro, o persa, cercou a cidade de Sardes, ele não podia avançar até que a fortaleza fosse tomada.  Sardes era uma fortaleza quase inexpugnável. Assim, o general persa declarou que qualquer homem que descobrisse um meio de invadir a fortaleza e dominá-la, receberia elevada recompensa. No exército persa havia um soldado chamado Heroeades. Esse soldado certo dia, observava a escarpa e o parapeito acima, local vigiado por um soldado lídio. Ao estar assim observando, o soldado lídio deixou cair, acidentalmente, o seu elmo, que despencou do alto do parapeito até quase a base do penhasco. O soldado lídio galgou o parapeito e tomou vagarosamente o caminho que se dirigia à base do penhasco para recuperar o seu elmo, voltando depois ao seu posto de sentinela. O soldado persa que o observava gravou cuidadosamente na memória todos os lances do roteiro do soldado lídio, e, à noite, com um seleto grupo de companheiros, escalou o penhasco até o alto.  Estava absolutamente desprovido de guarda, e, assim Sardes caiu nas mãos dos persas.  Pela segunda vez Sardis, nos dias de Achneus, em circunstâncias semelhantes caiu nas mãos do inimigo, desta vez Antíoco, o Grande. Ray Summers, Worthy Is the Lamb, 121.
Um dos problemas de Sardes era a falta de vigilância.  

Essas eram histórias conhecidas nos dias do profeta João, e Jesus faz uso delas para dizer aos cristãos de Sardes: “Lembremse da história de vocês;” a ênfase de nosso Senhor é: “Sejam vigilantes... e se não vigiarem, virei como ladrão” (Apoc. 3:2, 3).  

Apoc. 3:2 demonstra que muitos, porém, não todos estavam mortos. O verso 3 aconselha os cristãos de Sardes a fazerem uma retrospecção na vida espiritual e lembrarem da mensagem e da experiência que haviam tido. A Justificação pela Fé foi a doutrina forte dos reformadores, e ela fez surgir o protestantismo; somente a justiça de Cristo recebida pela fé poderia reavivá-los.  

“Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do Livro da Vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos Seus anjos” (Apoc. 3:4, 5). O remanescente de Deus sempre existiu, em todas as eras.  Nos dias do profeta Elias, Deus lhe mostrou um grupo de 7.000 que também não tinha dobrado seus joelhos diante de Baal.  Em meio à apostasia antediluviana, houve Enoque e Noé, ambos tementes a Deus.  Nos dias dos emires da Arábia havia Jó, o melhor homem de Deus no Oriente.  Nos trágicos dias da idolatria universal, existiu Abraão, chamado de Ur dos Caldeus.  Houve um Ló, mesmo na perversa Sodoma.  Nunca houve um período tão escuro em que Deus não tivesse Suas estrelas. No período de Sardes, Deus tinha “alguns que não contaminaram seus vestidos” (Apoc. 3:4): os reformadores Martinho Lutero, Ulrich Zwinglio, João Calvino, o puritano João Bunyan, os pietistas Philipp Spenner, August Hermann Francke, e o Conde Zinzendorf, e os metodistas João Wesley e Whitefield.
   Filadélfia
 
“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é Santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Daví; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre. Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem; eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo. Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 3:7-13).
 
A cidade
 
Filadélfia ficava a 120 km de Esmirna, em uma região vulcânica sujeita a freqüentes terremotos.  Recebeu o nome de Filadélfia por causa de Átalo Filadelfo, irmão de Eumenes II, rei de Pérgamo que em 189 a.C. conquistou a cidade.  É chamada de a “pequena Atenas” por seus muitos templos.  Cidade construída numa ampla colina e cercada de vales férteis, tornouse um centro de projeção na propagação do helenismo.  Em 17
d.C. sofreu um severo terremoto, o mesmo que devastou Sardes.  Filadélfia teve o nome mudado duas vezes, em 17 d.C. para Néo Cesaréia em gratidão a uma dádiva imperial, e, mais tarde para Flávia, em honra a Vespasiano (70  79 d.C.).  Em 1390 sucumbiu diante de um exército formado de turcos e bizantinos após um cerco de oito anos.  Filadélfia era a mais nova das sete cidades mencionadas nas sete cartas.  Pelo fato de se localizar na principal estrada, a estrada do correio romano, entre Frígia e Esmirna, tornou-se uma importante e rica cidade com suntuosos templos.  Esta cidade ainda existe sob o nome de Allah Sher, que significa “Cidade de Deus.” Significado e período Filadélfia significa Amor Fraternal,” e o período foi caracterizado por um profundo e intenso amor às almas pelas quais Jesus morreu.  A igreja de Filadélfia representa o período histórico do cristianismo entre os anos 1798 a 1844.                 
 
A igreja
 
O cristianismo parece ter sido introduzido em Filadélfia na era apostólica pelo fato de uma das cartas de João ser endereçada à igreja dessa cidade.  A profetiza “Ammia” celebrizou-se ali entre os anos 100 e 160 d.C.  Em tempos posteriores Filadélfia tornou-se sede de um bispo e no século XIII era o centro cristão da Lídia, sendo a residência de um arcebispo.  Caiu em poder dos  turcos no ano 1390, e depois foi conquistada por Tamerlão, em 1402.  Este soberano construiu um muro com os cadáveres das vítimas da tomada de Filadélfia.  Isso não arrefeceu a firmeza dos cristãos e sua determinação de permanecer leais a sua religião.  Mesmo depois que os turcos se apoderaram do país, e o cristianismo na Ásia Menor foi perecendo lentamente, Filadélfia continuou sendo uma cidade cristã, como Esmirna.  Constitui notável característica que as duas cidades, Esmirna e Filadélfia, que retiveram seu caráter e população cristã por mais tempo que as outras cidades da Ásia Menor, são as cidades cujas igrejas foram tão puras e irrepreensíveis no tempo do apóstolo João, que as cartas escritas para elas são as únicas que não contêm palavras de repreensão.  O cristianismo sobrevive nessa cidade até o presente; ali existem cinco igrejas cristãs.  O historiador Gibbon diz que entre as igrejas da Ásia, Filadélfia permanece erguida, uma coluna numa paisagem de ruínas, um exemplo agradável de que os caminhos da honra e segurança podem às vezes ser o mesmo. Edward Gibbon, The Decline and Fall of the Roman Empire, vol. 4, 381.

A mensagem
 
“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Daví; o que abre, e ninguém fecha e fecha e ninguém abre.  Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e  ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha Palavra, e não negaste o meu nome” (Apoc. 3:7, 8).
 
“Mostrou-se-me então que os Mandamentos de Deus e o Testemunho de Jesus Cristo com referência à porta fechada não podiam ser separados, e que o tempo para os Mandamentos de Deus brilharem em toda a sua importância, e para o povo de Deus ser provado sobre a verdade do sábado, seria quando a porta fosse aberta no lugar Santíssimo do Santuário Celestial, onde está a arca que contém os Dez Mandamentos.  Esta porta não foi aberta até que a mediação de Jesus no lugar Santo do Santuário terminou em 1844.  Então Jesus Se levantou e fechou a porta do lugar Santo e abriu a porta que dá para o Santíssimo, e passou para dentro do segundo véu, onde permanece agora junto da arca . . .” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 42.

“Vi que Jesus havia fechado a porta do lugar Santo, e que nenhum homem poderia abri-la; e que Ele havia aberto a porta para o Santíssimo, e que homem algum podia fechá-la (Apoc.3:7 e 8); e que uma vez que Jesus abrira a porta do Santíssimo, onde está a arca, os mandamentos têm estado a brilhar para o povo de Deus, e eles estão sendo testados sobre a questão do sábado.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 42.

“Viam agora que estavam certos em crer que o fim dos 2300 dias em 1844 assinalava uma crise importante.  Mas, conquanto fosse verdade que se achasse fechada a porta da esperança e graça pela qual os homens durante mil e oitocentos anos encontraram acesso a Deus, outra porta se abrira, e oferecia-se o perdão dos pecados aos homens, mediante a intercessão de Cristo no lugar Santíssimo.  Encerrara-se uma parte de seu ministério apenas para dar lugar a outra.  Havia ainda uma 'porta aberta' para o Santuário Celestial, onde Cristo estava a ministrar pelo pecador.  Via-se agora a aplicação das palavras de Cristo no Apocalipse, dirigidas à igreja, nesse mesmo tempo: 'isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre.  Eu sei as tuas obras; e eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar'  (Apoc. 3:7, 8).” Ellen G. White, O Grande Conflito, 429, 430.
 
O Santuário Celestial é o próprio centro da obra de Jesus em favor dos homens, sendo também o centro das mensagens de Apocalipse.  A mensagem dirigida à igreja de Filadélfia prepara o mundo para a hora do juízo no período de Laodicéia. O Santuário terrestre era uma figura ou modelo do celestial, a lei depositada na arca, na Terra, era uma transcrição exata da lei na arca, que está no Céu (Apoc. 11:19). A aceitação da verdade concernente ao Santuário Celestial envolve o reconhecimento dos requisitos da lei de Deus, e da obrigatoriedade do sábado do quarto mandamento. A revelação da segunda fase do ministério de Jesus no Santuário Celestial, o Juízo, requeria uma revelação da Santa Lei de Deus, a norma do juízo. Na mensagem à Filadélfia Jesus disse fechar uma porta e abrir outra.  Os homens procuravam fechar a porta que Jesus havia aberto, e abrir a que Ele fechara.
 
“A porta que Jesus abre para a igreja de Filadélfia tem sido basicamente interpretada . . . como a oportunidade para pregar o evangelho (1 Cor. 16:9; 2 Cor. 2:12; Col. 4:3)” mas “o contexto da carta não é o trabalho missionário, e sim a recomendação para manter a constância e paciência que a igreja teve no passado (Apoc. 3:10-11).  O principal propósito destas mensagens é ajudar a igreja a passar através do teste final e juízo (v. 10).  Além disso, em contraste com a porta evangélica que cada ser humano pode fechar (Apoc. 3:20; Mateus 23:13; Lucas 11:52), esta porta que Jesus abre não pode ser fechada.” Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 507
 
“Cristo abrira a porta, ou o ministério, do lugar Santíssimo; resplandecia a luz por aquela porta aberta do Santuário Celestial, e demonstrou-se estar o quarto mandamento incluído na lei que ali se acha encerrada; o que Deus estabeleceu ninguém pode derribar.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 435.

“Vi que a presente prova do sábado não poderia vir até que a mediação  de Jesus no lugar Santo terminasse e Ele passasse para dentro do segundo véu; portanto, os cristãos que dormiram antes que a porta do Santíssimo fosse aberta, ao terminar o clamor da meia noite, no sétimo mês de 1844, e que não haviam guardado o verdadeiro sábado, agora repousam na esperança, pois eles não tiveram a luz, nem a prova sobre o sábado que nós agora temos desde que a porta se abriu.  Vi que Satanás estava tentando alguns do povo de Deus neste ponto.  Pela razão de tantos bons cristãos terem descansado nos triunfos da fé sem terem guardado o verdadeiro sábado, eles estavam duvidando sobre o ser ele uma prova para nós aora. Os inimigos da verdade atual têm estado a tentar abrir a porta do lugar Santo, a qual Jesus fechou, e a fechar a porta do Santíssimo, que Ele abriu em 1844, onde a arca está, contendo as duas tábuas de pedra nas quais estão os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Jeová.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 43.
Uma Porta Aberta Para as Missões Estrangeiras  

Aqui está um interpretação secundária mas que vale a pena considerar. O final do século XVIII deveria testemunhar a inauguração de um dos mais poderosos movimentos que o mundo já viu: o esforço dos poderes da cristandade em enviar mensageiros para a evangelização do mundo e para dar a Palavra de Deus a todos os povos que se achavam em escuridão.  Foi um sermão pregado por Guilherme Carey em Nothingham, na Inglaterra, no dia 31 de maio de 1792, que impeliu a centelha cujo destino era incendiar os corações dos cristãos em todas as igrejas e países.  Carey era um simples sapateiro que se tornou o Pai das Missões Modernas. Chegando à Índia abriu ali uma escola que hoje é uma Universidade. Desta escola ele enviava seus pregadores. Ali Carey permaneceu por toda a vida sem nunca tirar férias. Com seus auxiliares traduziu a bíblia em 35 diferentes idiomas da Índia.  Em 1807 Robert Morrison partiu para a China, e dez anos mais tarde Robert Moffat seguia para a África e a seguir Davi Livingstone.  

“Julgado segundo os seus resultados momentosos e seu vasto alcance, este sermão (Guilherme Carey) deve ser considerado como um dos principais da história cristã, secundado apenas pelo sermão da montanha.  Tendo Isaías 54:2, 3 como texto, ele prosseguiu em desdobrar as duas subdivisões incomparáveis e imortais, 'esperai grandes coisas de Deus' e eminentemente como só Carey, do princípio ao fim unindo obras incansáveis à uma fé de aço, 'empreendeu grandes coisas para Deus.'  Nessa hora jamais esquecida, os desejos de anos encontraram sua primeira completa expressão...

“Em janeiro de 1797, podia-se afirmar a respeito dos resultados amplos e distantes do fervor religioso.  'Cristãos de todos os cantos do país estão se reunindo de maneira regular e derramando as suas almas pelas bênçãos de Deus no mundo.'  E ainda: 'Os esforços de tanto êxito feitos para introduzir o evangelho nos Mares do Sul tiveram a mais poderosa influência para unir os devotos servos de Cristo de todas as denominações nos laços do amor fratenal.” Delavan L. Leonard, A Hundred Years of Missions, 75, 89.

“Os cristãos começaram a ver e a sentir que o Evangelho é mais do que ortodoxia... A era de reavivamentos, de missões, aos quais se seguiram esforços unidos para a conversão geral da humanidade, tais como não houve desde os primeiros tempos...  Havia grandes reavivamentos da vida e fraternidade entre os cristãos. Tudo isto vemos descrito na sexta epístola, e verificamos na história dos últimos cem anos.” J.A. Seiss, The Apocalypse, 197, 198.

Em 1784 havia somente vinte postos missionários protestantes no mundo, a metade dos quais nas mãos dos moravianos. A igreja cristã simplesmente não se interessava em missões. Quando Guilherme Carey numa convenção de ministros em 1786 apresentou a questão da obrigatoriedade dos ministros em levar a mensagem de Cristo a todas as nações, ele foi reprovado e pediram-lhe que se assentasse. As Sociedade Bíblicas se encarregaram de espalhar a Palavra de Deus no mundo todo:

•       em 1804 foi organizada a Sociedade Bíblica Britânica

•       em 1816 foi oraganizada a Sociedade Bíblica Americana

•       e em seguida foram organizadas as Sociedades Bíblicas Escocesa e Alemã.   

Um breve resumo das atividades missionárias que irromperam das forças da Cristandade em seguida ao momentoso sermão de Carey de 1792, dá-nos uma idéia do poder missionário que cobre o período de Filadélfia.

1792 - Panfleto de Carey sobre as obrigações dos cristãosquanto às missões; 1 J.A. Seiss, The Apocalypse, 197, 198.

1792   - Organização da Sociedade Missionária Batista;

1793   - Guilherme Carey navega para a Índia;

1793 - Fundação da Sociedade Escocesa de Colportagem e tratados;

1794 - Primeiro número da The Evangelical Magazine, uma publicação missionária;

1795 - Organização da Sociedade Missionária de Londres;

1796 - Estabelecimento da Sociedade Missionária de Nova York;

1796  - Viagem do Duff, um navio missionário à vela com vinte e nove missionários para os Mares do Sul;

1797  - Organização da Sociedade Missionária dos Países Baixos;

1798  - Viagem do navio Duff com quarenta e seis missionários;

1799  - Fundação da Sociedade Missionária da Igreja;

1799 - Estabelecimento da Sociedade Inglêsa de Tratados Religiosos;

1800 - Estabelecimento da Escola Missionária Janique em Berlim;

1802 - Fundação da Sociedade Missionária Batista em Massachusetts;   

1804 - Organização da Sociedade Bíblica Britânica eEstrangeira;   
1806 - Grupo do Monte de Feno inicia suas atividades noWilliams College;
   
1807 - Robert Morrison embarca para a China;   
         
1810 - Organização da Comissão Americana de Comissáriospara as Missões Estrangeiras;    

1812 - Henry Martyn embarca para a Pérsia e Arábia;   

1812 - Adoniram Judson inicia o trabalho em Burma;  

1814 - Organização na América da União Missionária Batista;    

1815 - Fundação do Instituto Missionário em Basel;  

1816 - John Williams navega para as Ilhas Sociedade;  

1816 - Organização da Sociedade Bíblica Americana;  

1816 - Estabelecimento da Sociedade Wesleiana;  

1817 - Robert Moffat embarca para a África;

1818 - Fundação da Sociedade Britânica de Marinheiros Estrangeiros;  

1820 - Hiram Bingham embarca para o Havaí;  

1824 - Estabelecimento da Sociedade Missionária de Berlim;  

1825 - Fundação da Sociedade Americana de Folhetos;  

1828 - O rganização da Sociedade Americana dosMarinheiros;  

1829 - Alexandre Duff embarca para a Índia;

1834 - Primeira Sociedade Missionária de Estrangeiros feminina, é formada em Londres;

1836 - Marcos Whitman parte como missionário aos Índios de Oregon;  

1840 - Davi Livingstone inicia o seu trabalho na África; 1844 - João Ludgig Krapf parte para a África Oriental.

O período de Filadélfia é descrito de maneira positiva porJesus em Apoc. 3:8 quando Ele diz: “tendo pouca força, guardaste a minha Palavra e não negaste o meu nome.” Filadélfia não foi somente um tempo de notável atividade na obras das missões cristãs e na distribuição da Bíblia, mas foi também um período muito importante no cumprimento da profecia bíblica e de espera pelo breve advento de Jesus. O cumprimento dos sinais dados por Jesus:

1. o escurecimento do sol em 19/05/1780;

2. a lua tornou-se como sangue em 19/05/1780;

3. a queda das estrelas  em 13/11/1833.

Estes sinais serviram para despertar o mundo para a proximidade do Juízo e da Volta de Jesus. Em partes longínquas e espalhadas do mundo, homens começaram a examinar a Palavra de Deus, e, independentemente uns dos outros, chegaram à conclusão de que o fim estava realmente perto.

1800 - George Richards distribui as Preleções de Bampton, A Defesa e Ilustração da Origem Divina da Profecia;

1806 - Publicação das Dissertações de Faber sobre as Profecias;  

1812 - Publicação do livro de Lacunza, A Segunda Vinda do Messias em Glória e Majestade;  

1813 - Publicação de Cunningham, Dissertação sobre os Selos e Trombetas;

1814 - Publicação de Hatley Frere, União Conjunta dasProfecias de Cristo;

1821 - A doutrina da Vinda do Senhor é ensinada por um sacerdote na Tartária;

1821 - José Wolff inicia a proclamação da breve Vinda de Jesus ao redor do mundo;

1823 - Publicação de Edward Irving: O Juízo Vindouro;

1824 - Publicação de Leonard Heinrich Kelber: O FimPróximo;             
   
1826 - Iniciaram-se reuniões anuais no Albury Park, Surrey daqueles que estavam interessados no breve advento de Jesus;

1828  - Publicação de Alexandre Keith: Evidências da Verdade da Religião Cristã, Derivadas do cumprimento Literal da Profecia;

1829  - Publicação de Archibald Mason: Dois Ensaios sobre os Números Proféticos dos 2300 Dias de Daniel e o Dever dos Cristãos de Investigar o Libertamento da Igreja;

1829 - Início de uma publicação profética trimestral, Vigia Matinal;

1830 - O ministro de maior capacidade da Holanda, Sr. Hentzepeter publicou um panfleto sobre o fim do mundo;

1831 - Publicação de Edward Irving: Exposição do Livro de Apocalipse;

1831 - W. E. Davis de Carolina do Sul começou a proclamar o segundo advento de Jesus;

1831 - Guilherme Miller começa a pregar a mensagem do advento;

1836 - Publicação das preleções de Guilherme Miller emforma de livro;

1838 - Publicação de Josias Litch: O Clamor da Meia Noite;

1840 - Publicação de Sinais dos Tempos;

1840 - Primeira conferência geral de crentes adventistas mileritas em Boston;   

1842 - Publicação de Josué Himes: O Clamor da Meia Noite;

1843 - Pregação pelas crianças da Suécia sobre a breve vinda de Jesus.

“Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus e não são, mas mentem; eis que Eu farei que venham e adorem prostrados a teus pés e saibam que Eu te amo” (Apoc. 3:9).

Ellen G. White, escrevendo a um senhor sobre o texto de Apoc. 3:9, diz: “O senhor acha que aqueles que adoramprostrados aos pés dos santos (Apoc. 3:9), serão salvos no final.  Nisto tenho que discordar do senhor, pois Deus mostrou-me que esta classe é de adventistas nominais que já caíram, já crucificaram de novo o Filho de Deus, e O expuseram ao vitupério público. E na hora da tentação que está para vir, para expor o verdadeiro caráter de cada um, eles conhecerão que estão perdidos para todo o sempre; e oprimidos, angustiados de espírito, eles cairão aos pés dos santos.” Ellen G. White, A Word to the Little Flock, 12.

“Como guardaste a Palavra da minha paciência, também Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Apoc. 3:10).  

“Está iminente diante de nós a 'hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra' (Apoc. 3:10). Todos aqueles cuja fé não estiver firmemente estabelecida na Palavra de Deus, serão enganados e vencidos... Os que sinceramente buscam o conhecimento da verdade e se esforçam em purificar a alma pela obediência, fazendo assim o que podem a fim de preparar-se para o conflito, encontrarão refúgio seguro no Deus da verdade. ‘Como guardaste a Palavra da minha paciência, também Eu te guardarei,' é a promessa do Salvador.  Mais fácil seria enviar Ele todos os anjos do céu para protegerem Seu povo do que deixar a alma que Nele confia ser vencida porSatanás.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 560.

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Apoc. 3:11).  

“O trono e a coroa são os penhores de uma condição atingida; são os testemunhos da vitória sobre o próprio eu por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 408.

“A quem vencer, Eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do Meu Deus, a Nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 3: 12-13).

“Na perda de Éfeso, os cristãos lamentaram a queda do primeiro anjo, a extinção do primeiro castiçal das revelações; desolação é completa; igualmente o templo de Diana ou igreja de Maria passará despercebida ao exame do viajante curioso.  Os três imponentes teatros de Laodicéia, e o circo, são agora povoados de leões e raposas; Sardes está reduzida a um vilarejo miserável; em Pérgamo e Tiatira o Deus de Maomé, sem rival ou filho, é invocado nas mesquitas; e a vasta população de Esmirna é sustentada pelo comércio estrangeiro de francos e de armênios. Somente Filadélfia foi salva pela profecia ou pela coragem. Distante do mar, esquecida dos imperadores, circunscrita por todos os lados pelos turcos, os seus valentes habitantes defenderam a sua liberdade e a sua religião por mais de oitenta anos; embora capitulassem, por fim, diante dos altivos otomanos.  Mas, por entre as colônias gregas e as igrejas da Ásia, Filadélfia ainda permanece; uma coluna numa cena de ruínas; um exemplo admirável de que os caminhos da honra e da segurança podem ser os mesmos muitas vezes.” Edward Gibbon, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, vol. 6, cap. LXIV, 229.
 Laodicéia
 
“E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu; Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a ergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como Eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 3:14-22).        
 
A cidade
 
A cidade de Laodicéia fica cerca de 65 km a sudoeste de Filadélfia e uns quatrocentos e cinqüenta quilômetros de Éfeso.  Laodicéia foi fundada por Antíoco II da casa real dos reis conhecidos como selêucidas. A cidade recebeu o nome de Laodicéia em honra à esposa de Antíoco II, que se chamava Laodice. Era uma cidade notavelmente rica. Era o centro de um sistema de bancos da Ásia Menor.  Os laodiceanos eram pessoas que depositavam sua confiança na prosperidade material, na ostentação e na saúde física. Era uma cidade circundada por fazendas, e no vale havia valiosa produção de lãs, de textura macia, de colorido negro, mas matizado, por assim dizer, com violeta. Vestes pretas eram quase que exclusivamente usadas pelos laodiceanos como evidência de sua riqueza.  Laodicéia também se destacava com importantes recursos de saúde; ostentava notáveis fontes térmicas e banhos de lodo; as águas minerais possuíam propriedades medicinais que atraíam muitos visitantes e doentes da Europa e Ásia. Estas águas, próprias para o banho, eram imprestáveis como bebida. Fontes térmicas em Hierápolis precipitavam-se por um despenhadeiro no outro lado de Laodicéia, e a água tornava-se morna no caminho.  
 
Uma importante escola de medicina situava-se no templo de Caru, dedicado a Esculápio, o deus grego da medicina.  Relacionada com a escola de medicina havia uma indústria para fabricação de um colírio medicinal especial, que era feito da famosa pedra frígia.
 
Em virtude de sua riqueza, os cidadãos eram orgulhosos, arrogantes e satisfeitos consigo mesmos.
 
“Não há cidade cujo espírito e natureza seja mais difícil de descrever do que Laodicéia. Não há extremos, e dificilmente fatos bem marcantes. Mas é exatamente nesse balanço que se encontra seu caráter peculiar. Foram estas as qualidades que contribuíram essencialmente para fazer dela uma próspera cidade comercial, a cidade das finanças e dos banqueiros, que se adaptava às necessidades e aos desejos dos outros, sempre flexível e acomodadora, cheia de espírito de compromisso.” W. M. Ramsay, The Letters to the Seven Churches of Asia, 422, 423.

A cidade acabou em ruínas e se encontra hoje sem habitante algum. Ruínas de três grandes teatros e o aqueduto ainda são visíveis.
 
Significado e período
 
Laodicéia é formada de duas palavras gregas: laos (povo), e dikaios (justo, direito, legal). Laodicéia significa “povo justo” ou “povo julgado.” O período da igreja de Laodicéia representa o sétimo e último período da história do cristianismo, especificamente o período do juízo e da volta de Jesus (1844 até a volta de Jesus). “Enquanto o período da sexta igreja marca o tempo da transição que direciona os olhos dos fiéis do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo, o período da sétima igreja é em si mesmo o tempo do juízo.” Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 521.
 
A igreja
 
A igreja de Laodicéia foi provavelmente fundada por companheiros de Paulo, enquanto o apóstolo estava trabalhando em Éfeso.  Paulo em sua carta à igreja de Colossos, expressa grande interesse e faz referência à igreja de Laodicéia e também a Hierápolis (Col. 2:1; 4:13,15). Uma carta foi enviada por Paulo a Laodicéia (Col. 4:16).  Paulo pediu que a sua carta aos colossenses também fosse lida em Laodicéia. A primitiva igreja de Laodicéia gozava de proeminência e importância.  Sagaris, seu bispo, foi martirizado em 166 d.C. Numerosos concílios da igreja foram ali realizados, entre eles o importante concílio de 364 d.C., no qual havia trinta e dois bispos presentes.  Neste concílio foi confirmada pela igreja a lei dominical feita por Constantino em 321. A igreja cristã de Laodicéia desapareceu completamente com o tempo.
 
A mensagem
 
A mensagem de Laodicéia é a última mensagem de Jesus à última igreja.  A profecia de Daniel 8:14 “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o Santuário será purificado,”  apresenta o maior período profético da Bíblia, os 2.300 anos, que iniciaram em 457 a.C., no sétimo ano do rei Artaxerxes, com a ordem para reedificar Jerusalém (Daniel 9:25; Esdras 7:7-8), e terminaram em 1844 d.C., quando iniciou realmente a purificação do Santuário Celestial, uma obra de juízo realizado no lugar santíssimo do Santuário do Céu. Este é o grande tema que será estudado nos próximos capítulos de Apocalipse:
 
Apoc. 4 - a sala do Juízo;
 
Apoc. 5 - o Livro do Juízo; o livro Selado com Sete Selos e a passagem de Jesus do lugar Santo para o lugar Santíssimo do Santuário Celestial (Apoc. 5:7);
 
Apoc. 6 até Apoc. 8 - o processamento do Juízo Investigativo e então o fim do juízo, o fechamento da porta da graça.  
 
O Movimento do Advento não teve início com uma voz solitária e independente. Pessoas de diversas igrejas, como luteranos, metodistas, batistas, congregacionais, presbiterianos e até mesmo católicos romanos fizeram parte desse poderoso reavivamento religioso. Guilherme Miller foi apenas um dentre quase noventa homens em mais de uma dúzia de países de quatro continentes, que ensinavam e criam que o fim da profecia dos 2.300 anos dar-se-ia entre 1843 e 1847. A Igreja Adventista não surgiu como organização separada. Foi um movimento designado por Deus para abranger a Terra.          
 
Lamentavelmente, no momento em que a igreja deveria estar mais desperta e reavivada, ela está morna, fraca e indiferente, inconsciente da solenidade do tempo do Juízo. A mensagem de Laodicéia aplica-se à Igreja Remanescente e também a todos os cristãos espalhados em todas as igrejas.  
 
Ellen G. White escreveu: “A advertência destinada à última igreja deve ser proclamada a todos os que pretendem ser cristãos. A mensagem de Laodicéia, semelhante a uma afiada espada de dois gumes, deve ir a todas as igrejas.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 6, 76, 77.
 
Também se aplica especificamente ao povo de Deus na atualidade. Por mais de um século os Adventistas do Sétimo Dia tem reconhecido que a mensagem aos laodiceanos também tem especial aplicação a eles mesmos. James White, Review and Herald, 16/10/1856.

“Foi-me mostrado que o testemunho dado aos laodiceanos se aplica ao povo de Deus da atualidade.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, 186.
 
“Se já houve algum povo que necessitasse de atender ao conselho da Testemunha Fiel e Verdadeira à igreja de Laodicéia para que se arrependa diante de Deus e seja zeloso, este povo é o que tem aberto diante de si as estupendas verdades para este tempo, e que não tem vivido segundo os seus altos privilégios e responsabilidades.” Ellen G. White, Review and Herald, 04/06/1889.

“Pode algum homem examinar minuciosamente a professa igreja dos nossos dias e dizer que não chegamos ao tempo de Laodicéia? Não é a voz deste cristianismo nosso que diz: 'Rico sou e estou enriquecido, e de nada tenho falta?' E não é igualmente fato que este mesmo cristianismo nosso é um 'desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu?' Encontraria o 'Mene, mene, tekel ufarsin' do palácio de Belsazar melhor aplicação aos pagãos da antiguidade do que a esta moderna babilônia cristã?” J. A. Seiss, The Apocalypse, vol. 1, 200, 201.

Somente serão salvos no período de Laodicéia aqueles que ainda conservam o espírito de Filadélfia, amor fraternal, uma ardente paixão por Jesus e por aqueles por quem Ele morreu.
 
“Isto diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apoc. 3:14).
 
O princípio da criação de Deus do grego arche, é uma palavra que tem dois sentidos, passivo e ativo. No sentido passivo, esta frase estaria dizendo que Jesus foi o primeiro ser criado. Mas, obviamente, esta não seria uma compreensão correta, considerando-se que a Bíblia deve ser explicada pela própria Bíblia. Temos outros textos bíblicos que mostram que Jesus, em vez de ser o primeiro ser criado, foi Ele, sim, o Criador de todas as coisas, foi ele quem deu princípio, início à obra da criação.
 
“Porque Nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele” (Col. 2:16-17).

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.  Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3).
 
Considerando os demais textos bíblicos que mostram Jesus como o Autor da criação, Aquele através de quem Deus fez todas as coisas (Hebreus 1:2), o texto de Apoc. 3:14 deve ser entendido no sentido ativo, isto é, o princípio da criação, o autor, Aquele que deu início à obra da criação, a primeira causa.  Sendo assim, este verso está dizendo o que toda a Bíblia diz, que Jesus é o Criador de todas as coisas.
 
“Eu sei as tuas obras que nem és frio nem quente: oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apoc. 3:15-16).
 
Essa linguagem era muito familiar aos cristãos laodiceanos.  Fontes térmicas em Hierápolis precipitavam-se por um despenhadeiro, em forma de cascata, no outro lado de Laodicéia. Bem quentes quando fluíam de Hierápolis, essas águas tornavam-se menos aquecidas ao atravessarem o vale de Lycus antes de atingirem a cidade de Laodicéia, cerca de 10 km de distância e, ao chegarem às vizinhanças da cidade, já se apresentavam mornas. Essas águas, embora excelentes para os banhos medicinais, eram impróprias para serem bebidas. A fonte de água de Laodicéia não era de água quente ou fria, mas morna. A torre de água da cidade era abastecida com água morna. Sendo assim, a água morna era um fenômeno familiar aos laodiceanos, e representava também a condição espiritual deles.  
 
A palavra grega para frio é psuchros e significa frio ao ponto de congelamento. A palavra grega para quente é zestos e significa quente ao ponto de ebulição.  Para morno temos a palavra grega chliaros que traz a idéia de efeito nauseante.
 
Essa mensagem aplica-se especificamente aos cristãos que vivem sobre a terra exatamente no período do juízo préadvento, de 1844 até a volta de Jesus. A condição de mornidão espiritual é pior que a condição fria dos incrédulos, ou dos ateus. O cristianismo morno conserva muito da sua forma, e mesmo muito do seu conteúdo, porém nada do seu poder. Os cristãos laodiceanos da atualidade estão contentes com suas realizações e orgulhosos dos pequenos progressos que a igreja tem feito. É quase impossível convencê-los da pobreza espiritiual em que se encontram.  
 
Considerando-se que a mensagem dirigida às sete igrejas reflete o curso da história da Igreja Cristã, a sétima mensagem então se refere à experiência espiritual da igreja nos últimos dias. “Teria sido mais aprazível diante de Deus se os mornos professos de religião, nunca tivessem mencionado Seu nome.  Eles são um contínuo atrapalho para aqueles que querem ser fiéis seguidores de Jesus. Eles são uma pedra de tropeço para os descrentes.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, 188.

A mensagem à igreja de Laodicéia aplica-se de modo mais decidido aqueles cuja experiência religiosa é insípida, que não dão decidido testemunho a verdade.
 
Oxalá foras frio - se a condição de Laodicéia fosse fria, o Espírito de Deus poderia convencê-la mais prontamente de sua condição de perigo; “mas, porque és morno, vomitar-te-ei;” a água morna produz náuseas, vômito.  “Se fosses frio, então haveria alguma esperança de te converteres; mas quando alguém se cinge de justiça própria em lugar da justiça de Cristo, o engano é tão difícil de ser visto, e a justiça própria tão dura de ser abandonada, que o caso é o mais difícil de se decidir. Um pecador sem Deus, não convertido, está em mais favorável condição que um tal.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, 176.
 
“O frio que o Mestre prefere em lugar da mornidão é como o de um pagão não regenerado que nunca sentiu o toque de uma vida espiritual. Isto não significa negativamente frio, mas gelado, sem jamais ter sido esquentado ou misturado com o quente. Cristo prefere que os laodiceanos sejam, antes, cristãos ou pagãos que terem compromissos com ambos.” Taylor G. Bunch, The Seven Epistles do Christ, 221.
 
“A única esperança para os laodiceanos é uma clara visão de sua condição diante de Deus, o conhecimento da natureza de sua enfermidade. Nem são frios nem quentes; ocupam uma posição neutra e, ao mesmo tempo, lisonjeiam-se de não necessitar de coisa alguma. A Testemunha Verdadeira aborrece essa mornidão.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 476.
 
“A mensagem laodiceana aplica-se ao povo de Deus que professa crer na verdade presente. A maior parte são professos mornos, tendo nome mas faltando-lhes o zelo... Professam amar a verdade, todavia são deficientes no fervor e no devotamento cristãos.  Não ousam desistir inteiramente e correr o risco dos incrédulos; não se acham, entretanto, dispostos a morrer para o próprio eu e seguir exatamente os princípios de sua fé... Não são desinteressados nem egoisticamente obstinados. Não se empenham inteiramente e de coração na obra de Deus, identificando-se com Seus interesses; mas se mantêm afastados e estão prontos a deixar seus postos quando os interesses mundanos pessoais o exijam. Carecem da obra interior da graça no coração.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 476-477.
 
“A igreja em seu estado de mornidão está dividida entre Cristo e o mundo. Ela é religiosa demais para separar-se inteiramente do nome de Jesus, e é mundana demais para tomar posição firme e unida a Ele.  Há muita pretensão, mas pouco cristianismo genuíno. As obras são abundantes, mas a fé é escassa; as profissões abundam, mas não há senão muito pouco de vida espiritual para corresponder. Prazeres mundanos e vidas levianas acham-se intimamente associadas com a Ceia do Senhor e a assim chamada benevolência cristã.” Taylor G. Bunch, The Seven Epistles of Christ, 222.
 
“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apoc. 3:17).  
 
Poderiam quaisquer palavras serem mais descritivas de nossa época do que estas? “O povo de Deus é representado na mensagem aos laodiceanos como em uma posição de segurança carnal.  Estão a gosto, acreditando-se em exaltada condição de consecuções espirituais... Carecemos muito, porém, da humildade, paciência, fé, amor e abnegação, vigilância e espírito de sacrifício bíblicos... O pecado domina entre o povo de Deus. A positiva mensagem de repreensão aos laodiceanos não é acatada... Faltam-lhes quase todos os requisitos necessários ao aperfeiçoamento do caráter cristão.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 327, 328.
 
“Muitos que professam estar esperando a breve volta de Cristo estão se conformando com este mundo e procurando mais ansiosamente os aplausos dos que se acham ao seu redor do que a aprovação de Deus. São frios e formais, semelhantes às igrejas nominais das quais há pouco tempo se separaram. As palavras dirigidas à igreja de Laodicéia descrevem perfeitamente a sua condição atual.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 107.
 
Muitos destes professos cristãos vestem-se, falam e agem como o mundo, e a única coisa pela qual podem ser reconhecidos é pela profissão que fazem. Embora professem estar esperando a Cristo, a sua conversação não está no céu, mas em coisas terrenas... É evidente que muitos que trazem o nome de Adventistas estudam mais como enfeitar os seus corpos e parecer bem aos olhos do mundo, do que o fazem para aprender como conseguir ser aprovados por Deus, através de Sua Palavra.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 107,108.
 
“Alguns descansam sobre a experiência que tiveram anos atrás; mas quando trazidos a este tempo de exame do coração, quando todos deverão ter uma experiência diária, não terão nada para relatar. Eles parecem pensar que professar a verdade os salvará.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, 188.
 
“Não devemos, nem por um momento, pensar que não há mais luz, mais verdade, para nos ser transmitida. Achamo-nos em perigo de tornar-nos negligentes, por nossa indiferença, perdendo o poder santificador da verdade, e tranquilizandonos com o pensamento: 'Rico sou e estou enriquecido, e de nada tenho falta.' (Apoc. 3:17). Conquanto devamos nos manter firmes às verdades que já recebemos, não devemos olhar com suspeita qualquer nova luz que Deus nos envie.” Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, 310.
 
“Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para a alma humana como o orgulho e a presunção.  De todos os pecados é o que menos esperança incute, e o mais irremediável.” Ellen G. White, Parábolas de Jesus, 154.
 
Erroneamente a igreja de Laodicéia considera as atividades como se fossem sinônimo de piedade.
 
“É então Laodicéia uma vítima de alucinações espirituais?  Pensamos que não. Qual, então, é a razão porque Deus, contemplando a condição da igreja de Laodicéia, vê uma coisa, enquanto que Laodicéia, considerando sua própria situação, vê uma condição inteiramente diferente? A razão está no fato de que Deus e Laodicéia estão olhando na realidade duas coisas diferentes. Ela inclina-se a olhar as suas realizações, que são bem consideráveis.  Pensa nos seus missionários nos confins da terra. Evoca os hospitais e dispensários que a sua riqueza edificou e que a sua generosidade mantém.  Ela contempla as escolas, colégios e faculdades em que se propõe a guiar sua juventude no caminho do que é direito. Conta as suas publicações e editoras, estabelecidas para iluminar o mundo.  Lembra-se das imponentes casas de culto, construídas em muitas cidades de muitos países. Conta o seu corpo de membros e examina as suas ofertas. Seus pensamentos recuam para o princípio humilde e esquadrinham com um orgulho inconsciente e sutil os anos de crescimento, de progresso, de expansão. É um quadro esplêndido. Laodicéia é feliz, é complacente. Tem uma doutrina infalível, uma organização competente, uma mensagem triunfante.” Gwynne Dalrymple, “The Church of Laodicea,” Signs of the Times, 04/11/1933.
 
“Na opinião dos rabinos, o mais alto grau da religião mostrava-se por contínua e ruidosa atividade. Dependiam de alguma prática exterior para mostrar sua superior piedade... O mesmo perigo existe ainda hoje. À medida que aumenta a atividade e os homens são bem sucedidos em realizar alguma obra para Deus, há risco de confiar em planos e métodos humanos. Vem a tendência de orar menos e ter menos fé. Como os discípulos, arriscamo-nos a perder de vista nossa dependência de Deus, e buscar fazer de nossa atividade um salvador.” Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 268.
 
“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” (Apoc. 3:18).
 
A atividade comercial que tornou a cidade de Laodicéia famosa está aqui representada. Os três principais ramos de negócios da cidade eram:
 
1. Era o centro de um sistema bancário para toda a região.  Grandes riquezas estavam acumuladas em Laodicéia. Eles eram orgulhosos, arrogantes e auto suficientes por causa da riqueza. Eles diziam: Nós temos ouro, não precisamos de mais nada.
 
2. O segundo ramo comercial de Laodicéia era o mercado de lã preta. Eles fabricavam a lã preta que era usada na confecção de finos vestuários. Jesus diz: A despeito disso, vocês estão nus.
 
3. A terceira atividade comercial era a fabricação de um colírio medicinal para os olhos. Laodicéia era um centro de medicina. Os viajantes que viajavam pelo deserto sob o sol causticante, e o vento com areia ferindo os olhos, encontravam em Laodicéia um excelente colírio para os olhos.
 
1. O ouro provado no fogo - “O ouro provado no fogo é a fé queO Desejado de Todas as Nações, 268. opera por amor.  Somente isto nos pode por em harmonia com Deus.” Ellen G. White, Parábolas de Jesus, 158.

“A fé e o amor são áureos tesouros, elementos de que há grande carência entre o povo de Deus.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 330.

“O ouro aqui recomendado como tendo sido provado no fogo, é fé e amor.  Ele enriquece o coração; pois foi purgado até tornar-se puro, e quanto mais é provado, tanto mais intenso é seu brilho.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 477.
 
2. Vestidos brancos - “Os vestidos brancos são a pureza de caráter, a justiça de Cristo comunicada ao pecador. É na verdade uma vestimenta de textura celeste, que só se pode comprar de Cristo por uma vida de voluntária obediência.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 478.
 
“Pela veste nupcial da parábola é representado o caráter puro e imaculado que os verdadeiros seguidores de Cristo possuirão.  Foi dado à igreja 'que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente,' 'sem mácula nem ruga nem coisa semelhante.'  O linho fino, diz a Escritura, 'é a justiça dos santos.' A justiça de Cristo, seu próprio caráter imaculado é, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal...
 
“Ao nos sujeitarmos a Cristo, nosso coração se une ao Seu, nossa vontade imerge em Sua vontade, nosso espírito torna-se um com Seu espírito, nossos pensamentos serão levados cativos a Ele; vivemos Sua vida. Isto é o que significa estar trajado com as vestes de Sua justiça. Quando o Senhor nos contemplar, verá não o vestido de folhas de figueira, não a nudez e deformidade do pecado, mas Suas próprias vestes de justiça que são a obediência perfeita à lei de Jeová.” Ellen G. White, Parábolas de Jesus, 310, 312.
 
3. Unjas os teus olhos com colírio - “Deixem que a graça divina lhes ilumine as trevas, e as escamas lhes cairão dos olhos, e compreenderão sua verdadeira pobreza e miséria espiritual.  Sentirão a necessidade de comprar ouro, que é a fé e o amor puros; vestidos brancos que é um caráter imaculado, purificado pelo sangue de seu querido Redentor; e colírio, a graça de Deus, a qual lhes dará claro discernimento das coisas espiritais, e indicará o pecado.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol.1, 329.
 
O colírio espiritual oferecido por Jesus é o colírio do Espírito Santo que nos habilita a distinguir entre o mau e o bem, e perceber o pecado sob qualquer disfarce. Os laodiceanos vangloriam-se de um profundo conhecimento da verdade bíblica, uma profunda visão das Escrituras. Eles não são totalmente cegos, se assim fosse, o colírio não teria nenhum valor para lhes restaurar a visão.  
 
A maior necessidade do povo de Deus hoje é o batismo diário do Espírito Santo. É o Espírito Santo que convence do pecado, da verdadeira condição de pobreza espiritual em que a igreja se encontra. É o Espírito Santo que ilumina a mente, mostra a enfermidade, convence do pecado e dá o arrependimento.  O objetivo da mensagem de Laodicéia é causar o arrependimento.
 
“Eu repreendo e castigo, a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te” (Apoc. 3:19).
 
O objetivo da mensagem de Laodicéia não é causar desespero, desesperança, desânimo ou frustração; o objetivo não é também condenar, mas salvar. É uma mensagem de reprovação, mas o objetivo da repreensão é trazer a igreja ao lugar em que se arrependa e se salve.
 
“Está destinada a despertar o povo de Deus, descobrir-lhe a apostasia, e levar a um zeloso arrependimento, para que possa ser agraciado com a presença de Jesus, e preparado para o alto clamor do terceiro anjo.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 1, 186.
 
“A mensagem de Laodicéia apresenta um quadro bem negro da igreja da atualidade e seria desesperador, esmorecedor se não fosse o fato de que a reprovação fosse uma reprovação de amor.  A mensagem de Laodicéia é uma mensagem que provémDaquele que muito ama a humanidade.  Nela se faz uma grande diferença entre ser uma reprovação expressa em ira e amor, ter como objetivo ferir e destruir, ou sarar e restaurar.  Aqueles que usam a mensagem de Laodicéia para acusar e desencorajar, estão fazendo um uso totalmente errado da mensagem. Jesus somente reprova e castiga os laodiceanos porque eles Lhe são muito caros.” Taylor G. Bunch, The Seven Epistles of Christ, 242, 243.
 
“Os ministros que pregam a verdade presente não devem negligenciar a solene mensagem dirigida aos laodiceanos.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 332.

O povo de Deus precisa ver os seus erros e despertar num zeloso arrependimento. É fácil aceitar a reprovação se aqueles que a administram são controlados não pela ira ou inveja mas por um amor que sempre age em favor dos melhores desejos daqueles que são reprovados. A reprovação de genuíno amor desperta uma resposta de amor.  
 
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apoc. 3:20).
 
A igreja de Laodicéia possuía tudo, exceto a Jesus. Ele estava do lado de fora tentando entrar.  Esta é uma condição realmente deplorável. Podemos possuir o  melhor sistema organizacional do mundo, as melhores escolas e hospitais, o melhor e mais seguro corpo de doutrinas bíblicas, mas, se não possuirmos a Jesus, estaremos perdidos. A resposta ao convite de Jesus não é uma resposta da igreja como um todo, mas individual.
 
“Cristo nunca força a Sua companhia junto de ninguém.  Interessa-Se pelos que Dele necessitam. Com prazer penetra no mais modesto lar, e anima o mais humilde coração. Mas se oshomens são demasiado indiferentes para pensar no Hóspede celestial, ou pedir-lhe que neles habite, Ele passa.” Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 595, 596.
 
“Vi que muitos têm tanto lixo acumulado à porta do coração, que não a podem abrir. Alguns têm desinteligências a remover entre eles e os irmãos.  Outros têm mau gênio, ambição egoísta para afastar antes de poderem abrir a porta.  O utros rolam o mundo para a porta do coração, o que a barra. Todo esse entulho deve ser removido, e então poderão abrir a porta e dar aí as boas vindas ao Salvador.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 1, 42.
 
“Quando a alma se rende inteiramente a Cristo, novo poder toma posse do coração. Opera-se uma mudança que o homem não pode absolutamente operar por si mesmo. É uma obra sobrenatural, introduzindo um sobrenatural elemento na natureza humana. A alma que se rende a Cristo, torna-se Sua fortaleza, mantida por Ele num revoltoso mundo, e é Seu desígnio que nenhuma autoridade seja aí conhecida senão a Sua.  Uma alma assim guardada pelos seres celestiais, é inexpugnável aos assaltos de Satanás.” Ellen G. White, Desejado de Todas as Nações, 239.
 
“Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como Eu venci, e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 3: 21, 22).
 
Jesus não diz que os vencedores se assentarão no trono do Seu Pai, mas sim, no Seu trono, o trono de Jesus. Ele está hoje assentado no trono do Seu Pai, até que todas as coisas estejam sujeitas a Ele, e Satanás seja aniquilado.
 
“Depois virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força.”   

“Porque convém que reine (Jesus no trono do Pai) até que haja posto a todos os inimigos debaixo de Seus pés.” “Ora o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.” “Porque todas as coisas sujeitou debaixo de Seus pés.  Mas quando diz que todas as coisas Lhe estão sujeitas, claro está que se excetua Aquele (o Pai) que Lhe sujeitou todas as coisas.” “E quando todas as coisas Lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho Se sujeitará Àquele que todas as coisas Lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” ( I Cor. 15:24-28).
 
Quando Satanás for definitivamente destruído, e a morte aniquilada, então JesusSe sujeitará ao Pai voluntariamentre. O Pai continuará no comando do Universo enquanto o Filho, o Deus-Homem, Aquele que assumiu para todo o sempre a natureza humana, lingando-Se a nós por laços que jamais se partirão, continuará para todo sempre como o segundo Adão, reinando na Terra, na Nova Jerusalém, assentado sobre o Seu trono, conquistado pelo Seu próprio sangue. Neste trono, todos os vencedores se assentarão com Jesus. Jesus será para todo sempre o Eterno e Legítimo Representante da Família Humana. “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o Seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus” (Apoc. 21:3) Em Apoc. 22:1 e 3 Jesus diz que na Nova Jerusalém estará o trono de Deus e do Cordeiro.
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