Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 02 - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelações do Apocalipse - Capítulo nº 02

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Revelações do Apocalipse - Livro nº 01

Temas deste Capítulo

 Cartas do Céu às Igrejas (1ª parte)
 
Éfeso
 
“Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: isto diz aquele que tem na sua dextra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro; Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” (Apoc. 2:1-7).
 
A Cidade
 
Éfeso localiza-se na Lídia, na Costa Ocidental da Ásia Menor. Era um excelente porto, e era a porta de entrada da província romana da Ásia. Éfeso era a capital da Ásia Menor, com uma população estimada em 225.000 no segundo século a.C.  Era a metrópole da idolatria.  Ali estava o templo da deusa Diana (Atos 19), que levou duzentos anos para ser construído; uma das Sete Maravilhas do Mundo antigo.  Esse templo foi queimado pelos Godos em 262 d.C. A importância dessa cidade exigiu do ministério do apóstolo Paulo três anos de pregação (52 d.C.) para implantar uma igreja cristã. Diferente de outras cidades da Ásia Menor, de Éfeso, atualmente restam somente ruínas.
 
O significado e o período
 
Éfeso significa “desejável” e representa muito bem a condição espiritual da igreja no período de 31 a 100 d.C.
 
A igreja
 
Por mais de três anos Éfeso foi o centro do trabalho de Paulo (Atos 19:1-41; 20:1, 16-38; I Cor. 16:8; Epístola aos Efésios).  Uma florescente igreja foi estabelecida ali, e dessa cidade o evangelho espalhou-se por toda província da Ásia. A tradição indica que João, o discípulo amado, tornou-se o líder dessa igreja, provavelmente após a dissolução da sede cristã em Jerusalém cerca de 68 d.C. No tempo em que João escreveu o Apocalipse, a igreja de Éfeso já era um dos importantes centros do cristianismo.  A condição espiritual dessa igreja representa a condição espiritual da Igreja Cristã durante o período apostólico.  Esse período pode ser, apropriadamente, chamado de a Era da Pureza Apostólica, um atributo altamente desejável aos olhos de Deus.  
 
A mensagem
 
Para cada uma das sete igrejas Jesus declara: “Eu sei as tuas obras.” Jesus Se revela como um Deus muito pessoal e familiarizado com os problemas e dificuldades que a Sua igreja enfrenta na grande controvérsia.  
 
“Não podes sofrer os maus, e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são” (Apoc. 2:2).
 
No final da era apostólica, já as primeiras heresias cristológicas começaram a surgir.  A preocupação de João em combatê-las pode ser vista no conteúdo do seu Evangelho.  Esse Evangelho foi escrito em reação aos movimentos heréticos, e o seu propósito era afirmar e exaltar a pessoa de Jesus como Deus-Homem.
 
•       Os Ebionitas negavam a divindade de Jesus.  O líder deles era Cerinto (107 d.C.).
 
•       Os Docetistas negavam a humanidade de Jesus.  Eles ensinavam que Jesus tinha somente a aparência humana, mas não era humano.  Esse grupo floresceu por volta do ano 70 até 170 d.C.
 
•       Os Gnósticos negavam tanto a divindade como a humanidade de Jesus. Negavam a realidade da encarnação de Jesus, e promoviam a libertinagem.  João combate fortemente o gnosticismo que começava a florescer no seio do cristianismo.
 
A Igreja Cristã no período de Éfeso sabia discernir entre a verdade e o êrro, e tomou um posição firme contra o erro.  
 
“Os membros da igreja estavam unidos em sentimento e ação. O amor de Cristo era a corrente áurea que os vinculava entre si. Prosseguiam conhecendo o Senhor sempre e sempre com maior perfeição, e revelavam em sua vida alegria, conforto e paz. Visitavam as viúvas e os órfãos em suas tribulações e mantinham-se incontaminados do mundo.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 3, 55-56.
 
“Deus escolheu nestes últimos dias um povo a quem fez depositário de Sua lei; e êste povo terá sempre desagradáveis tarefas a executar. 'Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos.  E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo Meu nome, e não te cansaste.' (Apoc. 2:2-3). Exigirá muita diligência, e contínua luta o manter o mal fora de nossas igrejas.  É preciso haver rígido e imparcial exercício de disciplina; pois, alguns que têm uma aparência de religião procurarão minar a fé de outros e, às ocultas, trabalharão para se exaltar a si mesmos.” Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. 2, 210.

“Tenho porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Apoc.2:4).
 
“Numa só geração foi o evangelho levado a toda nação debaixo do céu.  Pouco a pouco, ocorreu, porém, uma mudança.  A igreja perdeu seu primeiro amor.  Ela tornou-se egoísta e amante da comodidade. Foi acalentado o espírito de mundanismo.” Ellen G. White, Testimonies, vol. 8, 26.

“Cedo na história da igreja o mistério da iniquidade predito pelo apóstolo Paulo iniciou sua calamitosa obra; e quando os falsos ensinadores, a cujo respeito Pedro advertiu os crentes, exibiram suas heresias, muitos foram seduzidos pelas falsas doutrinas.  Alguns tropeçaram sob as provas e foram tentados a abandonar a fé.  Ao tempo em que foi dada esta revelação a João, muitos haviam perdido seu primeiro amor da verdade evangélica.  Mas, em Sua misericórdia, Deus não permitiu que a igreja continuasse em estado de apostasia.  Numa mensagem de infinita ternura, Ele revelou Seu amor por eles, e Seu desejo de que fizessem segura obra para a a eternidade.

'Lembra-te pois donde caíste,' apelou, 'e arrepende-te, e pratica as primeiras obras' (Apoc. 2:5).

A igreja era defeituosa e necessitava de severa reprovação e advertência; e João foi inspirado a registar mensagens de advertência e reprovação e a apelar aos que, tendo perdido de vista os princípios fundamentais do evangelho, estavam pondo em perigo sua esperança de salvação.” Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, 586, 587.
 
“Fui instruída a dizer que estas palavras (Apoc. 2:4-5) são aplicáveis às Igrejas Adventistas do Sétimo Dia na condição em que se encontram atualmente.  O amor de Deus foi perdido, e isto significa ausência de amor de uns para com os outros.  Egoísmo, egoísmo, egoísmo é nutrido e se bate por conseguir supremacia... Deve haver uma reforma e um reavivamento, sob a ação do Espírito Santo... Então uma multidão, não de sua fé, vendo que Deus está com Seu povo, unir-se-á a ele em servir ao Senhor.” Ellen G. White, Review and Herald, 25/02/1902.

“Três palavras resumem a mensagem (Apoc. 2:5): lembrar, arrepender, praticar.  O Mestre está dizendo: 'Lembra-te do teu gozo anterior, quando o verdadeiro amor enchia o teu coração.  Arrepende-te de teus pecados; compreende o perigo de tua condição.  Pratica as obras do teu primeiro estado, ou então Eu te removerei.'  As obras não produzem amor, nem podem tomar o lugar do amor.  As obras são apenas a evidência do amor.” Roy Allan Anderson, O Apocalipse Revelado, 26-27.

“Tens porém isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais Eu também aborreço” (Aoc.2:6).
 
Muitos têm tentado, com dificuldade, mostrar que os nicolaítas formavam um grupo herético que invadiu a igreja de Éfeso e Pérgamo.  Irineu identifica os nicolaítas como uma seita gnóstica.  Alguns Pais da Igreja identificam Nicolau, um dos sete diáconos (Atos 6:5), como o fundador desta seita. Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 745.

Porém, toda essa argumentação é muito duvidosa, pois não encontramos na história da igreja os nicolaítas como sendo realmente um grupo herético como os Ebionitas, Docetistas e outros.  
 
No dizer de Clemente de Alexandria, os nicolaítas mantinham o princípio pernicioso de que as paixões baixas devem ser permitidas.  Viviam uma vida impura e imoral.  Ellen G. White pergunta: “É o nosso pecado o pecado dos nicolaítas, transformando a graça de Deus em licensiosidade?” Ellen G. White, Review and Herald, 07/06/1887.

Essa doutrina tem sido atualmente amplamente ensinada, de que o evangelho de Cristo tornou a lei de Deus sem nenhum efeito; que por crermos em Cristo estamos livres da necessidade de sermos praticantes da Palavra. Mas esta é a doutrina dos nicolaítas, a qual Cristo fortemente condenou. Ellen G. White, Signs of the Times, 01/02/1912.
 
“Aqueles que ensinam esta doutrina (nicolaísmo) hoje tem muito a dizer sobre a fé e a justiça de Cristo; mas eles pervertem a verdade, e a tornam a causa do êrro.  Eles dizem que a única coisa que temos que fazer é crer em Jesus Cristo, e que a fé é toda suficiente: que a justiça de Cristo deve ser a credencial do pecador; que esta justiça imputada cumpre a lei por nós, e que nós não estamos sob a obrigação de obedecer a lei de Deus.  Esta classe proclama que Cristo veio para salvar os pecadores, e que Ele os salvou. 'Eu estou salvo,' eles repetem de novo e de novo. Mas, estão eles salvos enquanto transgridem a lei de Jeová?  Não; pois as vestimentas da justiça de Cristo não são uma capa para a iniquidade.  Tal ensino é uma grotesca decepção, e Cristo Se torna para essas pessoas uma pedra de tropeço como Ele foi para os judeus; para os judeus, porque eles não O receberam como o Salvador pessoal, e para estes professos crentes em Cristo, (Jesus Se torna pedra de tropeço) porque  eles separam Cristo e a Lei, e consideram a fé substituta da obediência.  Eles separam o Pai e o Filho, o Salvador do mundo.  Em verdade, eles ensinam por preceito e exemplo, que Cristo, através de Sua morte, salva os pecadores nos seus pecados.” Ellen G. White, Becho, 08/02/1897.
 
Os nicolaítas praticavam os pecados de Balaão (Apoc. 2:14-15). Quais eram os pecados de Balaão? A Bíblia revela os pecados de Balaão como sendo: avareza, hipocrisia, idolatria e imoralidade (Núm. 22-24; 25:1-2; 31:8 e 16; II Ped. 2:15; Judas 11).
 
São os membros da igreja, hoje em dia, culpados dos pecados dos nicolaítas?
 
“Nosso dever é conhecer os nossos defeitos e pecados especiais, que causam trevas e debilidade espiritual, e extinguiram nosso primeiro amor. É o mundanismo? É o egoísmo?  É o amor ao próprio eu?  É a luta pela supremacia?  É o pecado da sensualidade que está intrensamente ativo? É o mau uso e o abuso de grande luz e oportunidades e privilégios, fazendo afirmações jactanciosas de sabedoria e conhecimento religioso, ao passo que a vida e o caráter são incoerentes e imorais?” Ellen G. White, Review and Herald, 7 de Junho de 1887.
 
Há também uma outra interpretação dos nicolaítas, que também deveria ser considerada.  A própria palavra “nicolaítas,” tem, em si mesma, um significado claro e direto.  Ela significa “governar o povo.” A última parte da palavra Laos é a palavra grega para “povo,” e é a palavra da qual se deriva o termo “leigos.” Nesse sentido, os nicolaítas eram aqueles que já na primeira fase da Igreja Cristã, tentaram subjugar e dominar os leigos, a grande massa de cristãos, a fim de governar sobre eles.  A igreja de Éfeso condenou tal prática, enquanto que na igreja de Pérgamo eles foram coniventes, permitindo a institucionalização do clero.  Para Deus, só existe um ministério, formado por leigos e pastores.  Não é de Deus essa discriminação que exalta o clero como sendo uma classe superior e mais santa do que os leigos.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus” (Apoc. 2:7).
 
A árvore da vida é uma referência ao Jardim do Éden que foi retirado da terra antes do Dilúvio, mas que será restaurado com todo seu esplendor na Nova Terra.

“O Jardim do Éden permaneceu sobre a Terra muito tempo depois que o homem fora expulso de suas deleitáveis veredas (Gen. 4:16). Foi permitido à raça decaída por muito tempo contemplar o lar da inocência, estando a sua entrada vedada apenas pelos anjos vigilantes. À porta do Paraíso, guardada pelos querubins, revelava-se a glória divina.  Para ali iam Adão e seus filhos a fim de adorarem a Deus.  Ali renovaram seus votos de obediência àquela lei cuja transgressão os havia banido do Éden.  Quando a onda de iniquidade se propagou pelo mundo, e a impiedade dos homens determinou sua destruição por meio de um dilúvio de água, a mão que plantara o Éden o retirou da Terra. Mas, na restauração final de todas as coisas, quando houver 'um novo céu e uma nova Terra,' será restabelecido, mais gloriosamente adornado do que no princípio.” Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 56, ênfase minha.
 Esmirna
 
“E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto, e reviveu: Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanáz. Nada temas das coisas que hás de padecer.  Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte” (Apoc. 2:8-11).
 
A cidade
 
É uma das mais lindas cidades da Ásia Menor. O clima é agradável e a vegetação abundante.  Localiza-se a 52 km de Éfeso. O local onde Esmirna foi construída foi ecolhido por Lisímaco, um dos quatro generais e sucessores de Alexandre, o Grande. Politicamente, Esmirna era uma cidade honrada, pois foi escolhida pelos romanos como sede em todas as guerras civis, e tornara-se um grande centro de adoração a César.  Esmirna pediu permissão ao imperador Tibério para construir um templo em honra a sua divindade ( c. 26 d.C.).  A permissão foi dada, e eles construiram o segundo templo ao imperador na Ásia. A cidade já adorava Roma como um poder espiritual desde 195 a.C., e tinha orgulho por liderar o culto a César. Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 696.
 
O culto ao imperador tornou-se obrigatório em todo o território dominado pelos romanos.  Todos deveriam queimar incenso ao Imperador em algum altar público, enquanto proferiam as palavras: Kaisar Kurios, “César é senhor.” Os cristãos recusavam-se a fazer isso, e eram considerados desleais e traidores.  Até o final da primeira Guerra Mundial Esmirna era considerada a segunda maior cidade da Ásia Menor, com uma população de 250.000 habitantes. Como a moderna Esmirna foi construída em cima da cidade antiga, somente poucas ruínas podem ser vistas atualmente. Os antigos habitantes de Esmirna orgulhavam-se de ter nascido ali, Homero, o mais famoso poeta grego. A moderna Esmirna, cujo nome é Iz-mir, possui hoje cerca de 200.000 habitantes, e é a maior cidade da Ásia Menor.
 
O significado e o período
 
O nome Esmirna vem de uma goma aromática derivada de uma árvore Árabe, Balsamodendron myrrha.  Essa goma era usada para embalsamar os mortos, e também como um ungüento ou pomada medicinal; esse ungüento também era usado para ser queimado como incenso.  Esmirna é sinônimo de sofrimento; vem da palavra mirra, que foi uma das dádivas feitas a Jesus pelos magos do Oriente: “e entrando na casa acharam o menino com Maria sua mãe, e, protrando-se, O adoraram; e, abrindo os seus tesouros, Lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mat. 2:11).  Mirra tinha que ser esmagada para exalar seu perfume e fragrância, assim também, a Igreja Cristã seria perseguida e esmagada nesse período, porém, exalaria o perfume da lealdade ao Senhor.  
 
Historicamente, o período de Esmirna representa a história da Igreja Cristã que vai do ano 100 até 313 d.C., ano em que o imperador Constantino decretou liberdade religiosa para todos, favorecendo assim os cristãos (Edito de Milão 313 d.C.).
 
A igreja
 
Por volta do ano 100 o cristianismo havia sido posto fora da lei e já estava sofrendo a terceira perseguição imperial ( Nero 6467d.C.; Domiciano 95 d.C.; Trajano 98 d.C.). Essa onda de perseguição continuou até 313. A igreja de Esmirna era composta por pessoas economicamente pobres, porém ricas para com Deus. Sofreu contínuas perseguições, mais do que qualquer outra igreja da Ásia. O mais famoso dos mártires de Esmirna, foi Policarpo, um discípulo de João e bispo da igreja de Esmirna, que serviu a Jesus por 86 anos.  Ele foi queimado vivo (c. 155 d.C.). A morte dele e de outros mártires produziu uma grande colheita de almas para o reino de Deus nas décadas e séculos que se seguiram. A comunidade cristã de Esmirna tornou-se um dos mais fortes centros do cristianismo naquela região, e foi a última cidade da Ásia Menor a ser conquistada pelo islamismo.  Até hoje Esmirna é chamada pelos Turcos de a “Cidade Infiel.” J. R. Dummelow, A Commentary on the Holy Bible ( New York: The Macmillan Company, 1950), 1074.  

Quando os gregos foram expulsos de Esmirna pelos Turcos em 1922, a comunidade cristã recebeu, então, o seu golpe mortal. Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 93.
 
A mensagem
 
Esmirna é a Igreja do Sofrimento. Nenhuma palavra de reprovação, mas somente amorável conforto. Jesus sabia dos tempos difíceis que a Sua igreja enfrentaria no período de Esmirna, por isso usou de palavras confortantes e animadoras.  Introduziu-Se como Aquele que foi morto e reviveu (Apoc.2:8). Para aqueles que sofreriam uma série de perseguições e seriam massacrados e mortos como mártires, Jesus Se revela como Aquele que tem poder sobre a morte, “o que foi morto, e reviveu.” Jesus venceu a morte!  A Sua sepultura está vazia!  As pessoas neste mundo vivem e morrem, e não voltam a viver, mas com Jesus foi diferente.  Todos os que visitam o Kremlin, em Moscou, podem ver filas de pessoas esperando para ver os corpos de Lenin e Stalin.  São milhares de pessoas cada dia que querem ver os corpos bem conservados destes líderes do comunismo.  Maomé viveu e morreu. Outros grandes líderes viveram e morreram.  
 
Mas, Jesus está vivo para todo o sempre!  Ele deixou o túmulo aberto, e o anjo disse: “Ele não está aqui porque já ressuscitou” (Mateus 28:6).  Ele ressuscitou como as primícias dos mortos e trouxe consigo uma multidão de justos mortos que ressuscitaram juntamente com Ele (Mateus 27:50-53).  Todos eles ascenderam ao Céu com Jesus como símbolo da grande ressurreição de todos os justos mortos por ocasião da segunda vinda de Jesus. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, 754.
 
Historicamente, o período representado por Esmirna pode ser, apropriadamente, chamado de a Era dos Mártires.  Intermitentes perseguições imperiais caracterizaram esse período, até a emissão do Edito de Milão em 313: “o diabo lançará alguns de vós na prisão . . . e tereis uma tribulação de dez dias” (Apoc. 2:10).

“Durante o segundo e terceiro séculos os imperadores. romanos procuraram apagar a igreja mendiante perseguição.  Eles temiam o cristianismo porque este estava penetrando o pensamento popular.  Consideravam-no como um rival.  Certo número de perseguições  dez ao todo  foram instigadas, mas a de Deocleciano foi a pior.  Esta durou dez anos, de 303  313 A.D., ou até a subida de Constantino ao trono.” Roy Allan Anderson, O Apocalipse Revelado, 31-32.
 
Trajano ( 98-117) - entre aqueles que foram mortos neste reinado estavam, Simeão, o irmão de Jesus, Bispo de Jerusalém, crucificado (c.107), e Inácio, o segundo Bispo de Antioquia, que foi levado para Roma e lançado às feras (c. 110).
 
Hadrian (117-138) - uma perseguição moderada.  Foram mártires nesse reinado: Telephorus, pastor da Igreja de Roma e muitos outros.
 
Antonio Pio (138-161) - este imperador favoreceu os cristãos, mas foi nesse reinado que Policarpo, Bispo de Esmirna, foi queimado vivo (c. 155).
Marcus Aurélio (161-180) - foi o mais feroz perseguidor depois de Nero.  Milhares de cristãos foram martirizados nesse reinado, entre eles, Justino Martir e Blandina, a escrava.
 
Sétimo Severo (193-211) - esta perseguição foi muito severa, mas não geral.  Somente o Egito e o Norte da África sofreram mais. Em Alexandria, muitos mártires eram diariamente queimados, crucificados e decapitados; entre eles, Leônidas, o pai de Orígen.  Em Cartago, Perpétua, a nobre dama, e sua fiel escrava, Felicitas.
 
Maximiano (235-238) - nesta perseguição muitos líderes cristãos foram mortos.  Orígenes escapou por se esconder.
 
Decius (249-251) - deteminou-se a destruir definitivamente o cristianismo. Multidões de cristãos morreram em Roma, Norte da África, Egito e Ásia Menor.  Cipriano disse, “o mundo inteiro está devastado.”
 
Valério (253-260) - mais severo do que Decius; entre os mártires temos, Cipriano, o Bispo de Cartago. Essa perseguição alcançou o seu clímax com os dois próximos imperadores.
 
Deocleciano (284-305) - e seus sucessores, (305-313), a última perseguição imperial, e a mais severa.  Por dez anos (303313) os cristãos foram caçados nas cavernas e nas florestas.  O misérrimo edito de Nicomédia em 23/02/303 Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 9, 729.
provocou uma verdadeira chacina. Toda sorte de torturas foram empregadas.  Os cristãos foram queimados, lançados às feras, e torturados. Nenhum cristão era afogado ou apunhalado senão depois de ter passado pelas torturas mais atrozes. Este foi um esforço sistemático, resoluto e determinado para abolir da face da Terra o nome cristão. Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 761-762.

Sobre duas colunas de mármore que se vêem na Espanha fizeram gravar a inscrição: “A Deocleciano, Joviano, Maximiano, Hércules, César Augusto, por ter destituído o nome de cristão.”
 
A firmeza de fé revelada por Policarpo pode, com propriedade, simbolizar a fé da Igreja Cristã no período de Esmirna.  Eis a resposta de Policarpo ao juiz que lhe pedia para renunciar a fé em Cristo e poupar a sua vida: “Oitenta e seis anos eu O servi, e Ele nunca me fez mal; como então posso blasfemar do meu Rei, Aquele que me salvou?” E em meio às chamas, Policarpo proferiu esta oração: “Eu Te agradeço porque Tu graciosamente me consideraste digno deste dia e desta hora, por poder receber uma porção no número de Teus mártires no cálix de Teu Cristo.” Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 763.
 
As catacumbas, galerias subterrâneas em Roma, comumente com três metros de largura e dois metros de altura, estendiam-se por centenas de quilômetros por baixo da cidade. As catacumbas eram usadas pelos cristãos para se esconderem, para adorarem e também enterrarem os seus mártires. As sepulturas cristãs são estimadas entre 2.000.000 e 7.000.000. Foram encontradas mais de 4.000 inscrições pertencentes ao período entre Tibério e Constantino. Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 763.
 
“Fui transportada ao tempo em que pagãos idólatras cruelmente perseguiram e mataram os cristãos. O sangue jorrou em torrentes. Os nobres, os eruditos e o povo comum foram igualmente mortos sem misericórdia. Famílias ricas foram reduzidas à pobreza por não renegarem a sua religião. Não obstante a perseguição e sofrimento que esses cristãos suportaram, não baixaram as normas. Conservaram pura a sua religião. Vi que Satanás exultou e triunfou com os seus sofrimentos.  Mas Deus olhava para os Seus fiéis mártires com grande aprovação. Os cristãos que viveram nestes terríveis tempos foram por Ele amados grandemente, porque estam dispostos a sofrer por Seu amor. Cada sofrimento por eles suportado aumentava a sua recompensa no Céu.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 210, 211.
 
“Embora Satanás se regozijasse nos sofrimentos dos santos, nem por isso estava satisfeito. Ele queria o contrôle tanto da mente como do corpo.  Os sofrimentos que enfrentavam apenas os levavam para mais perto do Senhor, conduzindo-os ao amor de uns pelos outros, levando-os a mais do que nunca temer ofendê-Lo.  Satanás desejava levá-los a desagradar a Deus, a fim de que perdessem sua força, ânimo e firmeza.  Embora milhares fossem mortos, outros se levantavam para ocupar-lhes o lugar.  Satanás viu que estava perdendo os seus súditos; pois embora sofressem perseguição e morte, estavam garantidos em Jesus Cristo para súditos do Seu reino.  Satanás, pois, assentou planos para lutar com mais sucesso contra o govêrno de Deus e derrotar a igreja. Ele levou os pagãos idólatras a abraçar parte da fé cristã.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 210, 211.
 
“Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apoc. 2:10).

“Foi por intermédio de alguém que se declarava 'irmão e companheiro na aflição,' (Apoc. 1:9) que Cristo revelou a Sua igreja o que ela devia sofrer por Seu amor.  Olhando através dos longos séculos de trevas e superstições, o exilado encanecido viu multidões sofrendo o martírio por causa de seu amor pela verdade. Mas viu também que Aquele que sustinha Suas primeiras testemunhas não abandonaria Seus fiéis seguidores durante os séculos de perseguição por que deviam passar antes do fim dos tempos. 'Nada temas das coisas que hás de padecer,' declarou o Senhor. 'Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação... Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida' (Apoc. 2:10).” Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, 588.
 
“O que vencer não receberá o dano da segunda morte” (Apoc. 2:11). A segunda morte é a extinção final do pecado e pecadores (Apoc. 21:8; Mal. 4:1, 3).  “Satanás é a raiz, seus filhos os ramos.  Estão agora consumidos, raiz e ramos.  Morreram morte eterna. Jamais deverão ter ressurreição, e Deus terá um universo puro.  Ollhei então e vi o fogo que tinha consumido os ímpios, queimando o resíduo e purificando a Terra.  O lhei de novo, e vi a Terra purificada. Não havia um único indício da maldição. A superfície quebrada e desigual da Terra agora parecia como uma planície nivelada e extensa. Todo o universo de Deus estava puro, e o grande conflito para sempre finalizado.” Ellen G. White, Primeiros Escritos, 295.
 Pérgamo
 
“E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz Aquele que tem a espada agúda de dois fios: Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e retens o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Mas umas poucas de coisas tenho contra ti: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituissem. Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que Eu aborreço. Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei Eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguem conhece senão aquele que o recebe” (Apoc. 2:12-17).
 
A cidade
 
Pérgamo estava situada num grande vale, e era uma das cidades famosas da Ásia Menor. O palácio, os templos, os teatros, e outros prédios públicos foram construídos no topo de uma alta colina, uma inexpugnável acrópole, John McRay, Archaeology and the New Testament (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1997), 266.
cerca de trezentos metros acima do vale. Desde 1878, o governo alemão tem realizado escavações nas ruínas de Pérgamo, principalmente na cidadela, ou acrópole.  Foi fundada pelos gregos eólios, depois da queda de Tróia, e já era uma cidade importante no século V a.C. Homero e mais tarde Heródoto produziram ali alguns dos seus escritos. Tornou-se mais conhecida a partir do século III a.C. quando Lisímaco, um dos generais e sucessores de Alexandre, o Grande, depositou ali seu tesouro de 9.000 talentos de ouro.  Lisímaco considerava Pérgamo o lugar mais seguro de seu reino.  
 
Por volta dos anos 197-159 a.C., Eumenes II, rei grego de Pérgamo, fundou uma biblioteca, a qual chegou a ter uma coleção de 200.000 manuscritos.  Esta biblioteca provocou os ciúmes de Ptolomeu V do Egito (203-181 a.C.), que, com medo de que essa biblioteca sobrepujasse a de Alexandria, proibiu, então, a exportação do papiro para a Ásia Menor. O papiro é uma planta que cresce abundantemente às margens do rio Nilo e era a principal fonte para a fabricação do material mais comumente usado, no mundo antigo, para os manuscritos.  Como o Egito era o único país que produzia os rolos de papiro, Ptolomeu esperava, desta forma, impedir o avanço da biblioteca de Pérgamo.  
 
Esta emergência tornou-se uma bênção, pois os produtores de livros de Pérgamo sentiram-se forçados a buscar uma solução alternativa, e daí surgiram os pergaminhos, os mais belos e finos materiais escritos já conhecidos.  O pergaminho é feito de couro extraído da pele de animais novos tais como, bezerros, ovelhas, ou cabritos. Essa biblioteca foi mais tarde removida de Pérgamo, por Marco Antonio, e presenteada a Cleópatra. Por ocasião da conquista Árabe sobre o Egito, todo o acervo foi destruído.  
 
A cidade de Pérgamo possuía muitos templos: um imenso altar a Zeus, erigido por Eumenes II para comemorar a vitória sobre os gauleses. Este grande altar de mármore foi parcialmente reconstruído no museu de Pérgamo em Berlim. John McRay, Archaeology and the New Testament (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1997), 266.

Dionísio, o deus boi;  Baco, o deus do vinho; Vênus, a deusa do amor; Átena; e o santuário de Demétrio, onde um altar foi encontrado com a inscrição “ao deus desconhecido.” John McRay, Archaeology and the New Testament (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1997), 267.

Os mais famosos são o Altar de Zeus e o templo de Esculápio. Esculápio era o deus da cura e da medicina, adorado na forma de uma Serpente,  um dos nomes e símbolos de Satanás. O mais famoso médico da antiguidade, Galeno (c. 130-200 d.C.), nasceu em Pérgamo e desenvolveu sua experiência médica no templo dedicado a Esculápio. Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 95-96.

No reinado de Adriano o templo de Esculápio foi tão magnificentemente desenvolvido que se tornou uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. John McRay, Archaeology and the New Testament, 271.

Pérgamo é conhecida como a cidade em que foi instituído (29 a.C.) o primeiro culto a um imperador romano vivo. Um templo foi construído e dedicado à adoração da divindade de Roma, e do imperador Augusto, Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 696.
e outros em homenagem a Trajano e Severo. A descoberta de colossais esculturas de Trajano e Adriano no templo de Trajano indica que ambos os imperadores foram adorados ali. John McRay, Archaeology and the New Testament, 266.

Pérgamo destaca-se especialmente pelo grande número de estátuas de escultura, as quais, em sua maioria, Nero levou para Roma. John McRay, Archaeology and the New Testament, 266. Pérgamo era a capital mundial do culto ao deus sol.  
 
Átalo III, o último desses reis-sacerdotes de Pérgamo, submeteu seu reino ao senado de Roma e após a sua morte Pérgamo tornou-se a capital da província romana na Ásia Menor por dois séculos e meio. Os imperadores de Roma, a começar com Júlio e Augusto, tomaram também as honras e títulos reais e se consideraram divinos, e nisto foram imitados mais tarde pelos papas. Edwin R. Thiele, Apocalipse: Esboço de Estudos, vol. 1 (São Paulo, SP: Instituto Adventista de Ensino, 1972), 50.

No tempo de João, Pérgamo já estava decaindo e sendo sobrepujada por Éfeso.  Atualmente Pérgamo é somente uma insignificante e pequena cidade conhecida por Bergama, com cerca de 24.000 habitantes (1965).  
 
O significado e o período
 
Pérgamo tem um significado duplo.  No plural, “Pérgamos” é usado como sendo “cidadela,” ou “fortaleza,” mas, etmologicamente, o vocábulo constitui-se da preposição per (que tem o significado de “por entre'', “por intermédio”, “em nome de”) e gamos (pospositivo, do grego gamós que significa “união”, “casamento”). Isto foi exatamente o que aconteceu no período de Pérgamo, o casamento da Igreja Cristã com o mundo. F. W. Grant, The Prophetic History of the Church as Seen in the Seven Churches of Asia (New York: Loizeaux Brothers, 1945), 59-60.

A era da amalgamação. Quando o Cristianismo casouse com o mundo, deu origem à Grande Babilônia, a “cidadela” do Vaticano.  O período de Pérgamo, 313  538 d.C. começou com o imperador Constantino abraçando a causa da igreja, e decretando tolerância religiosa para com todos os cristãos.  Esse é o período conhecido como a era da “institucionalização da igreja e do clero;” a igreja se estabeleceu não sobre a Rocha Eterna, Jesus, contra Quem as portas do inferno não prevaleceriam, mas antes, sob o favor e proteção do estado.  
 
As igrejas cristãs, até então, não tinham templos, estes começaram a ser construídos, especialmente nos locais sagrados, no reinado de Constantino, o primeiro imperador romano a adotar o cristianismo como religião oficial.  Na Terra Santa já foram escavadas quase duzentas igrejas Bizantinas, construídas entre o século IV e VIII. Eusébio escreveu que os melhores projetos de igrejas foram patrocinados pelo imperador Constantino e sua mãe, rainha Helena. John MacRay, Archaeology and the New Testament, 72-73.

Este período assinala o sucesso de Satanás em unir o Estado e a Igreja.
 
A igreja
 
A igreja de Pérgamo era bem diferente da igreja de Esmirna.  Enquanto na carta anterior de Esmirna não existem repreensões, a igreja de Pérgamo apresenta muitas.  Ali estava o próprio “trono de Satanás,” o quartel general dos balaamitas e dos nicolaítas, dentro da igreja. A Igreja Cristã de Pérgamo, embora também tenha presenciado o martírio de Antipas, era ao mesmo tempo tolerante com o erro.  A mesma classe herética que apareceu em Éfeso, é também mencionada em Pérgamo, porém, com uma diferença, em Éfeso os pastores e líderes, como um corpo, permaneceram firmes contra os falsos ensinadores, mas em Pérgamo, os pastores toleraram os balaamitas (Balaão significa “destruição do povo”) e os nicolaítas (Nicolau significa “governar o povo)”.  
 
A doutrina balaamita patrocinou o casamento da igreja com o mundo, fazendo com que a igreja se prostituisse e comesse dos sacrifícios da idolatria (Apoc. 2:14), tal como Balaão fez com o povo de Israel.
 
A doutrina nicolaíta instituiu as cerimônias e pompa pagãs e judaicas na igreja, misturando-as com os ritos cristãos. O sistema sacerdotal do Antigo Testamento, válido e aprovado por Deus na Velha Aliança, com base no santuário terrestre, tornouse uma arma poderosa de Satanás para corromper a igreja na Nova Aliança, cujo base é o Santuário do Céu.  Contrariando a Palavra de Deus que afirma que na Nova Aliança, não existe um sistema sacerdotal terrestre, mas unicamente o sacerdócio de Jesus no Santuário do Céu (I Tim. 2:5; Heb. 4:14-16; 8:1-2, 13; 9:11-12), a doutrina nicolaíta instituiu o clero e a sucessão apostólica; uma mistura de paganismo e judaísmo.  
 
Os judaizantes de Apoc. 2:9 e os nicolaítas tinham o mesmo objetivo: implantar um sistema sacerdotal terrestre; destruir o conceito do sacerdócio único e superior de Jesus no Santuário do Céu.  Estes são chamados por Deus de “a sinagoga de Satanás” (Apoc. 2:9).  

Trono de Satanás, é uma expressão que tem aplicação dupla, aplica-se à igreja que se tornou a fortaleza dos balaamitas e nicolaítas, e aplica-se também à cidade que era a capital mundial do culto ao deus sol.  Ali estava o centro do mistério das religiões orientais transferido, no começo do Império Medo-Persa, da Mesopotâmia, Babilônia, para Pérgamo, que possuía muitos templos pagãos, Seventh-Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 749.
inclusive o templo de Esculápio, onde a própria Serpente, nome bíblico de Satanás, era adorada.  Átalo III não somente transferiu seu poder civil à Roma, mas também todo o sistema religioso babilônico. Robert D. Brinsmead, The Vision by the Hiddekel (Denver, Colorado: International Health Institute, 1970), 46.

O centro do culto a Satanás, iniciado na antiga Babilônia, foi transferido para Pérgamo, e posteriormente para Roma. “Em 487 a.C. os babilônios vencidos fugiram para a Ásia Menor, e fixaram seu colégio central em Pérgamo, para onde levaram o paládio de Babilônia. Ali independentes do controle estatal, eles conservaram os ritos de sua religião, e tramaram contra a paz do Império Persa, instigando os gregos neste sentido.” Edwin R. Thiele, Apocalipse: Esboços de Estudos, vol. 1, 50.
 
Visto que o período representado por Pérgamo foi o do desenvolvimento do papado (313 a 538 d.C.), pode-se entender a expressão “trono de Satanás” como sendo principalmente uma referência ao centro da adoração papal: Roma.  
 
Historicamente, a igreja de Pérgamo representa o período do cristianismo de 313 a 538 d.C., período em que a Igreja Cristã deixou de ser perseguida e tornou-se a igreja imperial, esta é conhecida como a Era da Popularidade, e do compromisso.  Aquilo que Satanás não conseguiu com a perseguição no período de Esmirna, ele conseguiu, com muito sucesso, com a “exaltação” do cristianismo, tirando os cristãos das catacumbas e elevando-os à posição de Igreja do Estado, a menina dos olhos do imperador Constantino, cuja conversão foi, oficialmente anunciada, em 323 d.C..  
 
“Quase imperceptivelmente os costumes do paganismo tiveram ingresso na Igreja Cristã. O espírito de transigência e conformidade fora restringido durante algum tempo pelas terríveis perseguições que a igreja suportou sob o paganismo.  Mas, em cessando a perseguição e entrando o cristianismo nas cortes e palácios dos reis, pôs ela de lado a humilde simplicidade de Cristo e Seus apóstolos, em troca da pompa e orgulho dos sacerdotes e governadores pagãos; e em lugar das ordenanças de Deus colocou teorias e tradições humanas. A conversão nominal de Constantino, na primeira parte do século quarto, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na Igreja.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 47-48.
 
Quando Constantino assumiu o poder de Roma (311 d.C.), o Império Romano encontrava-se em estado avançado de desintegração. Bárbaros do norte importunavam e enfraqueciam o império. O exército estava desorganizado; a economia encontrava-se em estado precário. Mas, pior que tudo isso, o povo estava desmoralizado e espiritualmente fracassado.  Constantino, tentava desesperadamente encontrar uma panacéia para a sociedade social, moral e espiritualmente enfêrma. Ele percebeu que o império precisava urgentemente de um fator unificador. Quando observou o cenário político, percebeu que enquanto o paganismo morria, o cristianismo crescia vigorosamente, ganhando terreno em todos os lugares.  Ele convenceu-se de que o cristianismo era a onda do futuro.  
 
Depois de garantir aos cristãos total liberdade religiosa (313 d.C.), emitiu uma série de decretos favorecendo o cristianismo.  Finalmente o Império Romano como um todo tornou-se um suporte à Igreja Cristã, e o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano (337).  
 
Foi o mais desastroso período na história do cristianismo, quando a igreja perdeu a sua pureza espiritual e doutrinária;  período em que a igreja se estabeleceu firmemente como igreja, porém, não sobre a Rocha Eterna, que é Jesus, e sim sobre o trono de Satanás, tornando-se habitação de Satanás.       
 
A mensagem
 
Jesus Se revela à igreja do período de Pérgamo como “Aquele que tem a espada aguda de dois fios.” Isto significa que Jesus tem o poder e a autoridade. Um homem que vem com uma espada na mão vem como um conquistador e juiz. A igreja estava toda comprometida com o mundo e com o pecado, e Jesus aparece com poder, pronto para punir os pecados de Sua igreja. Os historiadores dizem que os líderes religiosos pagãos, quando saíam de Babilônia estabeleciam-se em Pérgamo. Esses líderes da mitologia babilônica, grega e romana, todos tinham lindos templos em Pérgamo. W. Herschel Ford, Simple Sermons on the Seven Churches of Revelation (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1959), 51.

A igreja de Pérgamo também se deixou influenciar, tornando-se assim o centro da doutrina de Balaão e dos nicolaítas.
 
Satanás tentou, sem sucesso, destruir o cristianismo através da força, da violência e da perseguição. Então, ele mudou de estratégia no período de Pérgamo, ele se juntou à igreja trazendo para dentro dela o paganismo com seus ídolos, feriados, e festas, e colocando nela o seu trono, o trono de Satanás, dentro da própria Igreja Cristã. O anticristo, o papado, torna-se o cabeça da Igreja Cristã! Não é de admirar que Jesus tenha dito: “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Apoc. 2:13). Assim como a Serpente, foi adorada na cidade de Pérgamo, também a Serpente, Satanás, começou a ser adorada na Igreja Cristã no período representado por Pérgamo (313538). “Um demônio tornou-se o poder central no mundo.  Satanás pôs o seu trono onde deveria estar o trono de Deus. O mundo depositou a homenagem, como oferta voluntária, aos pés do inimigo.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 6, 236.
 
“Tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem. Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que Eu aborreço” (Apoc. 2:14).  A especialidade deste profeta apostatado, Balaão, foi, exatamente, a de vender as bênçãos de Deus; unir o povo de Deus com o paganismo (Núm. 25; 31:16).  Balaão, (aquele que destrói o povo), já havia sido um bom homem e profeta de Deus, assim como o bispo de Roma a princípio era um homem de Deus; mas Balaão apostatou e entregou-se à cobiça; todavia professava ainda ser servo do Altíssimo.  O mesmo ocorreu com os bispos da Igreja Cristã em Roma.  
 
A outra doutrina condenada aqui é a dos nicolaítas. Essa palavra ocorre duas vezes (Apoc. 2:6, 15), e não se sabe exatamente de quem ela é derivada.  Irineu, o mais antigo autor cristão, quando faz menção aos nicolaítas, diz simplesmente: “É muito claramente visto no Apocalipse que os nicolaítas praticavam a fornicação e comiam dos sacrifícios da idolatria, como se fossem coisas permitidas aos cristãos.” Benjamin Wilson, Emphatic Diaglott, Original Greek Text of the New Testament (New York: Published By Samuel R. Wells, 1870), 30-31.

O estilo de vida deles não era somente oposto ao espírito e moralidade dos Evangelhos, mas também uma violação da ordem apostólica expressa em Atos 15.  Sem desprezar esse conceito de Irineu, o qual também é confirmado por Ellen G. White, queremos analisar um outro conceito sobre os nicolaítas que vem do próprio significado desta palavra.  Ela vem da junção de duas palavras, a primeira significa “governar, conquistar” e a segunda “povo.” W. Herschel Ford, Simple Sermons on the Seven Churches of Revelation, 55.

Foi nesse período que Satanás estabeleceu um sistema hierárquico, o clero, para governar e dominar a igreja.  Hoje a Igreja Romana é governada por hierarquia. O papa vem primeiro, depois os cardeais, então os bispos, e então os sacerdotes. O membro individual não pode falar nada em questão de doutrinas ou práticas. A instituição da hierarquia clerical e da sucessão apostólica, não é meramente uma ordem dentro do governo da igreja, mas é um sistema que visa destruir importantes princípios da Palavra de Deus, a saber:
 
1.   A divisão dentro do corpo de Cristo; em I Pedro 2:9, a igreja como um todo é chamada para ser “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, e o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” Não é o clero, mas a igreja que é chamada e revestida de poder para anunciar as novas do evangelho.  
 
2.   A destruição do Sacerdócio de Jesus no Santuário Celestial.  Satanás obteve sucesso em dar continuidade a um sacerdócio terrestre inspirado no judaísmo, como se fosse algo aprovado por Deus, simplesmente pelo fato de ter sido bíblico.  O sacerdócio terrestre é bíblico, porém, temporal. Quando Jesus morreu, Seu sangue ratificou o Novo Concerto, e ao Ele ascender ao Céu foi feito por ordem direta de Deus, Sacerdote Eterno do Verdadeiro Santuário (Heb. 8:1-2), do qual o santuário terrestre foi somente uma ilustração válida para o seu tempo, mas que acabou (Heb. 8:13).
 
Nós precisamos ter para com o nicolaísmo o mesmo sentimento de Deus quando disse: “a doutrina dos nicolaítas, a qual Eu odeio” (Apoc.2:15).  Deus não está falando aqui de pessoas, e sim, de um sistema sacerdotal e hierárquico que assume ares de superioridade e santidade  que se opõe a Deus; uma classe espiritual de pessoas que reivindica oficialmente o direito de legislar as coisas espirituais.   
 
Foi no período de Pérgamo que o bispo de Roma começou a abrir os olhos e ver o potencial que ele tinha, para governar, dominar e legislar sobre o povo de Deus, sobre os demais bispos, e ao mesmo tempo enriquecer-se com a venda das bênçãos divinas. Balaão “amou o prêmio da injustiça” (II Ped. 2:15).  Satanás obteve inteiro domínio sobre ele.  O plano proposto por Balaão para destruir o povo de Deus foi o de separá-los de Deus, induzindo-os à idolatria.  Se pudessem ser levados a tomar parte no culto licencioso de Baal e de Astarote, cairiam no desagrado divino, e se tornariam prêsa fácil de Satanás. Balaão testemunhou o êxito de seu plano diabólico.  Viu a maldição de Deus sobrevir a Seu povo, e milhares caindo sob Seus juízos; mas a justiça divina que puniu o pecado em Israel não permitiu que os tentadores escapassem. Na guerra de Israel contra os midianitas, Balaão foi morto. Balaão reconhecia o verdadeiro Deus, e professava servi-Lo, mas esperava fazer do serviço a Jeová a escada para aquisição de riquezas, honras e glórias mundanas.  Com idênticas semelhanças o bispo de Roma fez o mesmo com a Igreja Cristã no período de Pérgamo.  Cristianismo e paganismo de mãos dadas. Uma monstruosidade, sangue pagão correndo por veias cristãs.  Existiam dois grupos na igreja de Pérgamo contra os quais Jesus Se propôs lutar: aqueles que estavam envolvidos com o mundo e suas práticas pecaminosas, e aqueles que queriam exercer domínio sobre a igreja.  A história vai se repetir!      
 
Quando o diabo enganou Eva e através de Eva conseguiu levar Adão a pecar, Deus colocou uma maldição sobre o diabo: “E porei inimizade entre ti e a Mulher, e entre a tua semente e Sua semente, esta (a semente da Mulher) te ferirá a cabeça, e tu (o diabo) Lhe ferirás o calcanhar (predita a morte de Jesus)” (Gen. 3:15).  Notemos a diferença existente entre Satanás e a Mulher.  Satanás teria uma descendência e a Mulher também. A descendência de Satanás receberia um golpe mortal, enquanto que a descendência da Mulher receberia um ferimento temporário.  Quando Deus fala profeticamente, a Mulher representa Sua Igreja (Jer. 6:2; Mat. 25:1-13; Isa. 62:5).  Deus diz que existiriam somente dois lados, e cada ser humano estaria, ou do lado do povo de Deus, ou do lado de Satanás.  
 
Esses dois lados opostos apareceram rapidamente logo após o nascimento de Caim e Abel.  Abel obedeceu à Palavra de Deus e Caim tornou-se a célula hospedeira do reino do mal (Gen. 4).  Os filhos de Deus e os filhos dos homens formavam as duas correntes (Gen. 6).  
 
Após a destruição da Terra pelo Dilúvio (Gen. 6-8), vemos, novamente, surgirem os dois lados. O ímpio Ninrode, filho de Cusí, filho de Cão (Gen. 10:6-10), começou a construir a Torre de Babel e daí então a grande Babilônia. Em Babilônia eles adoravam o fogo, o sol, a lua, as estrelas e várias outras forças da natureza.  Ninrode, que se exaltou contra Deus construindo a Torre de Babel, era reconhecido em Babilônia como o principal deus.  Marduque era a forma comum do nome de Ninrode, mais tarde identificado como Bel. Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, 51.
 
Em Babilônia, primeiro como cidade, depois como império, Satanás começou um novo plano para destruir o conhecimento de Deus no mundo, iniciou uma nova forma de adoração que girava em torno dos deuses planetários, o sol, a lua, e as estrelas.  Aqui nasceu a astrologia. O ocultismo, as filosofias pagãs, e os falsos ensinos tiveram sua origem em Babilônia, com um único objetivo, afastar o mundo da verdade bíblica e do conhecimento de Deus.  Esse sistema começou a se espalhar rapidamente.  
 
Quando o império babilônico caiu, o próximo reino universal, a Medo-Pérsia continuou a propagar o mesmo sistema religioso, e logo esse sistema foi transferido para Pérgamo, na Ásia Menor, e posteriormente para Roma.  
 
Historicamente, Pérgamo representa, na profecia, a nova estratégia diabólica para destruir o conhecimento de Deus dentro da Igreja Cristã. A Igreja que saiu do período de Esmirna, forte e pura espiritualmente, foi corrompida no período de Pérgamo. Ele, o próprio diabo, uniu-se ao cristianismo, tornando-o a religião oficial do Império Romano (337 d.C.), e com isso conseguiu introduzir na Igreja Cristã toda sorte de práticas e ensinamentos pagãos. Se ele conseguisse desenvolver uma igreja universal, baseada nos ensinamentos da antiga Babilônia, disfarçada com o manto do cristianismo, ele conseguiria extraviar o mundo todo usando o próprio nome de Deus, e ele conseguiu!  
 
“Esta mútua transigência entre o paganismo e o cristianismo resultou no desenvolvimento do 'homem do pecado,' predito na profecia como se opondo a Deus e exaltando-se sobre Ele.  Aquele gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás, monumento dos seus esforços para sentar-se sobre o trono e governar a terra segundo a sua vontade... Para conseguir proveitos e honras humanas, a igreja foi levada a buscar o favor e apoio dos grandes homens da terra; e, havendo assim rejeitado a Cristo, foi induzida a prestar obediência ao representante de Satanás, o bispo de Roma.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 50.
 
Vamos mencionar somente alguns exemplos de práticas e ensinamentos que foram introduzidos no cristianismo neste período representado por Pérgamo (313-538 d.C.), e que hoje estão bem cristalizados na cultura cristã.
 A Páscoa
 
Será que nós paramos para pensar como toda a cristandade no mundo começou a celebrar a páscoa como sendo a ressurreição de Jesus? A Páscoa é uma festa sagrada de Deus, que começou a ser praticada no Egito por ocasião do Êxodo, 1 Ellen G. White, O Grande Conflito, 50. quando o povo de Deus foi libertado da escravidão egípcia (Êxo. 12). A Páscoa continuou a ser comemorada ano após ano, sempre no dia 14 de Nisã, e era uma festa profética, pois apontava para a morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.  Jesus morreu exatamente no dia da Páscoa, 14 de Nisã, uma sexta-feira do ano 31.  A festa sagrada que apontava para a ressurreição de Jesus não era a Páscoa, e sim a festa das Primícias, sempre no dia 16 de Nisã (Lev 23:5-6, 9-14), podia cair em dias diferentes da semana, mas o dia do mês era o mesmo todos os anos.
 
Por que a Páscoa atualmente sempre é comemorada no mesmo dia da semana, isto é, no primeiro domingo depois da primeira lua cheia, depois do equinócio? Às vezes isso pode acontecer em março, abril ou até mesmo maio. Por que os cristãos atualmente, além de comemorar a páscoa no domingo, ainda usam coelhos e ovos com símbolos da páscoa?
 
Muito tempo antes do cristianismo, Babilônia tinha uma deusa chamada Ishtar, a deusa da reprodução e da fertilidade.  Na primavera ela era honrada como a doadora da vida. Os ovos, um símbolo da fertilidade, e os coelhos, como sendo prolíficos reprodutores, eram também adorados. O dia de adoração a Ishtar era sempre o primeiro domingo, depois da primeira lua cheia, depois do equinócio. Quando avançamos um pouco no tempo, chegamos ao período de Pérgamo, quando Constantino tornou-se imperador de Roma (311 d.C.), proclamou sua conversão ao cristianismo (323 d.C.), e então pegou o dia de adoração a Ishtar e transformou-o em o dia da ressurreição de Jesus, o doador da vida. Roma Papal continuou a promover isso até que se espalhou por toda a cristandade. Leo Schreven, Now That's Clear, Prophetic Truth Made Simple (College Place, WA: Color Press, 1997), 36.
 O Natal, 25 de dezembro
 
Esta data também vem de Babilônia.  Em Babilônia o sol era adorado como um dos deuses supremos. Tamuz era o nome do deus sol. A adoração ao sol foi introduzida na igreja de Deus já nos tempos de apostasia do Velho Testamento (Ezeq. 8:14-16).  Em Babilônia, à medida que os dias iam ficando cada vez mais curtos, o povo temia que o sol estivesse morrendo. No dia 22 de dezembro, o dia mais curto do ano, os adoradores do sol começavam uma série de rituais e sacrifícios ao deus sol, inclusive com sacrifícios humanos, apelando para que o sol retornasse para um novo ano. No dia 25 de dezembro eles percebiam que o dia começava a ficar mais longo novamente, e neste dia eles tinham uma grande celebração de regozijo pelo renascimento do sol. Este costume foi praticado não só em Babilônia, mas também em Roma. Constantino, fez com a data de 25 de dezembro, o mesmo que ele fez com a páscoa. Ele substituiu o nascimento do sol pelo nascimento de Jesus. Leo Schreven, Now That's Clear, Prophetic Truth Made Simple (College Place, WA: Color Press, 1997), 36.

Roma Papal aceitou e promoveu essa data espalhando-a por toda a cristandade.  Historicamente, comprovamos que tanto a páscoa como o natal, da maneira como são comemorados hoje, têm sua origem no paganismo da antiga Babilônia.
 

 O Domingo
 
Em Babilônia o povo adorava o deus sol, Tamuz. O dia escolhido para adoração ao sol era o primeiro dia da semana, chamado de “Sunday,” o dia do sol. Esta falsa adoração foi praticada nos reinos que seguiram após Babilônia, isto é, MedoPérsia, Grécia, e Roma. A adoração ao sol estava tão enraizada que até mesmo entre o povo de Deus, quando em apostasia, era praticada.
 
“E levou-me à entrada da porta da casa do Senhor, que está da banda do norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando por Tamuz (o deus sol). E disse-me: viste filho do homem? Verás ainda abominações maiores que estas. E levou-me para o átrio interior da casa do Senhor, e eis que estavam à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor, e com os rostos para o Oriente; e eles adoravam o sol virados para o Oriente” (Ezeq. 8:14-16).  
 
Deus falou que isso era uma abominação para Ele. Assim como Roma imperial pagã continuou essa adoração ao sol no primeiro dia da semana, Roma Papal simplesmente adotou isso e continuou a propagar esse ensinamento pagão por toda a cristandade. Novamente Constantino, o imperador de Roma (321 d.C.), colocou uma ênfase cristã no primeiro dia da semana.  Hoje o domingo não é mais celebrado em adoração ao deus sol, mas em adoração a Jesus!  Mas não podemos esquecer que o primeiro dia da semana continua sendo “Sunday” dia do deus sol, e por isso, conforme Ezequiel 8:14-16, continua sendo uma abominação aos olhos de Deus.
 
O Reverendo Peter Geirmann faz a seguinte declaração no The Convert's Catechism of Catholic Doctrine:
 
Pergunta: Qual é o dia de Sábado?
 
Resposta: Sábado é o sétimo dia.
 
Pergunta: Por que nós observamos o Domingo em lugar do Sábado?
 
Resposta: Nós observamos o Domingo no lugar do Sábado porque a Igreja Católica, no Concílio de Laodicéia (336 d.C.), transferiu a solenidade do Sábado para o Domingo.” Peter Geirmann, The Convert's Catechism of Catholic Doctrine, Segunda edição, 50.
 
A primeira ação oficial da Igreja Cristã expressando sua preferência pelo Dia do Sol, “Sunday,” ocorreu no Concílio de Laodicéia, que embora tenha feito provisão para a adoração no Sábado, determinou que esse era um dia de trabalho. Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 4, 832.
 
A seguir damos algumas outras práticas e ensinamentos que foram introduzidos na Igreja Cristã entre os séculos IV e VI.  
 
Nem todas as datas podem ser dadas com exatidão, considerando-se que algumas doutrinas e rituais foram debatidos ou praticados por um longo período de tempo, antes de serem formalmente aceitos.
 
1. Oração pelos mortos  (c. 300)
 
2. Fazer o sinal da cruz  ( 300)

3. Queima de velas  (c. 320)
 
4. Uso de imagens, e veneração de anjos e mortos  (375)
 
5. A Missa, como uma celebração diária  (394)
 
6. O início da veneração de Maria.  O termo “Mãe de Deus” foi primeiro aplicado a Maria pelo Concílio de Éfeso  (431)
 
7. Os sacerdotes começaram a se vestir diferente dos leigos  (500)
 
8. Extrema Unção  (526)    
 
9.    A doutrina do purgatório, imposta por Gregório I  (593) Loraine Boettner, Roman Catholicism (Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1962), 7, 8.
 
Alguns estudiosos afirmam que 75% do ritual da Igreja Romana é de origem pagã. Loraine Boettner, Roman Catholicism (Philadelphia: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1962), 10.

Tanto nos cultos cristãos como nos pagãos deste período havia: vestes esplêndidas, mitras, tiaras, purificações, imagens, vasos de ouro e prata, velas, báculos pastorais, confissões e um sem número de outras coisas semelhantes. Edwin R. Thiele, Apocalipse: Esboço de Estudos, vol. 1, 52.
 
“Constantino não renunciou a religião dos seus ancestrais antes de se erigirem aqui e acolá templos magníficos, os quais adornados de gravuras e imagens, tanto na sua forma exterior como interior, assemelhavam-se às igrejas e templos dos deuses.” J. L. von Mosheim, Eclesiastical History, vol. 1, 369.
 
Constantino tinha um sonho, fazer com que a igreja se tornasse um instrumento nas mãos do Império Romano (337 d.C.), só que ele não podia prever os resultados futuros.  A união da Igreja e do Império não fortaleceu o Império, mas acelerou a sua dissolvição. Em 330 a capital do Império foi transferida de Roma para Constantinopla, e essa mudança contribuiu muito com o crescimento e fortalecimento da influência do bispo de Roma, que soube tirar vantagem disso. Roma era o lugar ideal para a Igreja Romana implantar o seu quartel general. Por estranho que pareça, mesmo quando Roma caiu nas mãos das tribos arianas, a figura mais importante na cidade de Roma continuou sendo o bispo de Roma. As tribos bárbaras que destruiram o poder civil de Roma Imperial, submeteram-se ao poder espiritual de Roma Papal. Todas elas se converteram à Igreja de Roma, com excessão das três tribos que se mantiveram arianas, e foram, finalmente, destruídas conforme a profecia de Daniel 7:8, 24.  
 
Os Hérulos foram os primeiros, das tribos bárbaras, a reinarem em Roma (476 d.C.).  Odoacro, o líder dos Hérulos, e também um ariano, proclamou-se rei de Roma neste ano. O imperador romano da parte oriental, Zeno, usou Teodorico, líder dos Ostrogodos, para derrotar os Hérulos (493 d.C.). A partir deste ano Roma ficou sob o poder dos Ostrogodos.  Teodorico era um forte ariano, tanto quanto Odoacro. O sistema papal não poderia ser bem sucedido enquanto sob o domínio de tribos arianas.  
 
Os Vândalos, liderados por Genserico, foram derrotados pelo general romano Belizário em 534 d.C. No mesmo ano (534), Belizário inicou também, sua campanha contra os Ostrogodos, na Itália.  Embora essa campanha tenha durado 20 anos, a derrota decisiva dos Ostrogodos ocorreu em 538 quando foram forçados a abanbonar o cêrco de Roma. Em 538, pela primeira vez, desde que o Império Romano do Ocidente acabou (476), a cidade de Roma ficou livre do domínio de um reino ariano. Somente a partir dessa data é que o Edito de Justiniano (533) nomeando o bispo de Roma como cabeça geral da Igreja Cristã, e cabeça de todos os santos sacerdortes de Deus, pode vigorar. Quando o poder ariano foi quebrado, o papado finalmente ficou livre para exercer sua supremacia.
 
O período de Pérgamo foi o mais trágico de todos para o cristianismo, pois aqui se desenvolveu a apostasia, o “homem do pecado,” “o filho da perdição,” “que se assenta como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (II Tess. 2:3-4). Tudo isso ocorreu no período de Pérgamo. O casamento da Igreja Cristã com o paganismo gerou um filho, o papado, o anticristo, que constitui o próprio trono de Satanás dentro do templo de Deus, Sua igreja.    
 
Entre aqueles que se converteram à Igreja Romana, estava o mais poderoso líder bárbaro, Clóvis, rei dos Francos (496 d.C.).  Com a conversão de Clóvis, Roma Papal encontrou o braço forte que precisava para lutar suas guerras e defender os interesses da Sé Romana. Clóvis foi muito útil para conseguir a conversão das outras tribos bárbaras que ainda eram arianas.
 
O surgimento do papado, como pode ser visto, foi gradual.  
 
O bispo de Roma começou a crescer em prestígio e poder com o apoio de Constantino, e principalmente, com a mudança da capital do império, de Roma para Constantinopla (330). Don Sharkey, Pio XII e o Vaticano, 94. “Mas em 330 Constantino resolvera mudar a capital para Bizâncio, onde é hoje a Turquia. Essa cidade recebeu em sua honra o nome de Constantinopla. Viu-se depois que o enorme Império Romano não podia ser governado de Constantinopla do mesmo modo que o era de Roma. No ano 395 foi dividido em duas partes, o império do Oriente e o Império do Ocidente. O Imperador do Oriente vivia em Constantinopla. O Imperador do Ocidente preferiu viver em Ravena e não em Roma. Deixando Roma de ser capital, ficou sem nenhum alto funcionário e o povo começou a considerar o Papa como seu chefe e protetor.
 
Em 343 o Sínodo de Sárdica determinou que o Bispo de Roma exercesse poder sobre os outros bispos. Em 395 o Império Romano foi dividido em duas partes, Oriente e Ocidente;   Inocêncio I (m. 417) reivindicou para si o supremo poder sobre o mundo Cristão, mas não pode exercer esse poder. Agostinho (m. 430), um dos Pais da Igreja e fundador da teologia medieval, sustentava que a Igreja de Roma tinha sido sempre soberana no ato de exercer domínio sobre todas as outras igrejas.
 
No Concílio de Calcedônia (451), o bispo de Roma foi chamado de papa. Antes deste concílio todos os sacerdotes e bispos eram chamados de papa. O Concílio de Calcedônia tentou restringir esse título exclusivamente ao bispo de Roma, que nesse tempo era Leão I, e ao mesmo tempo, a todos os outros bispos de Roma anteriores. Loraine Boettner, Roman Catholicism, 102-103.
 
Leão I ( o Grande, m. 461 d.C.), foi o primeiro bispo de Roma a proclamar que Pedro tinha sido o primeiro papa, e a afirmar a sucessão papal a partir de Pedro.  Leão I ganhou prestígio quando, com sucesso,  conseguiu persuadir e impedir Átila, rei dos Hunos, (452 d.C.), e Genserico, rei dos Vândalos (455 d.C.), a não entrarem em Roma; Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 4, 836.
fortaleceu-se muito com a conversão de Clóvis, rei dos Francos (496 d.C.).  
 
O Império do Ocidente chegou ao fim em 476 e Roma voltou a ser governada de Constantinopla.  O imperador romano do Oriente, Justiniano, desempenhou um papel especial no estabelecimento do poder civil do papado, através de um Edito Imperial (533 d.C.), reconhecendo sua supremacia sobre todas as igrejas tanto no Oriente como no Ocidente, Edito este, que só foi consolidado depois que os Vândalos foram derrotados em 534, e os Ostrogodos em 538.
 
Desde os dias de Constantino até o presente, Pérgamo tem caracterizado as coisas do Estado. O Mundo e a Igreja tem agido como um só corpo na cristandade. Assim como foi nos dias de Pérgamo (313-538) assim será novamente nos últimos dias.  A igreja novamente procurará se aliar aos braços fortes do poder civil para com autoridade impor a Abominação Desoladora, o Decreto Dominical.  O trono de Satanás dentro do cristianismo, que uma vez foi derrubado (1798), novamente se erguerá e toda a terra se maravilhará após a besta. “e adoraramna todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro” (Apoc. 13:8).  A história vai se repetir!
 
“Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Apoc. 2:17).
 
Jesus conclui essa carta fazendo duas promessas aos vencedores:
 
1. darei Eu a comer do maná escondido.” O maná foi o alimento dado ao povo de Israel no deserto; o salmista chama o maná de “o pão dos anjos” (Salmos 78:25). O maná escondido é provavelmente uma referência ao maná posto num vaso de ouro e conservado na Arca do Concerto (Heb. 9:4).  Aos vencedores não é prometido, meramente, uma nova queda de maná, mas sim, que eles comerão do maná que está no vaso de ouro oculto debaixo do Shequiná, isto é, diretamente da presença de Deus.  O maná é um tipo de Jesus; o maná é sempre uma referência direta a Jesus.  “O maná, caindo do céu para o sustento de Israel, era um símbolo de Jesus que veio de Deus para dar vida ao mundo.  Disse Jesus, 'Eu sou o Pão da vida.” Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 6, 132.
 
2. Jesus promete dar aos vencedores uma pedra branca.  No tempos antigos, uma pedra branca poderia ter vários significados, o primeiro deles era absolvição. Quando uma pessoa era julgada em corte, os jurados colocavam um pedra branca para significar que aquela pessoa tinha sido absolvida do crime. W. Herschel Ford, Simple Sermons on the Seven Churches of Revelation, 56-57.

Desta forma, Jesus está dizendo aqui: “Eu estou lhe dando a pedra branca que significa absolvição e perdão de todos os pecados; eles foram lançados no mais profundo mar, e deles Eu não me lembrarei.”
 
A pedra branca também era usada na antiguidade para se obter hospitalidade, assim como hoje nós usamos cartões de crédito. Tornou-se um costume bem estabelecido entre os gregos e romanos, prover os hóspedes com alguma marca especial, transmitida de pai para filho, a qual assegurava hospitalidade e bom tratamento sempre que apresentada.  Essa marca era geralmente uma pequena pedra branca cortada ao meio. Sobre cada uma das metades o hóspede e o anfitrião mutuamente escreviam os nomes, intercambiando-as a seguir.  Esta pequena pedra branca era suficiente para garantir amizade para ele e seus descendentes quando quer que viajassem pelo mesmo roteiro. É evidente que tais pedras eram conservadas cuidadosamente. Quão natural, pois, é esta alusão ao antigo costume: “Dar-lhe-ei do maná escondido,” e tendo feito isso, tendo-o tornado participante de minha hospitalidade, tendo-o reconhecido como meu hóspede e meu amigo, presenteá-lo-ei com “uma pedra branca e sobre essa pedra escrito um novo nome, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.”  
 
No altiplano do Peru, fica a Missão da Pedra Partida.  Recebeu esse nome quando o missionário adventista Sthal fez uma promessa ao chefe de cuja hospitalidade desfrutou certa noite. Após conversarem por horas sobre coisas espirituais, o velho índio pediu-lhe que alguém fosse instruí-lo mais.    
 
O pastor Sthal prometeu enviar alguém.  “Mas como saberei que se tratará da pessoa que o senhor mandou?” perguntou o índio.  Lembrando-se desse texto de Apoc. 2:17, o missionário apanhou uma pedra, partiu-a, e deu um pedaço ao índio, conservando a outra metade consigo.  Prometeu que o professor que lhe seria enviado se identificaria trazendo a metade da pedra que se encaixaria na que ficara em seu poder.  Isso selou a promessa.  Assim é que Jesus faz com cada um que O recebe como Salvador.  Mediante esse acordo, Ele nos assegura Sua hospitalidade e amizade, presenteando-nos com uma pequena pedra branca que, por sua vez é uma garantia da sagrada e inviolável amizade que Ele devota a cada um de nós.  Ele nos dará um novo nome.  Na Bíblia o nome de uma pessoa reflete o seu caráter, e um novo nome indica, um novo caráter, semelhante ao caráter de Jesus.
 Tiatira
 
“E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente: Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que Eu sou aquele que sonda os rins e corações.  E darei a cada um de vós segundo as vossas obras. Mas Eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que tendes retende-o até que Eu venha. E, ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, Eu lhe darei poder sobre as nações, E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de Meu Pai. E dar-lhe-ei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 2:18-29).
 
A cidade
 
Tiatira era uma cidade na Lídia, perto das fronteiras da Mísia, 42 km a sudeste de Pérgamo. Tiatira não tem uma história bem conhecida; raramente ela é mencionada pelos escritores antigos. “A história de Tiatira é um espaço em branco.” W. M. Ramsay, Lição da Escola Sabatina, 2 trimestre, 1974, 21.

Era considerada uma cidade santa, centro da adoração ao deus sol, Tirinos, geralmente representado como um deus metade homem e metade cavalo.  Por volta do século III a.C. a cidade entrou em decadência, e foi fundada novamente por Seleuco Nicator e colonizada pelos gregos (305-281 a.C.)  Daquele tempo em diante Tiatira permaneceu sendo uma das menores cidades gregas. Embora tenha se tornado o centro comercial do Vale Lycus, ela nunca se tornou uma metrópole como Éfeso, Esmirna ou Pérgamo. Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 96.

Tiatira destacou-se pelas corporações comerciais, entre elas, a corporação dos tingidores de púrpura.  O que distinguiu os habitantes de Tiatira foi a arte em tingir púrpura.  Lídia, que foi convertida pelo apóstolo Paulo, era vendedora de púrpura de Tiatira ( Atos 16:14).
 
Tiatira era famosa pelo seu magnificente templo de Artemis, outro nome usado para a deusa Diana. De um modo geral, a impressão da cidade era de debilidade e dependência. A fragilidade natural impunha aos habitantes a necessidade de vigilância. “Nenhuma cidade recebeu da natureza tão pouca coisa para ser vista, ou tão pouca força como fortaleza.” W. M. Ramsay, Lição da Escola Sabatina, 2 trimestre, 1974, 21. A antiga Tiatira encontra-se soterrada sob Akhisar, uma pequena cidade com cerca de 46.000 habitantes (estatística de 1974). Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 96.
 
Significado e período
 
Tiatira significa “Sacrifício de Contrição.” A profecia introduz clara e objetivamente a fase da Supremacia Papal. O período anterior, Pérgamo (313  538), preparou o terreno para o surgimento do “homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (II Tess. 2:3, 4). Uma definição mais clara do que essa seria impossível, pois define objetivamente as pretensões reivindicadas pelo bispo de Roma ao se tornar o cabeça do cristianismo.  A Igreja Cristã passou por um longo processo de decadência espiritual até chegar a esse ponto de submissão ao papa como um poder absoluto sobre os reis e sobre a igreja.  É importante lembrar que a igreja mencionada na carta de Tiatira ainda é a Igreja de Deus, porém, não Jezabel, ela não é de Deus.  A importância dos 1260 anos de perseguição aos “santos do Altíssimo” (Dan. 7:25; Apoc. 12:6) sugere que o ano 1798 poderia ser muito bem escolhido como sendo o final do período de Tiatira, mas, em vista da importância da Reforma Protestante em quebrar o domínio papal, a data 1517 seria mais própria para situar o final do período de Tiatira. W. M. Ramsay, Lição da Escola Sabatina, 2 trimestre, 1974, 21. W. M. Ramsay, Lição da Escola Sabatina, 2 trimestre, 1974, 21.
 
O ano 476 d.C. é citado pelos historiadores como o fim do Império Romano do Ocidente e o surgimento da Europa dividida.  A profecia de Daniel 7 mostra que o quarto animal terrível e espantoso representava o quarto reino mundial, Roma.  Esse animal tinha dez chifres, símbolo das dez nações que surgiram das ruínas do Império Romano; e, no meio dos dez chifres, surgiu um chifre pequeno que derrubou três dos dez anteriores, a saber, os Hérulos (493), Vândalos (534) e Ostrogodos (538).  Daniel 7:23 diz que esse chifre pequeno seria “diferente dos primeiros” porque “proferiria palavras contra o Altíssimo, e destruiria os santos do Altíssimo, e cuidaria em mudar os tempos e a lei, e eles (os filhos de Deus) seriam entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo” (Dan.7:24, 25).  Este poder é Roma Papal, um poder diferente dos demais pois é um poder político-religioso, e ousou tentar mudar a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, destruindo o segundo mandamento (Exo. 20:4-6) que proíbe as imagens, e substituindo o quarto, o santo Sábado, sétimo dia da semana, pelo domingo (Exo. 20:8-11).  Tudo isso ocorreu no período de Pérgamo.  
 
Em 533 o Imperador Justiniano promulgou uma carta, possuindo a validade de um decreto imperial, pela qual se reconhecia a absoluta liderança do bispo de Roma, João II (533535).  A partir deste decreto as autoridades romanas datam o reconhecimento oficial da Supremacia Papal.  Porém, em 533 ainda existiam duas tribos arianas que se opunham às doutrinas de Roma.  Os Vândalos foram derrotados pelo general Belizário em 534, e os Ostrogodos em 538.  Neste ano não somente houve este golpe decisivo desferido pela espada imperial em auxílio ao bispo de Roma, mas também o primeiro papa de uma nova ordem foi posto no trono.  O Papa Silvério (536-537), acusado de simpatia para com os Ostrogodos, foi deposto por Belizário em 537. O imperador interveio e sustentou a questão da validade de sua deposição até 538. Naquele mesmo ano diz Schaff: “Virgílio, instrumento servil às mãos de Teodora, ascendeu à cadeira papal, sob a proteção militar de Belizário.” F. Schaff, History of the Christian Church.
 
Com o Papa Virgílio iniciou-se uma nova ordem de papas e iniciou-se também o período da Supremacia Papal que duraria 1260 anos (538  1798).  Porém o período de Tiatira terminou em 1517, ano em que Martinho Lutero pregou as noventa e cinco teses na porta da igreja de Wittemberg. A mensagem à igreja de Tiatira aplica-se apropriadamente à experiência do cristianismo durante a Idade Escura.
 
A igreja
 
A igreja cristã local da cidade de Tiatira perdeu sua pureza e enfrentou problemas logo nos primeiros séculos da Era Cristã. Um dos Pais da Igreja, Epifânio, faz menção de que no início do século III a cidade toda e suas cercanias abraçaram a heresia Montanista. Seventh Day Adventist Bible Commentary, vol. 7, 97.
 
Montano era um homem de uma forte influência espiritual que começou a pregar uma mensagem de reforma no província da Frígia.  Ele reivindicava para si mesmo e seus associados os dons do Espírito, particularmente o dom de profecia. Eles pregavam uma mensagem de reavivamento e reforma desafiando a igreja a abandonar o mundanismo; condenavam o segundo casamento; defendiam que todos os que eram culpados de crimes deveriam ser excluídos da igreja; praticavam e ensinavam rígidos jejuns; defendiam o celibato; louvavam excessivamente aqueles que se tornavam mártires, e, mesmo encorajavam os membros a se tornarem mártires, aconselhando-os a não fugirem em face da perseguição. Por serem perseguidos dentro da própria igreja, principalmente pelos líderes, eles pouco a pouco se posicionaram contra a organização eclesiástica da igreja governada pelos bispos.  Cairam no extremismo e foram condenados pela igreja.  É fácil imaginar que, em razão da forte influência espiritual de Jezabel (provavelmente alguma figura feminina que influenciou a igreja local de Tiatira), Montano foi bem sucedido ao iniciar o movimento de reavivamento e reforma condenando o mundanismo dentro da igreja de Tiatira e cercanias. Alguns membros dessa igreja foram desencaminhados por essa brilhante figura feminina, poderosa e ímpia mulher.  
 
A mensagem
 
Jesus começou esta carta descrevendo a Si mesmo como o Filho de Deus, cujos olhos são como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente. O olhar de Jesus é penetrante e sonda os rins e os corações.  Nada pode ser ocultado aos olhos de Deus.
 
“Eu conheço as tuas obras e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras” (Apoc. 2:19).
 
Tiatira experimentou, por um lado, muito escuridão, muita apostasia; mas, por outro lado, também vivenciou muita luz, e embora alí se tenham registrado alguns dos fatos mais infames já executados em nome da religião, também se presenciaram alguns dos maiores feitos de homens cheios do amor e do Espírito de Deus.  Foram os dias dos Cavaleiros do Templo, dos monges mendicantes e de Hildebrando (mais tarde Gregório VII), mas foram também os dias dos Valdenses e dos Albigenses, de Wycliffe e Huss, Jerônimo e Lutero. Nunca houve tanto para ser louvado; nunca tanto para ser condenado.  Deus viu o serviço de amor e o paciente sofrimento dos Seus filhos nesse período e expressou a Tiatira palavras de louvor e elogio, detacando-a como a única igreja em que Jesus observou progresso nas obras dos crentes.  Neste sentido verifica-se o oposto da mensagem da igreja de Éfeso, onde o convite incita a que voltem a praticar as primeiras obras.
 
“Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria” (Apoc. 2:20).
 
Os símbolos aqui não poderiam ser mais apropriados.  Quem era Jezabel?  Literalmente, Jezabel era “filha de Etbaal, rei dos Sidônios” (I Reis 16:31), e sumo sacerdote de Baal.  Acabe, rei de Israel, era fraco em capacidade e em moral, e sua união por casamento com uma mulher idólatra resultou em desastre para o povo de Israel.  Jezabel, portanto, veio da casa de Baal para a casa de Deus.  Pagã de coração, tornou-se rainha do povo de Israel.  Como rainha fez todos os esforços para seduzir os adoradores de Deus e estabelecer o culto a Baal. Os profetas de Deus foram mortos a espada e, pelo espaço de “três anos e meio”, não choveu, a terra foi tomada pela fome (Tiago 5:17). Veio então a Reforma e o Reavivamento por intermédio do profeta Elias, que começou desafiando os profetas de Baal no Monte Carmelo (I Reis 18).
 
O mesmo se deu com a igreja do período de Tiatira.  Jezabel é o antítipo de Roma Papal, a Grande Meretriz, que se diz profetiza.  No período de Pérgamo efetivou-se o casamento do cristianismo com o paganismo, e deste jugo desigual, nasceu o “filho da perdição, o homem do pecado” ( II Tess. 2:8).  Jezabel admitida no seio da igreja e ensinando o povo de Deus, representa Roma Papal dominando e instruindo o povo de Deus durante a Idade Média.  Roma Papal trouxe consigo violência, perseguição e terrível escuridão.  O período em que a meretriz Jezabel estivera assentada no trono, corresponde ao período em que a igreja de Deus teve que fugir para o deserto: “E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias” (Apoc. 12:6; Daniel 7:25). A mulher que fugiu para o deserto representa o povo de Deus que permaneceu fiel nesse período de supremacia papal. Por três anos e meio proféticos, ou mil duzentos e sessenta anos (538  1798), a verdade esteve eclipsada enquanto que na terra havia fome espiritual.  Finalmente, à semelhança de Elias no passado, surgiram os profetas, a Luz e a Reforma.
 
“No século sexto tornou-se o papado firmemente estabelecido.  Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e declarou ser, o bispo de Roma, a cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera lugar ao papado.  O dragão dera à besta “o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” (Apoc. 13:2). E começaram então os 1260 anos de opressão papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse (Daniel 7:25; Apoc. 13:5-7)... O acesso da Igreja de Roma ao poder assinalou o início da escura Idade Média.  Aumentando o seu poderio, mais se adensavam as trevas.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 54, 55.

“O papado teve um desenvolvimento gradual.  A primeira vez que apareceu como um poder mundial foi no sexto século d.C.; alcançando o máximo do seu poder no século XIII.” Henry H. Halley, Halley's Bible Handbook, 767.

As autoridades católicas reconhecem que o Vaticano Don Sharkey, “O primeiro edifício a ser construído na região hoje conhecida por Vaticano, foi um Circo construído pelo imperador Calígula, poucos anos depois da morte de Jesus. Muitas disputas esportivas aí se realizaram. Mais tarde Nero introduziu certas reformas, pelo que o Circo passou a ser conhecido como “o Circo de Nero.” Foi nesse Circo que se efetuou o primeiro massacre dos cristãos. Nero contemplava satisfeito os cristãos queimados como tochas em postes, ou feitos em pedaços pelos leões, ou mortos por milhares de outros meios, cada qual mais terrível. Nesse Circo foi São Pedro crucificado. A pedido do Papa Silvestre, Constantino começou a ereção de uma grande igreja ali em 306. Uma parte das paredes do velho Circo foi aproveitada na construção da igreja. O papa Silvestre fez a consagração da Basílica em 18 de Novembro de 324.” Pio XII e o Vaticano, 89. Este foi o início do Vaticano. Por isso a profecia diz que “o dragão deu seu poder à besta, e o seu trono” (Apoc. 13:2). O mesmo espírito perseguidor de Roma pagã cedeu lugar às perseguições papais contra os cristãos. O “trono de Satanás” tornou-se o trono papal, que por sua vez continuou a “se embebedar com o sangue dos santos” (Apoc. 17:6).

de hoje foi construído exatamente nos jardins de Nero, o imperador de Roma, onde, segundo a tradição, foi enterrado o apóstolo Pedro. Don Sharkey, Pio XII e o Vaticano, 8.

No ano 306 da era cristã, Constantino, o Grande, começou a ereção de uma igreja no mesmo local.  Foi a primitiva Basílica de São Pedro.  Roma pagã cedeu lugar à Roma papal.  Mesmo o título “supremo pontífice” que vem do latim e significa “fazedor de pontes”, era no tempo do paganismo usado pelos pontífices romanos ou sumo-sacerdotes significando que eles eram os responsáveis pelas pontes sobre o rio Tibre. Don Sharkey, Pio XII e o Vaticano, 33. O Título completo do papa é “Bispo de Roma; Vigário de Jesus Cristo; Sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos; Supremo Pontífice da Igreja Universal; Patriarca do Ocidente; Primaz da Itália; Arcebispo e Metropolitano da Província de Roma; Soberano da Cidade do Vaticano.”
 
Muitas cerimônias puramente pagãs em sua origem foram perpetuadas sob o manto do Igreja Romana.  Mencionaremos a seguir somente algumas delas:
 
1.   O sumo sacerdote da religião pagã era chamado Pontífice Máximo, e ele reinvidicava o poder espiritual e temporal sobre todos os homens.  O papa assumiu esse título, e fez a mesma reivindicação, inclusive foi vestido com a mesma indumentária.
 
2.   Os pagãos vestiam escápulas, medalhas, e imagens para proteção pessoal.  Os romanistas vestem essas mesmas coisas pelas mesmas razões.
3.   Os pagãos, através de um processo oficial chamado deificação, elevavam os homens, após a morte, à uma posição deificada e de acordo com a tradição pagã eram conferidas a eles honras especiais e adoração. Os papas, através de um processo chamado canonização, exaltam homens e mulheres após a morte à posição de santos e então oferecem aos santos orações e adoração.
 
4.   A adoração de ídolos e imagens, ensinados pela Igreja de Roma foi também um costume herdado da religião pagã.  Todas essas práticas foram e são proibidas por Deus na Sua Santa Lei (Exo. 20), e não foram praticadas na igreja cristã primitiva, no período de Éfeso 31 a 100) e Esmirna (100 a 313).  Tudo isso começou no período da exaltação do cristianismo no período de Pérgamo e foi consolidado no período de Tiatira na supremacia papal.
 
5.   As ordens religiosas da Igreja de Roma, composta de freiras e monges foram também uma imitação das virgens vestais da antiquidade, consagradas à deusa romana Vesta (a deusa romana do fogo), para vigiarem o fogo sagrado perpetuamente queimando sobre o seu altar. F.G. Smith, What the Bible Teaches (Anderson, Indiana: Gospel Trumpet Company, 1914), 285, 286.
 
A maneira como o Panteon de Roma foi reconsagrado para uso da Igreja Católica Romana mostra claramente a origem e natureza pagãs de muitas das suas doutrinas. Este antigo templo, o Panteon, ainda existe e pode ser visitado pelos turistas.  Ele foi construido por Marcus Agripa no ano 27 a.C. e consagrado a “todos os deuses.” O Papa Bonifácio IV, em 610 d.C., reconsagrou-o à “Bendita Virgem e a todos os santos.” Daquele tempo em diante os seguidores da fé católica passaram a se ajoelhar e adorar neste mesmo templo, e diante das mesmas imagens, e devotamente imploram e fazem orações às mesmas imagens de sempre, e pelos mesmos objetivos que os pagãos o faziam na antiquidade. Obviamente, os nomes dos ídolos e imagens foram mudados para nomes de personagens cristãos.  

A mesma adoração idólatra continua sendo realizada até o dia de hoje. F.G. Smith, What the Bible Teaches (Anderson, Indiana: Gospel Trumpet Company, 1914), 286.
 
Dowling escreveu: “O estudioso, que é bastante familiar com as descrições clássicas da antiga mitologia, quando ele dirige sua atenção às cerimônias da adoração papal, não pode deixar de reconhecer uma muito íntima semelhança, ou então uma absoluta identidade.” F.G. Smith, What the Bible Teaches (Anderson, Indiana: Gospel Trumpet Company, 1914), 286.
 
O papa pretende ser o vigário de Cristo na terra e suprema cabeça da igreja, como no caso do Papa Inocêncio, que se denominou o único diante de quem todos os joelhos, todas as coisas no céu e todas as coisas na terra, e debaixo da terra têm que se dobrar. Ele reivindica o poder sobre as almas de todos os homens na terra e mesmo sobre aqueles que já deixaram a terra.  
 
Se tal arrogância não for uma blasfêmia contra Deus e Sua igreja, então eu me sinto totalmente incapaz de imaginar que tipo de coisas cumpriria a profecia de Apoc. 13:5 “E foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias.”  Jezabel, que se diz profetisa, ensinou a igreja a se prostituir com a idolatria.

A Igreja de Roma ensina que:
 
1.  o papa é o mediador;
 
2.  que se pode confiar nas próprias obras para expiação do pecado;
 
3.  longas peregrinações;

4.  atos de penitência;
 
5.  adoração de relíquias;

6.  construção de igrejas, de relicários e de altares;
 
7.  pagamento de grandes somas à igreja;
 
8. generalizou-se a adoração de imagens;
 
9.  acedem-se velas perante imagens e orações são feitas às imagens;

10. o erro da imortalidade natural do homem e consciência na morte;
 
11.  adoração da Virgem Maria;
 
12.  a heresia do tormento eterno;
 
13.  doutrina das indulgências;
 
14.  santificação do domingo;
 
15.  a implantação do idolátrico sacrifício da Missa.
 
“O meio dia do papado foi a meia noite do mundo.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 60.
 
Em Apocalipse 17 a profecia fala de Babilônia, a grande meretriz, vestida com ouro e pedras preciosas, com um cálice de Ellen G. White, O Grande Conflito, 60.
ouro na mão, prostituindo-se com os grandes da terra; embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus; sentada sobre a cidade dos sete montes (Apoc. 17:9) Esta é uma descrição acurada da própria Jezabel. Esta mulher Jezabel é a igreja tomando o lugar de Jesus.  Rebaixando Jesus para exaltar a igreja, rebaixando a Bíblia para exaltar a tradição. A mensagem dela é: “ouça a igreja.” A mensagem de Jesus é: “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja” (Apoc. 2:29).
 
A maioria do protestantismo pode se julgar bem separado e distante do papado, mas, se analisarem, perceberão que estão mantendo e defendendo com unhas e dentes as doutrinas que tiveram origem não na Palavra de Deus, e sim na tradição católica. Citamos alguns exemplos: a imortalidade da alma, a santificação do domingo, o natal no dia 25 de dezembo, a páscoa com seus ovos e coelhinhos, a autoridade da igreja acima da autoridade da Bíblia, o clero como sendo uma classe superior à dos leigos, o batismo por aspersão, a tendência de buscar no Estado o apoio para impor a religião e outros.
 
Em toda a história não há outro caráter que represente tão cabalmente o sistema papal, seu caráter, obras e culto, como a impura mulher de Acabe, Jezabel.  Jezabel era uma pagã casada com um judeu.  E tal é o caráter do sistema papal nos seus principais elementos:
 
1.  paganismo unido a um Judaísmo obsoleto;
 
2.  Jezabel é descrita como mulher que se diz profetiza e como encarregada de ser mestre dos servos de Deus;

3.  o papado professa e pretende ser o único mestre infalível do céu a ensinar a verdade de Deus;
 
4.  Jezabel é descrita como tendo um conjunto de obras enfaticamente chamado “suas obras” para distinguir de outras que são chamadas “obras de Cristo”;
 
5.  o papado é um sistema de obras, uma religião de cerimônias, penitências, jejuns, missas, rezas, vigílias, abnegações, macerações do corpo, purgatório, superprivilégios e santidade meritória dos santos, pelas quais ela se propõe salvar os seus devotos;
 
6.  Jezabel era uma adúltera;
 
7.  o papado, acima de tudo, tem-se caracterizado por suas relações com os reis e potestades da terra, fazendo o que lhes agrada para conservá-los sob sua direção e ensinar o povo de Deus a submeter-se e aceitar as formalidades mundanas como meios de se obter a vitória cristã;
 
8.  Jezabel foi uma perseguidora e matadora dos profetas e das testemunhas de Deus;
 
9.  E o que mais distingue o papado é a severidade mostrada contra aqueles que se levantaram contra suas ímpias pretensões. O que mais distingue o papado são as torturas públicas e secretas, e matança dos santos que queriam seguir a Bíblia. J. A. Seiss, The Apocalypse, vol. 1, 194, 195.
 
Deus não colocou na terra um trono para que Seus apóstolos reinassem; o que Deus planejou para Seus apóstolos e sucessores está descrito nas palavras do apóstolo Paulo:
 
“Porque tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculos ao mundo, aos anjos, e aos homens” (I Cor. 4:9).
 
Os apóstolos e sucessores de Jesus não estariam reinando.  O Novo Testamento inteiro é contra a idéia dos apóstolos reinando agora, antes da volta de Jesus; mas, na igreja de Tiatira, a mulher Jezabel reina, e se relaciona com os grandes da terra, prostituindo-se com eles (Apoc. 2:21, 22; 17:1, 2). O Novo Testamento apresenta o quadro da verdadeira igreja e apóstolos de Deus, sendo perseguidos, não perseguindo; sendo mortos, não matando; sendo fugitivos, não reinando; sendo separados do mundo, não se relacionando amigavelmente com os grandes da terra; exaltando a Palavra, a Santa Bíblia, não promovendo a queima e extermínio da Bíblia; o Espírito Santo sendo o vigário, o substituto de Jesus na terra (João 16:7-8, 13-14; 14:16-18, 26), não o papa que se proclama vigário de Cristo; a supremacia do Espírito Santo, não a supremacia papal.  Jezabel tem usurpado a autoridade e atributos do divino Espírito Santo.  Ela reina ao invés de se sujeitar; ela se proclama infalível negando a verdade bíblica de que somente Deus é infalível.  
 
O tempo em que Jezabel reinou com supremacia sobre a terra, isto é, o período da supremacia papal (538  1798) foi necessariamente o período mais corrupto. Os historiadores chamam esse tempo de a Idade Escura, exatamente a fase que se seguiu ao período de Pérgamo (313  538). No período de Pérgamo, a igreja ainda não estava reinando sobre a terra, e sim os imperadores de Roma; eles convocavam concílios, eles punham e depunham os bispos. A igreja era meramente uma ferramenta nas mãos deles. No período de Tiatira a situação mudou totalmente porque a igreja começou a reinar, pôr e depor reis. Jezabel colocou seus pés sobre o pescoço dos reis, e distintamente usou a Bíblia para impor sua supremacia e exigir submissão.
Don Sharkey, Pio XII e o Vaticano, 97, 98 “Na noite de natal (do ano 800), estava Carlos Magno assistindo missa quando o papa, inesperadamente, colocou-lhe na cabeça uma coroa de ouro e nos ombros um manto de púrpura. O rei foi tomado de surpresa e não sabia a significação daquele ato, até ouvir o coro cantando “Viva Carlos, coroado por Deus, grande, piedoso e pacífico Imperador dos Romanos.” . . . O ato do papa, porém, significava que a Igreja e o Império estavam doravante juntos (o Santo Império Romano). O papa deveria coroar os imperadores, e os imperadores deveriam proteger a Igreja. . . O Imperador protegeria a igreja e os Estados Papais.”
 
As promessas do Velho Testamento sobre o reinado do Messias na terra foram espiritualizadas e aplicadas para a igreja.  Em que tem consistido o reinado da igreja ? A história mostra quão trágico foi o reinado de terror da igreja na Idade Média (Daniel 7:25) quando os santos do Altíssimo foram massacrados e perseguidos por três anos e meio proféticos; o sangue dos santos foi derramado a tal ponto de a profecia dizer que Babilônia ficou embriagada com o sangue dos santos (Apoc. 17:6).
 
“No século XIII foi estabelecido o mais terrível de todos os estratagemas do papado, a inquisição. O príncipe das trevas trabalhava com os dirigentes da hierarquia papal. Em seus concílios secretos, Satanás e seus anjos dirigiam a mente de homens maus, enquanto, invisível entre eles, estava um anjo de Deus, fazendo o tremendo relatório de seus iníquos decretos...

O papado se tornou o déspota do mundo.  Reis e imperadores curvavam-se aos decretos do pontífice romano.  O destino dos homens, tanto temporal como eterno, parecia estar sob seu domínio... Seu clero era honrado e liberalmente mantido.  Nunca a igreja de Roma atingiu maior dignidade, magnificência ou poder... Os palácios dos papas e prelados eram cenários da mais vil devassidão. Alguns dos pontífices reinantes eram acusados de crimes tão revoltantes que os governadores seculares se esforçavam por depor esses dignitários da igreja como monstros demasiado vis para serem tolerados. Durante séculos a Europa não fez progresso no saber, nas artes ou na civilização. Uma paralisia moral e intelectual caíra sobre a cristandade.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 60.

Toda essa história vai se repetir novamente agora nos últimos dias, no contexto de Apoc. 13.
 
Os Valdenses foram os primeiros dentre os povos da Europa a obter a tradução das Sagradas Escrituras, centenas de anos antes da Reforma. Ellen G. White, O Grande Conflito, 65.

Por volta do ano 1140, o número dos reformadores era tão grande que alarmou o papa. Pedro Valdo, nativo de Lyons, famoso por sua piedade e ensinos, tornou-se um forte opositor do papado, e desse tempo em diante os reformadores passaram a ser chamados de Valdenses. Fox, Book of Martyrs (Philadelphia: Claxton, Remsen and Haffelfinger, 1871), 60.

Os Valdenses tinham a verdade incontaminada, declaravam ser a Igreja de Roma a Babilônia apóstata do Apocalipse, rejeitavam o culto às imagens como idolatria e guardavam o Sábado. Ellen G. White, O Grande Conflito, 65.

As igrejas Valdenses em sua pureza e simplicidade assemelhavamse à igreja dos tempos apostólicos.

Determinando-se Roma a exterminar os Valdenses, uma bula foi promulgada pelo papa, condenando-os como hereges e entregando-os ao morticínio.  Uma porção considerável do texto do edito papal expedido por Inocêncio VIII, em 1487, contra os Valdenses encontra-se, em latim e em francês, na obra de J. Léger, Historie des Eglises Vaudoises. Ellen G. White, O Grande Conflito, 683.

Não eram acusados como ociosos, desonestos ou desordeiros, mas declarava-se que tinham uma aparência de piedade e santidade que seduzia as ovelhas do aprisco.  Portanto ordenava o papa que aquela maligna e abominável seita de perversos, caso se recusasse a abjurar, fosse esmagada como serpentes venenosas. Ellen G. White, O Grande Conflito, 77.
 João Wycliffe
 
No século XIV surgiu na Inglaterra um homem que devia ser considerado a “estrela da manhã da Reforma.” João Wycliffe foi o arauto da Reforma, não somente para a Inglaterra mas para toda a cristandade. Como professor de teologia em Oxford, Wycliffe pregou a Palavra de Deus nos salões da universidade.  Tão fielmente apresentava ele a verdade aos estudantes que recebeu o título de “doutor do Evangelho”.  Mas a maior obra da vida de Wycliffe foi a tradução das Escrituras para a língua inglesa. A Bíblia traduzida por Wycliffe logo teve acesso aos lares do povo. O aparecimento das Escrituras produziu estupefação às autoridades da igreja.  Não havia nesta ocasião na Inglaterra lei alguma proibindo a Bíblia, pois nunca dantes fora ela publicada na língua do povo. Os chefes papais conspiraram para fazer silenciar a voz do reformador.  Perante três tribunais 1 Ibidem., 683. 2 Ibidem., 77. foi ele sucessivamente chamado a juízo.  Wycliffe, porém, não se retratou.  Wycliffe foi chamado a julgamento perante o tribunal papal em Roma, o qual tantas vezes derramara o sangue dos santos, porém, um ataque de paralisia impossibilitou a viagem de Wycliffe a Roma. As doutrinas ensinadas por Wycliffe continuaram durante algum tempo a espalhar-se; seus seguidores, conhecidos como Lolardos, não somente encheram a Inglaterra, mas espalharam-se por outros países. Logo, porém, a impiedosa tempestade da perseguição irrompeu sobre os que haviam ousado aceitar a Escritura Sagrada como guia.  
 
Os monarcas ingleses, ávidos de aumentar seu poder mediante o apoio de Roma, não hesitaram em sacrificar os reformadores.  No reinado de Eduardo III, a igreja da Inglaterra estava numa condição extremamente corrompida e a luz do evangelho de Cristo foi grandemente eclipsada.  Em 1401, pela primeira vez na história da Inglaterra, a fogueira foi decretada contra os discípulos do evangelho.  
 
A primeira pessoa que foi queimada foi William Santree, ou Sawtree, um sacerdote; ele foi queimado em Smithfield.  Logo em seguida o senhor Cobham, foi acusado por ser um seguidor das doutrinas de Wycliffe; ele foi enforcado e então queimado em Loncoln's-Inn Fields em 1419. O próximo a ser amarrado num poste e queimado em Smithfield foi Thomas Bradley, um alfaiate.  Ele foi queimado vivo regozijando-se no Senhor Jesus.  
 
O próximo foi William Thorpe. Por esse tempo trinta e seis pessoas denominadas Lolardos, foram mortas em St. Giles, pela única razão de serem seguidores das doutrinas de Wycliffe. Eles foram queimados vivos e enforcados ao mesmo tempo.  Destes trinta e seis, somente um nome é conhecido, Sir Roger Archer, o qual foi morto à parte dos outros.  Eles o despiram, deixando-o nu, e assim ele foi executado.  Em 1431, Richard Ilvedon, um cidadão de Londres, Thomas Bagley, um sacerdorte que ensinava as doutrinas de Wycliffe, foram executados.  Em 1440 alguns dos grandes no reino foram condenados a prisão perpétua por heresia, eles eram chamados de Lolardos. Fox, Book of Martyrs, 204-206.
 
Falta-nos aqui tempo e espaço para enumerar os mártires de Jesus na Inglaterra. Os romanistas não haviam conseguido executar sua vontade com relação a Wycliffe durante sua vida, e ódio daqueles não se satisfez enquanto o corpo do reformador repousasse em sossego na sepultura.  Por decreto do Concílio de Constança, mais de quarenta anos depois de sua morte, seus ossos foram exumados e publicamente queimados, e as cinzas lançadas em um riacho vizinho. Fox, Book of Martyrs, 89-95.
 John Huss
 
Nasceu em Hussenitz, uma pequena cidade na Boêmia, por volta do ano 1380.  Em 1398, Huss começou seu bacharelado em divindade, e foi mais tarde escolhido como pregador da igreja de Belém, em Praga, e diretor e reitor da universidade. O evangelho fora implantado na Boêmia já no século nono. A Bíblia achava-se traduzida, e o culto público era celebrado na língua do povo. Mas à medida que aumentava o poderio do papa, a Palavra de Deus se obscurecia.  Muitos dos Valdenses e Albigenses, pela perseguição expulsos de seus lares na França, e Itália, foram para a Boêmia. O tempo de Lutero estava ainda longe, mas já se erguia alguém, cujo testemunho contra Roma abalaria as nações.  
 
Huss era sincero adepto da igreja de Roma, e fervorosamente buscava as bênçãos espirituais.  Um cidadão de Praga, Jerônimo, trouxera consigo, ao voltar da Inglaterra, os escritos de Wycliffe.  A rainha da Inglaterra, que se convertera aos ensinos de Wycliffe, era uma princesa Boêmia, e por sua influência as obras do reformador foram também amplamente divulgadas em seu país natal. Essas obras lera-as Huss com interesse. Huss, conquanto não o soubesse, entrara já em caminho que o distanciaria de Roma. Huss começou a estudar mais acuradamente os escritos de Wycliffe e começou a ver claramente o verdadeiro caráter do papado. Da Boêmia a luz estendeu-se à Alemanha, pois perturbações havidas na Universidade de Praga determinaram a retirada de centenas de estudantes alemães.  Notícias da obra em Praga foram levadas a Roma, e Huss foi logo chamado a comparecer perante o papa.  Huss não compareceu diante do papa, e o papa procedeu ao processo de condenação de Huss. A cidade de Praga foi interditada e as igrejas foram fechadas. A cidade de Praga encheu-se de tumulto, e, para acalmar a tempestade, Huss retirou-se por algum tempo à sua aldeia natal.  Até aqui Huss estivera sozinho em seus trabalhos, agora, porém, uniu-se a ele Jerônimo.  Daí em diante os dois estiveram ligados durante toda a vida, e na morte não deveriam ser separados.  Nesse tempo, persistia o cisma na igreja. Três papas contendiam pela supremacia, e sua luta encheu a cristandade de crime e tumulto. Fox, Book of Martyrs, 97-103

Huss foi condenado à fogueira e entregue às autoridades seculares para ser executado. Um imenso séquito o acompanhou, centenas de homens em armas, padres e bispos em seus custosos trajes e os habitantes de Constança. Quando estava amarrado ao poste, e tudo pronto para acender-se o fogo, o mártir uma vez mais foi exortado a salvar-se renunciando os seus erros. “A que erros renunciarei eu?  Não me julgo culpado de nenhum. Invoco a Deus para testemunhar que tudo que escrevi e preguei assim foi feito com o fim de livrar almas do pecado e perdição; e, portanto alegremente confirmarei com meu sangue a verdade que escrevi e preguei.”
 
Quando as chamas começaram a envolvê-lo, pôs-se a cantar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim,” e assim continuou até que sua voz silenciou para sempre. Ellen G. White, O Grande Conflito, 109.

Um zeloso adepto de Roma, descrevendo o martírio de Huss, e de Jerônimo que morreu logo depois, disse: “Ambos se portaram com firmeza de ânimo quando se lhes aproximou a última hora.  Prepararam-se para o fogo como se fosse a uma festa de casamento. Não soltaram nenhum grito de dor.  Ao levantaremse as chamas, começaram a cantar hinos, e mal podia a veemência do fogo fazer silenciar o seu canto.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 109, 110.
 Os Albigenses
 
Enquanto os Valdenses, “pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo” depunham a vida nas montanhas do Piemonte, idêntico testemunho da verdade era dado por seus irmãos, os Albigenses da França. Eles foram condenados no Concílio de Latrão, por ordem do Papa Alexander III.  Porém, eles cresceram tanto em número que muitas cidades eram habitadas predominantemente por reformadores.  No ano 1524 na cidade de Melden, França, John Clark pregou uma nota na porta da igreja, onde ele chamava o papa de o anticristo. Por essa ofensa ele foi repetidamente chicoteado, e marcado com ferro quente na testa.  
 
Depois disso John Clark foi para Mentz, em Lorraine, onde ele demoliu algumas imagens, e por causa disso ele teve a sua mão direita e o seu nariz cortados. Ele suportou essas crueldades e ainda pode cantar o Salmo 115 que proíbe expressamente a idolatria.  Depois disso ele foi lançado no fogo e queimado. Fox, Book of Martyrs, 63, 64.
 
Francis Bribard, secretária do cardeal em Pellay, em 1545, por falar a favor dos reformadores, teve sua língua cortada, e então foi queimada. Ainda no mesmo ano, James Cobard, um professor na cidade de St. Michael, foi queimado por ter dito que a missa era inútil e um absurdo; ao mesmo tempo catorze homens foram queimados em Malda, enquanto suas esposas foram obrigadas a assistirem a execução. Em 1546 Peter Chapot trouxe para a França, muitas Bíblias em francês e vendeu-as publicamente; em consequência ele foi julgado, sentenciado, e executado poucos dias depois. Fox, Book of Martyrs, 64.
 O Massacre da Noite de São Bartolomeu
 
No dia 22 de agosto de 1572 começou esse diabólico morticínio contra os cristãos reformadores. O rei da França, com quem sacerdotes e prelados romanos insistiram, sancionou a hedionda obra. Um sino, badalando à noite dobres fúnebres, foi o sinal para o morticínio.  Milhares de protestantes que dormiam tranquilamente em suas casas, confiando na honra empenhada de seu rei, eram arrastados para fora, sem aviso prévio, e assassinados a sangue frio.  Durante sete dias perdurou o massacre em Paris, sendo os três primeiros dias com inconcebível fúria.  E não se limitou unicamente à cidade, mas, por ordem especial do rei, estendeu-se a todas as províncias e cidades onde se encontravam protestantes.  
 
Não se respeitava nem idade nem sexo.  Não se poupava nem a inocente criancinha nem o homem de cabelos brancos.  Nobres e camponeses, velhos e jovens, mães e filhos, eram juntamente abatidos.  Por toda a França a carnificina durou dois meses.  Pereceram 70.000 da legítima flor da nação.  Quando as notícias do massacre chegaram a Roma, a exultação do clero não teve limites.  O cardeal Lorena recompensou o mensageiro com mil coroas; o canhão de Santo Ângelo reboou em alegre salva; os sinos tangeram em todos os campanários; forgueiras festivas tornaram a noite em dia; e Gregório XIII, acompanhado dos cardeais e de outros dignitários eclesiásticos, foi, em longa procissão, à igreja de S. Luís, onde o cardeal de Lorena cantou o Te Deum; uma medalha foi cunhada para comemorar o massacre. Ellen G. White, O Grande Conflito, 272.

No ano 1620 a perseguição contra os Albigenses foi muito severa.  Em 1648 uma pesada perseguição caiu sobre a Lituânia e Polônia. Entre outros que sofreram, estava o Reverendo Adriano Chalinski, que foi assado vivo por um fogo lento. Fox, Book of Martyrs, 63.

A morte dele é um exemplo da crueldade extrema a que chegam os defensores do papa contra os reformadores.
 
O papado, hoje se apresenta ao mundo com uma face serena, mansa, tranquila, voz suave, falando de amor, tolerância, mas ele ainda mantém os mesmos dogmas e insiste em proclamar-se como sendo a única fonte da verdade, a única fonte de salvação, a única igreja infalível.  Roma Papal não mudou, e nunca mudará.  A história do passado vai se repetir; novamente a terra vai se submeter ao papado, “e toda a terra se maravilhou após a Besta” (Apoc. 13:3, 8), esta é uma profecia cujo cumprimento tem mais direta aplicação ao futuro, aos últimos dias.
 
“Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina (de Jezabel) e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei.  Mas o que tendes retende-o até que eu venha” (Apoc. 2:2425).
 
“Aos restantes que estão em Tiatira” é uma referência aos grupos de cristãos sinceros e leais ao cristianismo apostólico na Idade Média: os Valdenses, Albigenses, Lolardos, os Irmãos Unidos, a Igreja dos Irmãos na Boêmia e Morávia.  
 
“As tuas últimas obras são mais do que as primeiras” revela o crescimento gradual do movimento da reforma.  Os Valdenses, centenas de anos antes da Reforma, já possuíam a Bíblia em manuscrito, na língua materna.  Wycliffe no século XIV surgiu na Inglaterra como a “estrela da manhã” da Reforma, sendo um arauto da Reforma não somente para a Inglaterra mas para toda a cristandade.  Na Boêmia, já no século nono o Evangelho fora implantado, e a Bíblia traduzida. E finalmente Martinho Lutero, o leão da Reforma Protestante que minou o poderio papal.  Apoc. 2:25 mostra que a igreja estava dividida entre os que conservavam a primitiva fé apostólica, a justificação pela fé, e aqueles que se envolveram com as doutrinas de Satanás, “as profundezas de Satanás,” uma referência ao sistema católico idólatra, com base na salvação pelas obras. Os cristãos nesse período receberam de Deus a revelação da doutrina da Justificação pela Fé, e foram aconselhados a conservarem esta verdade até a volta de Jesus.  Eles possuíam uma crescente experiência religiosa e foram estimulados a continuarem crescendo no conhecimento do Senhor.  
 
“Em terras que ficavam além da jurisdição de Roma, existiram por muitos séculos corporações de cristãos que permaneceram quase inteiramente livres da corrupção papal.  Estavam rodeados de pagãos e, no transcorrer dos séculos, foram afetados por seus erros; mas continuaram a considerar a Escritura Sagrada como a única regra de fé, aceitando muitas de suas verdades.  Estes cristãos acreditavam na perpetuidade da Lei de Deus e observavam o sábado do quarto mandamento.  
 
Igrejas que se mantinham nesta fé e prática, existiram na África Central e entre os Armênios, na Ásia.” Ellen G. White, O Grande Conflito, 61.
 
“É desígnio de Deus que os cristãos cresçam continuamente, até chegarem à estatura de homens e mulheres em Cristo.  Todo aquele que não crescer em força, e não se tornar mais firmemente enraizado e plantado na verdade, estará continuamente retrocedendo.” W. M. Ramsay, Lição da Escola Sabatina, 2 trimestre, 1974, 26.
 
“E ao que vencer e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações.  E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi do meu Pai.  E dar-lhe-ei a estrela da manhã.  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apoc. 2:26-29).
 
Neste mundo, os ímpios se mantêm no poder, e os servos de Cristo são, aparentemente, de nenhum valor.  Virá, porém, o tempo em que a justiça estará em ascendência.
 
1. As nações serão entregues pelo Pai às mãos de Cristo, a fim de serem regidas com vara de ferro e despedaçadas como um vaso de oleiro (Salmos 2:8-9).
 
2.  Associados a Cristo em sua obra de poder e de julgamento estarão os Seus santos (Apoc. 3:21).

3. Reinarão com Ele nesta função por mil anos (Apoc. 20:4).
 
4. Durante esse período é determinado o grau de castigo para os homens ímpios e anjos maus (I Cor. 6:2-3).

5. Ao final dos mil anos todos os santos partilharão com Cristo a execução da sentença dos ímpios (Salmos 149:9).
 
A promessa final é que todos os santos receberão a “estrela da manhã,” esse é o próprio Jesus: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas nas igrejas: Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã” (Apoc. 22:16).
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