Os Símbolos Proféticos de Daniel 8 - Estudos Bíblicos Adventistas

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Os Símbolos Proféticos de Daniel 8

A Bíblia Responde > VI – A Segura Palavra dos Profetas
A Bíblia Responde - Capítulo nº 06 - A Segura Palavra dos Profetas

1. Que apareceu a Daniel no ano 538 A. C., o mesmo ano em que caiu Babilónia?

"No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio." Dan. 8:1.

2. Onde estava então Daniel?

"E vi na visão (acontecendo, quando vi, que estava na cidadela de Susã, na província de Elão), vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai." Dan. 8:2.

3. Que atraiu primeiramente a atenção do profeta?

"E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha duas pontas; e as duas pontas eram altas, mas uma era mais alta do que a outra; e a mais alta subiu por último." Dan. 8:3.

4. Que poder era representado pelo carneiro de dois chifres?

"Aquele carneiro que viste com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia." Dan. 8:20.

5. Como são descritos o surgimento e a maneira de agir desse poder?

"Vi que o carneiro dava marradas para o Ocidente, e para o Norte e para o Meio-dia; e nenhuns animais podiam estar diante dele, nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia." Dan. 8:4.

6. Que símbolo foi em seguida apresentado na visão?

"E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do Ocidente sobre toda a Terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos." Dan. 8:5.

7. Que representava o bode que tinha uma ponta notável?

"O bode peludo é o rei da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro." Dan. 8:21.

8. Como foi predita neste símbolo a conquista da Média-Pérsia pela Grécia?

"E o vi chegar perto do carneiro, e irritar-se contra ele; e feriu o carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro para parar diante dele; e o lançou por terra, e o pisou a pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão." Dan. 8:7.

9. Que aconteceu quando o bode estava "na sua maior força"?

"E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu." Dan. 8:8.

10. Que era representado pela "ponta grande," e que aconteceu depois de ela ter sido quebrada?

"Mas o bode peludo é o rei [reino] da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro; o ter sido quebrada, levantando-se quatro em lugar dela, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dela." Dan. 8:21 e 22.

Da interpretação dada, é claro que a "ponta" notável do bode representava Alexandre o Grande, que comandou as forças gregas em sua conquista da Média-Pérsia. Por morte de Alexandre, em Babilónia, no ano 323 A. C., seguiu-se um curto período de confusão e luta pela posse do reino, mas a sucessão foi definidamente determinada pela batalha de Ipsus, em 301 A. C. Os quatro principais generais de Alexandre — Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Seleuco — foram seus sucessores.

"O vasto império criado pelas conquistas inigualáveis de Alexandre foi ofuscado pelas contendas e guerras de seus sucessores, e antes do fim do quarto século antes de Cristo, já se havia dividido em muitos fragmentos. Além de Estados menores, quatro bem definidas monarquias surgiram das ruínas.... Seus chefes eram Lisímaco, Cassandro, Seleuco Nicator e Ptolomeu, que se haviam intitulado reis. A 'grande ponta' estava quebrada; e em seu lugar surgiram quatro notáveis, para os quatro ventos do céu." — História da Grécia, de Myers, pág. 457, edição 1902.

"Um relato conciso da derrota do Império Persa por Alexandre nos é dado nos vs. 6 e 7. As batalhas entre os gregos e os persas foram terrivelmente ferozes. Algumas das cenas registadas na História trazem vividamente à memória a figura empregada na profecia — um carneiro junto do rio, e o bode investindo contra ele 'com todo o ímpeto da sua força.' Alexandre venceu primeiro os generais de Dario junto ao rio Grânico, na Frigia. Em seguida atacou e derrotou Dario nos desfiladeiros de Isso, na Cilicia, e depois o derrotou nas planícies de Arbela, na Síria.

Esta última batalha ocorreu em 331 antes de Cristo, e assinalou a queda do Império Persa. Por este acontecimento Alexandre se tornou senhor de todo o país. Acerca do versículo 6: 'E dirigiu- se [o bode] ao carneiro que tinha as duas pontas, ao qual eu tinha visto diante do rio, e correu contra ele com todo o ímpeto da sua força' — diz Tomás Newton: 'Dificilmente podemos ler essas palavras sem ter uma visão do exército de Dario guardando o rio Grânico, e de Alexandre na outra margem, com as suas forças a saltarem rio a dentro, atravessando a nado a corrente, e investindo contra o inimigo com todo o fogo e fúria que se possam imaginar.'" — Urias Smith, The Prophecies of Daniel and the Revelation, págs. 152 e 159.

Alexandre morreu na flor da idade. Em consequência de seus desregramentos foi tomado de violenta febre, da qual morreu dentro de onze dias, a 13 de junho de 323 antes de Cristo. Assim se cumpriu o que Daniel predissera, que "estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro." Quão exata a profecia! Quão fiel aos registos da História!

Logo após o desaparecimento de Alexandre, desencadearam-se lutas sem tréguas, por longos anos. Antígono, um dos generais de Alexandre, "atacou e matou Eumenes, que defendia os interesses da família de Alexandre, apoderando-se depois de toda a Ásia Menor e da Síria. Em seguida teve de lutar contra Cassandro, Ptolomeu, Seleuco e Lisímaco, que o contrariavam em sua ambição; venceu-os a princípio e tomou o título de rei. Suspendeu as hostilidades em virtude do tratado de 311; recomeçaram pouco depois, e Antígono foi derrotado e morto na batalha de Ipsus (301)." — Enciclopédia e Dicionário Internacional, Vol. 1, pág. 606.

"Estava terminada a luta entre o poder central e as dinastias, e com a morte de Antígono se tornou inevitável o desmembramento do mundo greco-macedónio. Demétrio [filho de Antígono] fugiu para Éfeso, enquanto Lisímaco e Seleuco dividiam o reino de Antígono. Cassandro foi reconhecido como rei da Macedónia." — The Cambridge Ancient History, Yol. 6, pág. 504.

11. Que quer dizer a ponta mui pequena, a qual cresceu muito?

"No fim do seu reinado [dos sucessores de Alexandre], quando os prevaricadores acabarem, se levantará um rei, feroz de cara, e será entendido em adivinhações." Dan. 8:23.

A ponta pequena vem de uma das pontas do bode. Perguntar-se-á: Como pode isto aplicar-se a Roma? Governos terrestres não são introduzidos na profecia antes de se tornarem em certo sentido ligados ao povo de Deus. Roma tornou-se ligada aos judeus, o povo de Deus daquele tempo, pela famosa Liga Judia de 161 antes de Cristo. Mas sete anos antes disso, isto é, em 168 antes de Cristo, Roma havia vencido Macedónia, e tornado aquele país uma parte de seu império. Roma é pois introduzida na profecia justamente quando, após a derrota da ponta macedónica do bode, saía novas conquistas em outros rumos. Pareceu ao profeta como saindo de uma das pontas do bode." — Urias Smith, The Prophecies of Daniel and the Revelation, pág. 158.

"Desde o início do período histórico o desenvolvimento da civilização romana foi profundamente afetado por influências estrangeiras, em particular a etrusca e a grega. Mas ao passo que a influência dos etruscos virtualmente cessou com a expulsão de seus reis de Roma, a dos gregos continuou com força crescente através de todo o período da República. Essa influência grega primeiramente se fez notada em Roma indiretamente, por meio dos etruscos. ... Do segundo século antes de Cristo em diante, a própria Roma ficou apinhada de professores, comerciantes, arquitetos, artistas, médicos gregos e, sobretudo, com escravos domésticos, todos os quais agiam como instrumento, conscientes ou inconscientes, na disseminação do helenismo. Nessas circunstâncias foi inevitável que a civilização helénica, mais antiga e avançada, deixasse uma impressão indelével sobre a mais jovem e menos desenvolvida cultura de Roma. E, com efeito, dificilmente haverá um aspecto importante da civilização romana que não revele traços inequívocos de imitação ou empréstimo de ideias que se originaram entre os gregos. Com óbvia verdade podia dizer o poeta romano Horácio: 'A cativa Grécia capturou seu rude conquistador.'" — A. E. R. Boak, Albert Hyma, e Preston Slosson, The Growth of European Civilization, Vol. 1, pág. 84.

"O contacto com os gregos levou à introdução de divindades gregas e, o que é de muito maior importância, à identificação dos deuses italianos nativos com os do Panteon grego, com o resultado de que a mitologia grega e as formas de representação artística foram assimilados em grande escala pelos romanos."— Idem, pág. 93.

12. Ao contemplar o profeta Daniel a obra de perseguição efetuada pela ponta pequena de Daniel 7, que viu ele realizar-se?

"O juízo estabelecer-se-á e eles tirarão o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até ao fim." Dan. 7:26.

Na profecia do capítulo 7 traça-se a história do surgimento e queda dos quatro grandes reinos, a divisão do quarto, representada pelas dez pontas, e o estabelecimento do papado sob o símbolo da ponta pequena, perante as quais três caíram. Quando o profeta contemplava as perseguições levadas a efeito por esse poder, viu ele o Ancião de dias assentar-Se e começar o juízo. Em seguida ao juízo, o reino ia ser dado aos santos do Altíssimo.

O oitavo capítulo de Daniel recapitula concisamente a história dos reinos, prediz as perseguições ao povo escolhido, movidas por Roma pagã e papal, e apresenta notável profecia sobre o santuário, localizando o princípio do juízo investigativo.

Purificação do Santuário

13. Em que tempo, de acordo com a profecia, devia ser purificado o santuário?

"Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Daniel 8:14.

0 Dia da Expiação, entre os judeus, era o décimo dia do sétimo mês, ocasião em que era purificado o santuário. Esse Dia da Expiação era pelos judeus considerado como dia de juízo e era, com efeito, uma figura do juízo investigativo no Céu. O período de 2300 dias, que de conformidade com a profecia simbólica representam 2300 anos, alcança até à purificação do santuário celestial, ou seja o juízo investigativo. O estudo dos símbolos e do período profético deste capítulo, e de sua interpretação neste e no nono capítulos, proporciona compreensão clara desse período.

14. A que tempo, disse o anjo, pertence a visão?

"Entende, filho do homem, pois a visão pertence ao tempo do fim. ... E disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer nos últimos dias da indignação, porque pertence ao tempo determinado do fim." Dan. 8:17-19.

Esta é a passagem da Trad. Brasileira, onde se lê "tempo do fim," ao passo que outras traduções dizem "fim do tempo." Entretanto, bem analisadas ambas as expressões, nelas vemos muita semelhança.

15. Que expressões indicam que o período de tempo do versículo 14 tem também aplicação ao tempo do fim?

"A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira. Tu, porém, cerra a visão, porque só daqui a muitos dias se cumprirá." Dan. 8:26.

Visto como em profecia um dia simbólico representa um ano literal (Ezeq. 4:6), o período de 2300 dias se estenderia até ao tempo do fim. No capítulo precedente os 1260 anos de supremacia papal, como vimos, terminaram em 1798, ocasião em que, conforme Daniel 12:4, 6 e 7, devia começar o tempo do fim.

16. Quando Daniel viu perseguido e espalhado o povo de Deus, assim como a desolação da cidade santa e do santuário, como isso afetou o profeta?

"Eu Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei." Dan. 8:27.

As cenas apresentadas, afetaram por demais as força do idoso profeta. Não pôde suportar fisicamente o restante da interpretação profética. Desmaiou, e ficou doente por alguns dias. Neste intervalo entre a parcial interpretação da profecia, no capítulo 8, e a interpretação final no capítulo 9, teve lugar importante mudança. Esta visão foi dada no terceiro ano do reinado de Belsazar. Seguiu-se a subversão de Babilónia pelos medos e persas; e foi no primeiro ano do reinado do rei Dario que se completou a interpretação da visão, segundo o regista o capítulo 9. A parte final da interpretação é considerada em nosso próximo estudo.
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal