O músico e o órgão - Estudos Bíblicos Adventistas

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O músico e o órgão

Reflexões Cristãs
Reflexões Cristãs
Um grande músico, um dos clássicos, ao descer certo dia por uma rua de Londres, passou por uma grande catedral. Dela saíam nesse momento acordes musicais que o fizeram lembrar que um grande órgão de tubos havia sido recentemente adquirido por aquela casa de culto. Dizia-se que era um dos maiores do mundo.

Naquele momento ficou possuído do intenso desejo de tocar nele. Deteve-se por um instante, e entrou. Percebeu logo que o organista ensaiava para o culto seguinte. Contudo não se ouviam os acordes de que aquele instrumento era capaz.

O estranho subiu até onde estava o órgão, e aproximando-se do organista pediu: «Será possível autorizar-me por um momento a tocar no seu grande órgão? Estou apenas de passagem na sua cidade.»

O organista replicou: «Desculpe, senhor, mas tenho ordem de não deixar quaisquer mãos tocarem mesmo ao de leve no teclado.»

O estranho saiu, mas ao aproximar-se da porta, o desejo de tocar tornou-se tão forte que disse para si mesmo: «Fui dissuadido com demasiada facilidade; vou tentar novamente.» E assim aproximou-se uma segunda vez daquele que estava ao órgão e, pondo a mão no ombro dele, segredou: «Por favor, deixe-me tocar só uma vez e durante alguns minutos. Vivo longe daqui e talvez nunca mais tenha uma oportunidade.»
Mas a resposta foi novamente negativa.

Voltando as costas, encaminhava-se para a saída quando ouviu os acordes de uma das suas composições, embora pobremente interpretada. E disse para consigo: «Como gostaria de tocar aquele trecho naquele órgão maravilhoso.»

E o desejo era tão premente que voltou para junto do organista pela terceira vez. «Essa é uma música muito bela. Como gostaria de a tocar no seu órgão. Deixe-me ao menos tentar. Não o maçarei por muito tempo. Depois de tocar essa música, se quiser, vou-me logo embora.»

Confuso pela persistência daquele homem, e impressionado pelas suas maneiras calmas e despretensiosas, o organista condescendeu, levantou-se do seu lugar e convidou o estranho a ocupá-lo.

Ao sentar-se, o estranho atacou o teclado, e daquele órgão saíram os mais belos acordes produzidos por aquele grande instrumento de tubos. Todo o edifício ficou cheio daquela música. Embora a porta de entrada ficasse longe, a melodia ouvia-se na própria rua. As pessoas detinham-se para ouvir e inclinavam as suas cabeças. Algumas acabavam por entrar para orar.

O atónito organista estava mudo de surpresa. Nunca sonhara que aquele instrumento pudesse ser tocado daquela maneira e produzisse tal música. Logo que pôde balbuciar alguma coisa, aproximou-se do organista, como antes tinha sido abordado quando se encontrava a tocar, e pondo a mão no seu ombro perguntou:

«Diga-me, por favor, senhor, como se chama?»

«Mendelssohn», foi a resposta.

«Como? Mendelssohn? Ah! Se ao menos o tivesse sabido antes!»

Confuso e envergonhado gaguejou uma desculpa:

«Perdoe-me por favor, mestre, por me ter recusado a dar- lhe autorização de tocar no órgão!»    
      
O Órgão das nossas Vidas

Aquele organista representa-te a ti, prezado leitor, e a mim. Temos estado sentados durante anos ao órgão das nossas vidas, tentando produzir música, e não temos conseguido mais do que sons desafinados. Temos sido muitas vezes um fracasso miserável; temos tentado vencer os nossos próprios problemas; temos tentado fazer-nos santos; temos tentado, e de que maneira, vencer a tentação; temos tentado manter a calma e a serenidade quando provados e provocados; mas não temos Tido muito êxito, se é que temos tido algum. Tem havido na verdade muito pouca música genuína e alegria na nossa alma.

Porém —oh, prestai atenção, ao menos hoje! — o Mestre está ao vosso lado neste momento. Não O mandeis rudemente embora. Permiti que Ele experimente o teclado, que controle os impulsos da vossa vida, e produzirá em vós a música e a harmonia do céu. E finalmente podereis participar do feliz grupo, do qual está escrito:

«E os resgatados do Senhor voltarão, e virão a Sião com júbilo: e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.»
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