É o Sábado uma Instituição de Israel? - Estudos Bíblicos Adventistas

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É o Sábado uma Instituição de Israel?

Temas Bíblicos > Sábado da Lei de Deus
A FÚRIA anominiana do oponente concentra-se na tese de que o sábado é instituição exclusivamente judaica. Não lhe interessa saber que ele fora instituído ao tempo de Adão, antes que houvesse a divisão de raças, nações e tribos, nem que fora feito para o bem-estar físico e espiritual do homem, nem que os gentios o observavam no passado. A idéia fixa é que o sábado é judaico, e nada mais! Diz que o sábado fora dado a Israel, e não ao mundo, e em abono de tal heresia cita Êxo. 20:1 e 2; 12-15; 4:8, 10-13 e 44; 34:27 e 28; Rom. 9:4.

Antes de entrarmos no mérito dessas passagens, convém notar que certos teólogos, deixam, inadvertidamente escapar expressões que destoam da posição doutrinária que assumem, e mais se adaptam à doutrina adventista.

Strong não é anominiano. Contradiz a idéia de que o sábado é mosaico. Diz ele: “O sábado é de obrigação perpétua como memorial instituído por Deus, de Sua atividade criadora. A exigência do sábado é anterior à época do Decálogo, e forma uma parte da lei moral. Feita na Criação, aplica-se ao homem como homem, em toda a parte e em qualquer tempo, em seu presente estado de existência.” (1)

Por esta declaração do mestre batista se evidencia que o sábado não se originou do legalismo de Israel. E acrescenta: “No Velho Testamento há indicações da observância do dia do sábado antes da legislação mosaica.” (2)

A origem do sábado, 2.500 anos antes que houvesse a nação israelita prova que não era judaico. Observado pelos patriarcas, foi transmitido às nações da antigüidade. Tornou-se mundial, mesmo entre as nações pagãs.

John G. Butler, escritor batista do Livre Arbítrio, no seu tratado teológico, diz: “Sabemos também, pelo testemunho de Filo, Hesíodo, Josefo, Porfírio e outros, que a divisão do tempo em semanas e a observância do sétimo dia eram comuns nas nações da antigüidade. Como, então, poderia ter-se originado a não ser pela tradição, que vinha de sua instituição no jardim do Éden?” (3)

De fato, o citadíssimo historiador judaico Flávio Josefo, escreveu também: “Não há cidade dos gregos, nem dos bárbaros, nem nação alguma, em que nosso costume de repousar no sétimo dia não tenha chegado.” (4)

Por aí se vê que as nações não judaicas observavam o sábado original.

E agora um testemunho arqueológico. O Congregationalist (Boston), de 15 de novembro de 1882, referindo-se aos “Tijolos da Criação,” encontrados pelo Sr. Smith, nas margens do rio Tigre, próximo a Nínive, diz:

“O Sr. George Smith diz em sua obra ‘Descobertas Assírias’ (187511 ‘No ano de 1869 descobri, entre outras coisas, um curioso calendário dos assírios, no qual cada mês se divide em quatro semanas, e os sétimos dias, ou sábados, são marcados como dias nos quais nenhum trabalho se podia empreender… O calendário contém listas de trabalho proibido nesses dias, o que evidentemente corresponde ao sábado dos judeus.” (Grifos nossos).

Não padece dúvida, que o sábado era guardado pelo mundo gentílico e pagão, pela influência do povo de Deus, dos israelitas, então detentores dos oráculos divinos. Israel, como povo escolhido deveria ser uma luz. Deveria levar a revelação divina a todos os Povos. Falhou. As bênçãos imutáveis de Deus, porém, foram transferidas aos gentios. Se mudança houve, se falta houve, se fracasso houve, foi nos homens.

Nossa doutrina, no tocante a Israel, pode assim ser resumida: “Aquilo que Deus propôs realizar em favor do mundo por intermédio de Israel, a nação escolhida, Ele executará afinal por meio de Sua igreja na Terra hoje. Ele arrendou Sua vinha ‘a outros lavradores’.” (5) Os privilégios de Israel transferiram-se a nós. Somos “os outros lavradores,” mas as bênçãos da vinha são as mesmas.

Diz o teólogo batista Langston: “Não obstante o grande fracasso da povo eleito, não se perdeu o precioso tesouro que lhe fora confiado para entregar ao mundo, E NEM SE TRANSFORMARAM OS PLANOS DIVINOS, porque, hoje, todas as nações estão-se enriquecendo com a revelação de Deus – o precioso tesouro uma vez entregue a Israel.” (6) (Grifos e versais nossos!. Sim, Deus não muda, os homens é que fracassam.

Somos o Israel espiritual. Deus não tem absolutamente nenhuma promessa para os gentios, senão quando se tornam Israel. O gentio, como gentio, está completamente sem esperança, e isto a Palavra de Deus declara repetidamente. Jesus era da raça de Israel. Também os profetas, e todos os apóstolos, os autores do Novo Testamento eram israelitas. Jesus mesma declarou que “a salvação vem dos judeus.” S. João 4:22. Ler Efés. 2:12. Somente Israel será salvo. Na gloriosa cidade que dará a Seus filhos, há doze partas, e seus nomes são os das doze tribos de Israel. É preciso que nos tornemos Israel. Mesmo o estrangeiro, o gentio, terá que tornar-se membro da família de Deus, do Israel espiritual. Não há uma lei para o judeu e outra para o gentio, que peregrina conosco, como aqueles que peregrinavam com o Israel literal. Núm. 15:16.

O gentio – diz outro comentarista batista de renome – “por sua fé se torna descendente espiritual de Abraão, membro do Israel de Deus. A Jerusalém palestiniana e seu povo são repudiados categoricamente: ‘está em escravidão com seus filhos’ Gál. 3:25. Os crentes gentios são ‘como Isaque, filhos da promessa’. 28. Israel segundo a carne passa a ser ‘lançado fora,’ não será ‘herdeiro’ das promessas proféticas, v. 30, antes identifica-se com a escrava Agar e o bastardo Ismael: mas o filho, o herdeiro, o Isaque, o Israel real, o povo de Deus, a Jerusalém celestial e seus filhos, são os crentes gentios, incorporados com Jesus e Paulo e os outros apóstolos, no tronco indestrutível da árvore de Abraão e da aliança da graça.” (7)

Consideremos agora sucintamente algumas passagens com que se procura atribuir caráter meramente nacional e local ao dia de repouso ordenado por Deus. Êxo. 20:1 e 2; Deut. 5:1 e 2, 12-15; 4:8 etc. Procura-se tirar a ilação de que o sábado fora dado a Israel e não ao mundo.
Ora, o oponente não pode contestar que o povo de Israel era, naquela ocasião, o legítimo povo de Deus, detentor de Sua mensagem para o mundo. Sendo assim, gostaríamos de perguntar-lhe: a quem deveria Deus revelar Seus propósitos? A quem deveria confiar Sua lei? Aos egípcios? Aos assírios? Aos amalequitas? Aos amorreus? A quem afinal? A resposta só pode ser uma: aos israelitas. Necessariamente aos israelitas. E a eles foi outorgado o maior padrão moral de todos os tempos: o Decálogo, em cujo coração há o mandamento positivo do dia de repouso. A solenidade do momento da outorga dessa majestosa lei exigia que Deus impressionasse aquele povo, para mostrar-lhes o privilégio deles e a autoridade do Doador. Daí a razão do preâmbulo: “Eu sou o Senhor teu Deus…” e para que não pairassem dúvidas a respeito, acrescenta: “Aquele que te tirou da servidão do Egito.”

Note-se que esta observação é um preâmbulo. Não é parte integrante da lei. Pode-se comentar que a lei era também um memorial da graça divina, pois o próprio Deus que a proferiu foi Aquele que conduziu Seu povo para fora do Egito, livrando-o do jugo vil da escravidão. As Escrituras consideram o Egito como símbolo do estado de pecado (Apoc. 11:8), e sendo assim, o livramento de Israel, do Egito literal, pode ser comparado com o livramento de todo o povo de Deus, do poder do pecado. Diz a Bíblia que o Senhor livrou Seu povo da terra de Faraó a fim de poder dar-lhes Sua lei. (Sal. 106:42-45). Do mesmo modo, por meio do Evangelho, Cristo nos liberta do jugo do pecado (S. João 8:34-36; II S. Ped. 2:19) a fim de que possamos guardar a lei (S. João 15:10; Rom. 8:1-4). Notemos o seguinte: Deus primeiramente salvou Israel; depois deu-lhes Sua lei para ser guardada.

Em Deut. 5, temos o Decálogo repetido com aplicação especial aos israelitas, e isto prova que a lei divina se aplica a todos os povos em todas as circunstâncias. O livramento dos israelitas constituiu uma razão adicional por que deveriam reverenciar o sábado: a de terem conseguido um descanso dos trabalhos escravos do Egito. Deviam deixar os servos repousarem também no sábado. Diz o texto: “… para que o teu servo e a tua serva descansem como tu”, e a seguir diz: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito. …”

Em Rom. 9:4 se lê: “Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas.” Não sabemos o que o oponente pretende provar com esse texto. Note-se que o apóstolo Paulo não os chama de “hebreus” ou “judeus” num sentido opcional mas de israelitas, título que lhes designa a posição de povo escolhido de Deus. No Novo Testamento esse titulo é transferido à igreja cristã, à qual o mesmo Paulo se refere como “o Israel de Deus” Gál. 6:16. Sim os israelitas são detentores das bênçãos de Deus, no presente como no passado.

A Bíblia denomina o sábado de “sábado do Senhor” e não de sábado de Israel num sentido nacional.

Deixemos, para finalizar, que a Bíblia fale por si, sem comentários:

“É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente… Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhas… E, se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa…. Naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunhão de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança… mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Crista chegastes perto… E ouvi o número dos assinalados e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados de todas as tribos dos filhos de Israel.” Rom. 2:28; 9:6 e 7; Gál. 3:29; Efés. 2:12 e 13; Apoc. 7:4.

Todas as bênçãos divinas, inclusive o sábado, se transferiram para o Israel espiritual.

Referências:

A. H. Strong, Systematic Theology (Ed. Three Volumes in One, The Judson Press), pá. 408.

Ibidem.

John G. Butler, Natural and Revealed Theology, pág. 396.

Flávio Josefo, Against Apion, book 2, pág. 40, do “Works of Flavio Josepho” (Winston Edition), pág. 899.

Ellen G. White, Profetas e Reis, págs. 713 e 724.
A. B. Langston, Esboço de Teologia Sistemática, págs. 254 e 255.

William Carey Taylor, A Epístola aos Gálatas, pág. 316.

Fonte: Arnaldo B. Christianini – Subtilezas do Erro – Págs. 190-195
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