A Questão Oriental - Estudos Bíblicos Adventistas

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A Questão Oriental

A Bíblia Responde > VI – A Segura Palavra dos Profetas
A Bíblia Responde - Capítulo nº 06 - A Segura Palavra dos Profetas

1. Resumidamente definida, que é a questão oriental?

A eliminação da Turquia da Europa, e a final extinção do Império Turco, com os consequentes eventos mundiais. É também descrita como "a ação de impelir os turcos para Ásia, e a anexação de seu território."

2. Que passagens das Escrituras se aplicam ao poder turco?

Daniel 11:40-45; Apoc. 9; e 16:12.

No capítulo 11 de Daniel, a Turquia é mencionada sob título de "rei do norte;" e em Apocalipse 9, no soar da quinta e sexta "trombetas;" e em Apocalipse 16, sob o símbolo do secamento das águas do principal rio da Turquia asiática, "o grande rio Eufrates." Em profecia simbólica águas representam multidões de povo. (Ver Isa. 8:7; Apoc. 17:15.)

3. Quando tomaram os turcos Constantinopla, e assim a divisão setentrional da antiga Grécia e Roma?

Em 1453 A. C. sob o comando de Maomé II. Ver páginas o capítulo, As Sete Trombetas

Após a morte de Alexandre o Grande, o Império Grego foi dividido entre seus quatro maiores generais, Cassandro, Lisímaco, Se- leuco e Ptolomeu, em quatro partes — Este, Oeste, Norte e Sul. Com o passar do tempo, o território mudou de mãos, mas perdurou a relativa posição dessas partes. Depois do esfacelamento do Império Romano e da disseminação do maometismo no Oriente, sob os árabes, penetraram os turcos. Tomaram posse da Terra Santa em 1058, depois da Ásia Menor, e afinal de Constantinopla, em 1453, juntamente com boa porção do sudeste da Europa, ocupando assim o território do velho "rei do norte." Deste modo a Turquia tornou-se a potência que mantinha nas mãos o território de ambos os lados do Bósforo; e malgrado as oscilações da fortuna e o estreitamento dos limites geográficos, desde esse tempo tem mantido essa posição estratégica.

O Boletim do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Vol. 19, n.º 472, de 18 de julho de 1948, diz: "Durante a Guerra Mundial II, a República da Turquia, como era natural, em vista de sua posição estratégica na encruzilhada de três continentes, era de grande interesse tanto às potências do Eixo como às nações unidas durante aquela luta.... Essa região era de considerável significado económico, político e estratégico." — Pág. 63.

4. Como tem sido considerada a Turquia, pelas nações europeias?

A Turquia moderna, hoje restrita à Ásia Menor e à pequenina parte da Europa que contém Constantinopla, ou Istambul, e privada de seu antigo conglomerado de povos estrangeiros sujeitos, tem-se tornado notavelmente modernizada e ocidentalizada depois da Primeira Guerra Mundial, mas isto se deu em anos relativamente recentes. Através dos séculos os turcos tinham permanecido fora da órbita da civilização oriental. "Eram sempre considerados na Europa como intrusos, e sua presença ali levou a várias guerras sanguinárias." — Myers, General History, 1927, págs. 149 e 150.

5. Quando foi o destino da Turquia posto nas mãos das potências ocidentais?

Em 1840, no fim da guerra de dois anos entre a Turquia e o Egito, quando a sorte da Turquia foi posta nas mãos das quatro potências europeias— Inglaterra, Rússia, Áustria e Prússia. Ver pág. 250, sob a perg. 17.

Em 1840, durante uma discussão com o paxá do Egito, "exatamente quando ele [o sultão da Turquia] teve de capitular, o controle dos acontecimentos foi retirado de suas mãos pelos embaixadores das potências em Constantinopla.... A Grã-Bretanha, a Rússia e a Áustria concordaram em apresentar um ultimato ao paxá e forçar pelas armas sua aceitação." Foi negociada a paz, e no ano seguinte todas as potências concordaram "que o Estreito fósse fechado aos vasos de guerra de todas as nações, e que a Turquia passasse da tutelagem da Rússia para a tutelagem coletiva das potências." — Wilbur W. White, The Process of Change in the Ottoman Empire (Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago, 1937), págs. 242 e 243.

6. Qual é uma das últimas predições da profecia de Daniel, concernente ao rei do Norte?

"Mas os rumores do Oriente e do Norte os espantarão; e sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos." Dan. 11:44.

Sobre isso, o Dr. Adão Clarke, escrevendo em 1825, diz: "Se for compreendido o governo turco, como nos versos precedentes, pode- se entender que os persas a Leste e os russos ao Norte algum dia causarão grande embaraço ao governo otomano." Tal foi verdadeiramente o caso, e estas condições sazonaram na guerra da Crimeia de 1853-56, entre a Rússia e a Turquia. Nessa guerra a Inglaterra e a França acorreram em auxílio da Turquia, evitando que a Rússia se apoderasse de Constantinopla, a presa cobiçada, ganhando assim acesso aos Dardanelos e ao Mar Mediterrâneo, ficando na posse da chave do comércio entre a Europa e a Ásia. Sem uma saída para o mar, a Rússia não poderá ser forte potência naval. Em seu célebre desejo, Pedro o Grande da Rússia (1672-1725, assim advertiu seus súditos: "Procurai por todos os meios possíveis conquistar Constantinopla e as índias, pois," dizia ele, "quem lá entrar será o verdadeiro soberano do mundo; fomentai a guerra continuamente na Turquia e na Pérsia; ... garanti aos poucos o controle do mar; ... avançai para as índias que são o grande celeiro do mundo. Uma vez lá estabelecidos, não necessitaremos do ouro da Inglaterra." A autenticidade destas palavras tem sido posta em dúvida; no entanto, revelam um princípio que a Rússia tem seguido de perto.

7. Que, desde 1840, tem salvo a Turquia da completa ruína?

O auxílio e a interferência de várias potências europeias.

"Não é demais afirmar-se que a Inglaterra por duas vezes salvou a Turquia da completa sujeição desde 1853. À nossa ação em grande parte — na maior parte — é devida a sua existência e integridade como Estado independente. Em ambas as ocasiões arrastamos connosco as potências da Europa para manter o governo otomano." — Duque de Argyle (1895), em The Turkish-Armenian Question, pág. 17.

A aliança da Turquia com a Alemanha na Primeira Guerra Mundial demonstrou-se desastrosa a seu velho império. Na Segunda Guerra Mundial a Turquia tratou de ficar afastada de hostilidades ativas, mas conservou amizade com a Inglaterra e a Rússia. Ambos os lados julgaram conveniente haver um Estado — tampão neutro, como proteção para a campanha alemã na Rússia e a britânica no Egito e no Irã. Depois da Segunda Guerra Mundial a situação política exigia ainda que a Turquia se apoiasse a potências mais fortes para manter sua integridade territorial.

8.Por que essas potências auxiliaram a Turquia?

Não por amor à Turquia, mas pelo temor das complicações internacionais, que a sua queda poderá acarretar.

Em seu discurso em Mansion House, em 9 de novembro de 1895, Lord Salisbury, respondendo ao geral clamor pelo aniquilamento do poder turco, disse: "A Turquia detém a notável posição que vem ocupando por meio século, principalmente porque as grandes potências do mundo resolveram que para a paz da cristandade é necessário que o Império Otomano subsista. Chegaram a essa conclusão há cerca de meio século. Penso não haverem mudado de opinião. O perigo, se o Império Otomano cair, não seria meramente o que ameaçaria os territórios de que é formado o império; seria o perigo de que o fogo lá acendido se espalhasse pelas outras nações, envolvendo numa luta perigosa e calamitosa tudo o que é mais poderoso e civilizado na Europa. Foi isso que preocupou nossos pais quando resolveram fazer da integridade e independência do Império Otomano um assunto de tratado europeu, e esse perigo ainda não passou." — Times, de Londres, 11-11-1895, pág. 6.

"A questão balcânica, ou do Próximo Oriente, tem sido um dos mais complicados problemas políticos da história do mundo por cerca de meio século.... Por quatro e meio séculos, ou desde que os conquistadores turcos atravessaram o Bósforo e tomaram Constantinopla, continua em pé a terrível disputa para desalojá-los pela guerra, e pela diplomacia." — Revista Americana das Revistas, novembro, 1912.

Há mais de um século, Napoleão, quando prisioneiro em Sta. Helena, explicou que se fosse ainda imperador da França, não permitiria que Alexandre, Czar da Rússia, se apossasse de Constantinopla, "prevendo a quebra do equilíbrio europeu."

Depois da Segunda Guerra Mundial permanecia ainda o velho problema — o do controle da internacionalização do Bósforo.

9. Qual é a predição divina quanto ao futuro e queda final do reino do Norte?

"E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas virá o seu fim, e não haverá quem o socorra." Dan. 11:45.

Muitos estudantes da Bíblia crêem que o lugar indicado está na Palestina, e que ali a Turquia tomará sua última posição e afinal chegará o fim, em cumprimento dessa passagem, não muito tempo antes da vinda de Cristo.

10. Sob qual das sete últimas pragas secar-se-ão as águas do Eufrates (Turquia), e para que propósito?

"E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente." Apoc. 16:12.

Há anos o processo do secamento do Império Turco está-se efetuando, como pode ser visto pelo seguinte:

(a) Em 1783 a Turquia foi obrigada a entregar à Rússia o território da Crimeia, incluindo todas as terras a leste do Mar Cáspio.

(b) 1829 a Grécia se tornou independente.

(c) Em 1830 a Argélia foi ocupada pela França. 

(d) No mesmo ano a Turquia perdeu a posse da Sérvia e da Bósnia.

(e) Em 1878 o Tratado de Berlim concedeu governo autônomo à Bulgária, e independência à Romélia, Romênia e Montenegro.

(f) Em 1912 Tripoli foi tomada pela Itália.

(g) Em 1912 e 1913 os Estados balcânicos e a Grécia tiraram à Turquia quase todo o seu território restante da Europa.

(h) Em 1918, ao fim da Primeira Guerra Mundial, a Turquia ficou reduzida a uma nação com uma população de apenas nove a treze milhões de pessoas.

11. Sob esta praga, que incita as nações à guerra?

"E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demónios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele dia do Deus todo-poderoso." Apoc. 16:13 e 14.

12. Por esse tempo, que evento estará próximo?

"Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda os seus vestidos, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas." Apoc. 16:15.

13. Em que lugar serão as nações congregadas para a batalha?

"E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom." Apoc. 16:16.

Na Palestina, no "vale de Josafá" (Joel 3:12), no "vale de Jezreel" (Osé. 1:5), no "Armagedom" (Apoc. 16:16). Esses lugares, considerados em conjunto, parecem indicar que toda a Palestina será envolvida. No secular lugar de encontro da História, os "reis de todo o mundo" se reunirão para "a batalha, naquele grande dia do Deus todo-poderoso." Apoc. 16:14.

14. Quando o rei do Norte chegar ao seu fim, segundo a profecia, que ocorrerá?

"E naquele tempo Se levantará Miguel, o grande Príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro." Dan. 12:1.

A expressão "se levantará" ocorre oito vezes nesta série de profecias (Daniel 11 e 12), e sempre no sentido de reinar. Ver Dan.11:2, 3, 4, 7, 14, 20 e 21; 12:1. Miguel é Cristo, como se poderá ver comparando Judas 9, I Tess. 4:16, e S. João 5:25. Quando o império turco se extinguir, terá chegado o tempo de Cristo receber o Seu reino (S. Luc. 19:11-15), e começar a reinar. Essa grande mudança será anunciada pela queda, não somente da Turquia, mas de todas as nações (Apoc. 11:15); pelo tempo de tribulação aqui mencionado; pelas sete últimas pragas descritas em Apocalipse 16, e pelo livramento de todo o povo de Deus — aqueles cujo nome está escrito no livro da vida (Apoc. 3:5; 20:12) — o que mostra estarem no passado a tribulação e o juízo investigativo. (Ver pág. 205.)

15. Que ocorrerá nessa ocasião?

"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." Dan. 12:2.

Quando Cristo ressuscitou houve uma ressurreição especial, ressuscitando dos mortos muitos dos santos, sendo vistos de muitos, e foram levados ao Céu com Cristo à Sua ascensão. S. Mat. 27:52 e 53; Efés. 4:8. Assim também, antecedendo a segunda vinda de Cristo e à ressurreição geral dos justos, muitos dos santos que dormem, e alguns dos maiores pecadores (os que O "traspassaram," Apoc. 1:7), ao que parece, ressurgirão para testemunhar a Sua vinda, e ouvir o concerto de paz de Deus com Seu povo.

Esta série de profecias, portanto, nos leva à ressurreição dos justos, que ocorrerá por ocasião do segundo advento.

16. Que falsa mensagem será proclamada antes de sobrevir a destruição aos que não estão preparados para a vinda e o reino de Cristo?

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, ... e de modo nenhum escaparão." I Tess. 5:2 e 3.
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